8 mitos e verdades sobre a diferença entre sobrepeso e obesidade – Comando Notícia
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8 mitos e verdades sobre a diferença entre sobrepeso e obesidade

Obsidade pixabay

São Paulo, ​a​gosto de 2025 – De acordo com o Painel da Obesidade do Ministério da Saúde, em 2023, mais de 20% da população adulta brasileira já apresentava excesso de peso. No entanto, é cada vez mais comum encontrar dúvidas sobre o que, de fato, diferencia o sobrepeso da obesidade: embora ambos indiquem acúmulo de gordura corporal, os dois quadros possuem implicações clínicas distintas e exigem atenção específica.

De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, o Brasil tem hoje 31% da população adulta com obesidade e a projeção é que esse número continue crescendo nos próximos anos. “A grande questão é que, muitas vezes, as pessoas só buscam ajuda médica quando já desenvolveram sintomas ou doenças associadas, como diabetes ou hipertensão. E aí o cuidado se torna mais complexo”, explica a Dra. Bruna Durelli, médica nutróloga especializada em obesidade e fundadora da LevSer Saúde.

A especialista alerta: apesar de não ser uma condição irreversível, a obesidade é uma doença crônica, inflamatória e multifatorial. O sobrepeso, por sua vez, pode ser um alerta precoce para o risco de evolução do quadro, mas não deve ser minimizado. “Ambos os diagnósticos exigem acompanhamento, cada um com sua estratégia, mas sempre com foco na saúde e não apenas na balança”, destaca.

A seguir, a nutróloga esclarece oito mitos e verdades comuns sobre o tema, com base em evidências clínicas e nos mais recentes consensos médicos:

1. Sobrepeso é só um estágio antes da obesidade.

Mito. “Embora o sobrepeso possa evoluir para obesidade se não tratado, nem todo paciente com sobrepeso progride para esse estágio. Existem pessoas que mantêm o sobrepeso de forma estável por anos, principalmente quando adotam hábitos saudáveis. Mas isso não significa ausência de risco, é um sinal de atenção”, pontua.

2. A obesidade é uma doença crônica reconhecida.

Verdade. “A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, complexa e multifatorial. Ela envolve alterações hormonais, inflamação sistêmica e disfunções metabólicas que afetam diretamente a qualidade e a expectativa de vida”, alerta.

3. O IMC é suficiente para diagnosticar obesidade.

Mito. “O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma ferramenta útil, mas limitada. Ele não diferencia massa magra de gordura, por isso, avaliamos também a circunferência abdominal, a composição corporal e indicadores inflamatórios, que oferecem uma visão mais precisa do risco metabólico”, esclarece.

4. Pessoas com sobrepeso podem desenvolver doenças crônicas.

Verdade. “Mesmo sem atingir o IMC de obesidade, o excesso de gordura corporal, especialmente a gordura visceral, já pode desencadear doenças como hipertensão, resistência à insulina, esteatose hepática e apneia do sono. O risco existe desde o sobrepeso, principalmente quando há predisposição genética”, diz.

5. Estar com peso normal garante saúde.

Mito. “Nem sempre. Pessoas com IMC dentro do ideal podem apresentar alta gordura corporal e baixa massa muscular, o que caracteriza o chamado ‘obeso metabolicamente normal’. O ideal é olhar para além da balança e avaliar a composição corporal, o estilo de vida e os exames laboratoriais”, reforça.

6. A saúde mental é igualmente afetada no sobrepeso e na obesidade.

Verdade. “Ambos os quadros podem impactar negativamente a autoestima, a imagem corporal e a vida social. Muitos pacientes relatam sentimentos de inadequação, culpa e vergonha, o que pode levar ao isolamento e dificultar o processo de mudança”, comenta.

7. Exercício físico é suficiente para reverter o quadro.

Mito. “Embora fundamental, a atividade física sozinha não resolve a obesidade, pois se trata de uma doença multifatorial. O tratamento pode envolver reeducação alimentar, suporte psicológico, medicação e, em alguns casos, procedimentos como o balão intragástrico. A estratégia deve ser personalizada”, afirma.

8. É possível ter qualidade de vida mesmo com sobrepeso ou obesidade.

Verdade. “Com acompanhamento adequado, é possível sim melhorar marcadores metabólicos, controlar doenças associadas e viver com mais disposição e autoestima. O foco não é apenas o peso ideal, mas saúde real e sustentável”, finaliza a Dra. Bruna Durelli.

Sobre a Dra. Bruna Durelli

Médica nutróloga e referência no tratamento da obesidade, Dra. Bruna Durelli é fundadora da LevSer Saúde, clínica com foco em cuidados integrativos, que combina atendimento médico especializado, suporte psicológico e estratégias personalizadas para promover saúde, autoestima e qualidade de vida de forma sustentável.