Pancada na cabeça agravou estado do cão Orelha em SC; cão passou por eutanásia após agressões – Comando Notícia
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Pancada na cabeça agravou estado do cão Orelha em SC; cão passou por eutanásia após agressões

Cão orelha

O cão comunitário Orelha, morto após ser agredido na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis, foi atingido na cabeça com um objeto contundente — ou seja, sem ponta ou lâmina —, segundo a Polícia Civil. Devido à gravidade do ferimento, o animal precisou ser submetido à eutanásia. Quatro adolescentes já foram identificados como suspeitos da agressão e três adultos foram indiciados suspeitos de coagir uma testemunha.

  • Museu da água

A informação consta no laudo pericial emitido após exames no animal e foi divulgada em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (27). O instrumento usado na agressão não foi encontrado.

Embora não existam imagens do momento exato do espancamento, conforme a delegada Mardjoli Valcareggi, outros episódios registrados na mesma região e período, somados a depoimentos de testemunhas, ajudaram a identificar os suspeitos.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo também teria tentado afogar outro cachorro comunitário, o Caramelo, na mesma praia. Valcareggi informou que há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo. Em complemento, testemunhas relataram que viram o grupo jogando o cão no mar.

 

➡️ Como a investigação foi dividida?

 

A investigação se concentra em duas frentes:

 

  • Auto de apuração de ato infracional: aberto pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), após ter sido constatado a suspeita de envolvimento de adolescentes.
  • Inquérito policial: instaurado para apurar a coação realizada por familiares dos adolescentes investigados a testemunhas. Procedimento foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) e concluído na noite de segunda-feira (26).

Quem são os adolescentes?

 

Os nomes e idades dos suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados pela investigação, tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo menores de 18 anos.

Somente no inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos.

Segundo a Polícia Civil, dois dos quatro adolescentes suspeitos de maus-tratos estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação na segunda-feira (26) — os demais estão nos Estados Unidos para “viagem pré-programada”.

Como foi a coação?

 

 

A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma testemunha na investigação sobre a morte do cão. Os investigados são pais e um tio dos adolescentes. Dois deles são empresários e o outro advogado.

Coação é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes de um processo judicial – juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus, por exemplo – para tentar interferir no resultado.

Os nomes dos indiciados não foram revelados pelos delegados e a corporação informou que o crime foi cometido contra o vigilante de um condomínio que teria uma foto que poderia colaborar com a investigação da ocorrência.

A Polícia Civil não informou se teve acesso a esse registro específico, mas disse que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança.

 

Como o cão Orelha foi morto?

 

A investigação indica que as agressões ocorreram em 4 de janeiro, mas o caso só chegou à Polícia Civil no dia 16 deste mês.

Orelha foi encontrado por populares machucado e agonizando. Ele foi recolhido e levado a uma clínica veterinária e, no dia 5 de janeiro, precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Exames periciais no corpo de Orelha confirmaram que ele foi atingido na cabeça com um objeto contundente — ou seja, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na agressão não foi encontrado.

 

 

Quem era Orelha?

 

A Praia Brava conta com três casinhas destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles.

“Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais.

Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis — Foto: Reprodução/Redes sociais

Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis — Foto: Reprodução/Redes sociais

Com informações: g1 SC

Foto: Reprodução/@floripa_estacomvcorelha e @peachzmilk