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Publicado em: 01 janeiro 2018

#Retrô17 – Bingo e Extraordinário valeram o ingresso; PF e Real decepcionam

Crítica do Comando Notícia traz análise sobre quatro filmes; dois destaques positivos e dois negativos entre os que estrearam em 2017.

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HUGO ANTONELI JUNIOR

INDAIATUBA – O ano de 2017 foi de muita expectativa em estreias de cinema, mas – sem a pretensão de fazer um “melhores do ano” (até porque para isto seria necessário ter assistido todos os filmes, o que não foi o caso), resolvemos destacar quatro filmes como exemplos (bom e ruim) do que foi o cinema, três deles de produção nacional. Como crítica positiva o surpreendente “Bingo” e como maiores decepções “Polícia Federal” e “Real”. Como representante internacional, o choroso “Extraordinário” não merece elogio menor do que o próprio título.




O primeiro a estrear, em maio, foi “Real: o Plano por Trás da História”, com direção de Rodrigo Bittencourt, roteiro de Mikael de Albuquerque, produção de Ricardo Fadel Rihan e distribuição da Paris Filmes, Downtown Filmes. Confesso uma decepção pessoal com o filme depois de esperar um retrato mais emocionante e não uma novela em formato de filme. A cereja do bolo, sem dúvida, foi o viés político que o longa tomou, não se sabe se intencionalmente, mas aparentemente, sim.

Toda obra de arte é também um ato político, algumas delas, inclusive, são críticas espetaculares pró ou contra sistema, por exemplo, mas embarcar na onda “anti-PT” talvez para agradar o paladar do público em geral jogou o filme na lata do lixo. Como história e retrato, o longa deixa a imagem de Fernando Henrique Cardoso como um acertador nato e estrategista e de um Itamar Franco histérico. Sempre lembrando que ambos são caracterizados como imbecis de economia que são manipulados pelos economistas. É bom destacar a excelente atuação de Emílio Orciollo Netto como o protagonista, mas é inevitável citar o desperdício de Paolla Oliveira como apenas a “mulher do protagonista” e de Cássia Kis como uma jornalista que o entrevista.

Bingo!

O segundo filme a estrear foi “Bingo: o Rei das Manhãs”, em agosto, com direção de Daniel Rezende e roteiro de Luiz Bolognesi. Exceto pela cômica fuga de pagar direitos autorais ao usar um nome fictício para “Bozo”, o filme foi impecável. Tanto que esteve até poucas semanas na briga para representar o Brasil no Oscar do ano que vem. A narrativa com mescla de loucura e calmaria – sobretudo em um início arrebatador, foi o segundo lugar entre os destaques.

Vladimir Brichta é, sem dúvida, a estrela do longa. Talvez seja o mais importante papel na carreira do baiano. E não é para menos. Interpretar o palhaço mais importante da história do Brasil foi um desafio e tanto, que Brichta agarrou com unhas e dentes o papel que poderia ir para Wagner Moura ou Lázaro Ramos anteriormente. É bom destacar as excelentes atuações de Leandra Leal, Augusto Madeira, Ana Lucia Torre e do saudoso Domingos Montagner.

Bingo encheu a cartela e acertou em cheio ao mostrar a ascensão e queda de um ícone do que é a maior e melhor produção do Brasil: a televisão. Fugindo do formato “novela”, o longa apresentou muita cor (anos 80 e 90) e navegou em um mar sem censura (assim como era um palhaço que levava Gretchen para um programa de crianças).

Lava Jato, institucional e chato

Se já havia um pé atrás com “Real” – que é um fato histórico de valor imensuravelmente relevante, imagine só fazer um filme sobre algo que nem sequer chegou ao fim? Começando novamente pelo mesmo erro de “Real”, “Polícia Federal – A Lei é Para Todos” traz um heroi e galã que representa o juiz Sérgio Moro. Colocar a data de estreia para o dia 7 de setembro foi só a primeira das cafonices do filme que me fez desistir – pelo menos por enquanto, de gêneros que não de humor nas produções nacionais.

Não que pudéssemos esperar uma teia de aranha complexa como a produção “House of Cards”, em produção pela Netflix, por diversos motivos: as produções estrangeiras dão um banho de roteiro em casos políticos. Aqui, os filmes que não são de humor parecem mais novelas em formato de filme, não só pelas caras que são as mesmas da televisão, como também pelas narrativas e conflitos. Pouco há de novo, não é todo dia que aparece um “Que Horas Ela Volta?”.

“Polícia Federal” mais parece um filme institucional, para agradar a sei lá quem, do que realmente uma história real. Novamente na onda “anti-PT”, o longa tem o ápice na condução coercitiva do ex-presidente Lula à um aeroporto, em São Paulo. Seria um grande final se o político saísse preso de lá para Curitiba (em termos de roteiro, sem entrar no mérito do julgamento), mas o depoimento leva o filme ladeira abaixo, assim como o discurso de “um dia eu já votei no PT e hoje me arrependo”. Parece mais comentário de rede social do que filme. Ah… e vai ter parte dois. Oremos.

Extraordinário

Lançado há poucas semanas, o longa que traz como protagonistas o peso de Julia Roberts e Owen Wilson (o homem dos filmes com cachorros que morrem no final) obriga os espectadores a usar a caixa de lenço várias vezes. Com direção de Stephen Chbosky, o longa mostra a história de um garotinho que precisa lutar contra o bullying.

A grande sacada, além do claro clima de comoção de um menino que sofreu com diversas cirurgias para “ter um rosto”, está na narrativa que leva o público a ver a mesma história de pontos de vista diferentes, não caindo na tentação de transformar o longa em uma “história de superação de um menino que sofreu que venceu o bullying”.

Ele sofreu e venceu o bullying? Sim. Mas por trás de histórias assim existem famílias, pais, mães, irmãos e amigos. Tudo isso e muito mais é retratado no filme que arrancou muitas lágrimas (e aplausos) da plateia.

foto: divulgação

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