
A conexão entre a mãe e o bebê começa a partir da gestação, com as trocas hormonais, sons e toques. Para a mulher, o período é marcado por expectativas, transformações físicas e emocionais. É comum o corpo reter líquidos e os níveis hormonais aumentarem significativamente, entre outras mudanças que ocorrem para possibilitar o desenvolvimento adequado do feto.
Para evitar qualquer tipo de complicação na gravidez ou no parto, é fundamental realizar o acompanhamento pré-natal. Problemas como anemia, diabetes gestacional, pressão alta ou infecção urinária precisam ser rapidamente tratados, pois oferecem riscos para a mãe e o bebê.
Outro cuidado que muitas vezes fica esquecido é com a visão. A Dra. Angela Cruvinel, oftalmologista do H.Olhos – referência em oftalmologia no Estado de São Paulo, explica que “durante a gestação, os olhos podem sofrer modificações temporárias, como redução na produção de lágrimas, alteração do grau, maior sensibilidade à luz e até alterações na pálpebras”.
A médica dá mais detalhes sobre as mudanças oculares mais comuns na gravidez:
Síndrome do Olho Seco – as alterações hormonais podem interferir na composição do filme lacrimal e reduzir a produção de lágrimas pelas glândulas lacrimais. O olho seco é uma das queixas mais comuns das gestantes e provoca sintomas como sensação de areia, ardor, vermelhidão e sensibilidade à luz;
Mudanças Refrativas – a retenção de líquidos típica da gravidez também ocorre na córnea e no cristalino, alterando a espessura e a curvatura dessas estruturas. Isso faz com que a grávida perceba que a visão ficou levemente turva ou que o grau dos óculos parece estar errado;
Sensibilidade à luz (Fotofobia) – durante a gestação, a luz solar ou de telas pode se tornar mais incômoda que o habitual. Isso pode ter relação com as alterações na córnea ou estar associado às enxaquecas, que também podem se intensificar devido às flutuações hormonais;
Ptose Palpebral (Pálpebra Caída) – apesar de menos comum, algumas mulheres notam uma leve queda em uma das pálpebras. Isso porque as alterações fisiológicas da gravidez podem causar edema (inchaço) palpebral e mudanças na musculatura orbital.
“Na maioria dos casos, a visão volta ao normal de seis a oito semanas após o parto, com a estabilização dos níveis hormonais e a redução da retenção de líquidos”, afirma a especialista. Ela alerta, no entanto, que “algumas alterações visuais podem ser indicadores da pré-eclâmpsia, uma complicação gravíssima da gestação, caracterizada pela elevação da pressão arterial após a 20ª semana, que afeta múltiplos órgãos, como rins e fígado, e pode colocar a vida da mãe e do bebê em risco”.
A Dra. Angela Cruvinel alerta para os sintomas oculares que exigem atendimento imediato:
– Ecotomas – ver pontos brilhantes, luzes piscando ou manchas escuras;
– Visão Dupla (Diplopia) – enxergar duas imagens de um único objeto;
– Perda Súbita de Visão – perda parcial ou total do campo visual.
O acompanhamento oftalmológico rigoroso também é recomendado para gestantes com condições de saúde pré-existentes, como o diabetes. Durante a gravidez, o nível elevado de açúcar no sangue pode acelerar a progressão da retinopatia diabética, uma doença ocular grave que pode levar à cegueira. Além de identificar possíveis problemas na visão, o oftalmologista poderá indicar colírios e medicamentos seguros para a mãe e o bebê, se houver necessidade.
Com informações: Sig Eikmeier
Foto: Divulgação







