
Transmitida pelo ar, por meio das gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar, a tuberculose é uma doença infecciosa que afeta principalmente os pulmões, mas que pode se espalhar para outras partes do corpo. Uma das formas é a tuberculose ocular, que ocorre quando a bactéria causadora consegue viajar pela corrente sanguínea e chegar aos olhos. A ocorrência representa de 1% a 2% dos casos que afetam outros órgãos, além dos pulmões.
“Ao se espalhar, a bactéria pode afetar diversas partes do olho, como a úvea, retina, córnea, pálpebra, conjuntiva e causar inflamações crônicas, glaucoma ou descolamento de retina. A identificação precoce da enfermidade e o tratamento com antibióticos específicos são fundamentais para prevenir danos visuais permanentes ou cegueira”, alerta o Prof. Dr. Michel Farah, oftalmologista do H.Olhos Unidade CEOSP, da rede Vision One.
O médico explica que “por ser uma condição rara e com sintomas semelhantes ao de outras doenças oftalmológicas, a tuberculose ocular pode demorar a ser diagnosticada. Um dos sinais de alerta é que à medida que a enfermidade evolui, os sintomas tendem a se tornar mais severos. O diagnóstico é obtido por meio de avaliação oftalmológica criteriosa, para identificar lesões típicas, e exames que confirmem a presença do bacilo no organismo”.
O Prof. Dr. Michel Farah cita os principais sintomas da tuberculose ocular:
– dor, lacrimejamento e vermelhidão;
– visão turva e embaçada;
– pontos escuros e flashes no campo de visão;
– sensibilidade exagerada à luz;
– lesões e inflamações nos olhos.
O Brasil integra a lista de 30 países com maior número de casos de tuberculose, elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela entidade no final do ano passado, a tuberculose causou mais de seis mil mortes no país em 2023 e infectou quase 85 mil brasileiros em 2024. Os números superam a meta definida pela OMS para a erradicação da doença, que tem como principal sintoma a tosse persistente.
A tuberculose tem cura e os medicamentos são oferecidos de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos desafios é conscientizar os pacientes a concluírem o tratamento, que dura no mínimo seis meses. A rápida melhora faz com que muitos deles acreditem que já estão curados e deixem de tomar os medicamentos pelo período recomendado. No caso da tuberculose ocular, o tratamento também é prolongado e deve ser feito com acompanhamento oftalmológico rigoroso, para evitar a perda visual.
Com informações: Sig Eikmeier
Foto: Divulgação- FREEPIK






