
Recente pesquisa publicada no BMJ Open Ophthalmology sugere uma associação entre o uso de metformina e a menor prevalência de DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade). Desenvolvida por pesquisadores Universidade de Liverpool (Inglaterra), a acompanhou por cinco anos 2 mil pacientes com diabetes tipo 2 produzindo imagem da retina, método que aumenta a precisão diagnóstica observacional. O estudo aponta uma redução de 37% na DMRI intermediária entre os que tomaram metformina por cinco anos ininterruptos. O medicamento é indicado no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2, doença que atinge 16,6 milhões de brasileiros, segundo o último relatório da IDF (International Diabetes Federation) divulgado em 2025.
Para o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) esta é uma boa notícia porque o olho é um dos primeiros órgãos a sofrer com o diabetes tipo 2. Entretanto o estudo é observacional. Significa que não há comprovação de a degeneração macular possa ser tratada com metformina. Isso porque, explica, não houve um único caso em estágio avançado que tenha regredido pelo uso do medicamento. Em estágio avançado a degeneração macular forma drusas na retina e pode ocorrer pequenas hemorragias. O tratamento para estas alterações é a fotocoagulação com laser. “Mas este estudo é um alerta importante: manter o uso regular deste medicamento ajuda a proteger a visão do diabético. Há quem falhe no tratamento”, afirma,
Por outro lado, ressalta, tomar metformina pode beneficiar a saúde dos olhos porque melhora a circulação, controla o açúcar no sangue e reduz os processos inflamatórios. Além disso, o controle da diminui o estresse oxidativo, importante fator de risco da DMRI e da catarata.
Para se ter ideia, a catarata precoce é frequente entre diabéticos com glicemia descontrolada. Queiroz Neto explica que isso acontece porque nesses pacientes o cristalino do olho sofre frequente efeito sanfona de hidratação/desidratação e suas células oxidam, mas rápido.
Por isso quem tem indicação de tratamento com este medicamento deve seguir a recomendação médica. “Adiar o comprometimento da visão é prorrogar a independência e a qualidade de vida”, afirma. Além disso, a metformina está listado no programa “Aqui Tem Farmácia Popular” e é distribuído gratuitamente para todos. Basta se cadastrar na farmácia mais próxima e apresentar a receita.
Fatores sistêmicos que influem na visão
Queiroz Neto afirma que o diabetes em estágio inicial não apresenta sintomas e por isso pode passar despercebido.
A condição, explica, é caracterizada pelo aumento de glicemia no sangue e geralmente não apresenta sinais no estágio inicial. Pode ser hereditária ou estar relacionada ao estilo de vida: estresse, falta de sono, obesidade, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, tabagismo. Significa que não adianta correr para a farmácia se mantém um estilo de vida vai contra sua saúde.
O oftalmologista afirma que as principais dicas para prevenir a DMRI são:
· Controle a hipertensão: A hipertensão arterial sistêmica está associada a alterações na circulação do olho que podem influenciar a progressão da DMRI, especialmente em estágios intermediários e avançados.
· Controle do colesterol: A literatura evidencia a influência do colesterol alto na formação de drusas e neovasos na retina. Manter o colesterol sob controle é essencial não só para a saúde cardíaca, como também para a ocular.
· Tabagismo: aumenta o estresse oxidativo, dano vascular e inflamação crônica afetando todo o olho.
· Sobrepeso, sedentarismo e má alimentação: contribuem com inflamação sistêmica crônica e resistência à insulina, fatores que podem contribuir para a progressão da DMRI. Praticar atividades físicas, optar por dietas ricas em vegetais verde-escuros, peixes e antioxidantes.
Não existe pílula dourada. A nossa saúde é construída no dia a dia, conclui.
Com informações: Eutrópia Turazzi-LDC Comunicação
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