Nova pílula para emagrecimento avança no mercado internacional e amplia alternativas às canetas

São Paulo, setembro de 2026 – O mercado de medicamentos para obesidade acaba de ganhar um novo impulso internacional. A agência reguladora de medicamentos do Reino Unido, a MHRA, aprovou o orforglipron, comercializado no exterior como Foundayo, para o controle do peso e o tratamento do diabetes tipo 2. O país tornou-se o primeiro da Europa a autorizar o medicamento, que já havia recebido a aprovação da FDA, nos Estados Unidos, em abril deste ano.
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Desenvolvido pela Eli Lilly, mesma fabricante do Mounjaro, o orforglipron é um agonista do receptor de GLP-1 apresentado em comprimidos. No Reino Unido, a indicação contempla adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 ou entre 27 e 30, desde que apresentem pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso. O tratamento deve estar associado à alimentação com redução de calorias e à prática de atividade física. A nova autorização foi anunciada em 10 de agosto pela MHRA.
Para o dr. Joaquim Menezes, médico especialista em emagrecimento definitivo e longevidade, o avanço dos medicamentos orais pode ampliar as possibilidades de individualização do tratamento.
“A chegada de um agonista de GLP-1 em comprimido representa uma evolução importante, principalmente para pacientes que apresentam resistência ao uso de injeções. Mas a escolha não deve ser orientada apenas pela forma de administração. Comprimidos e canetas possuem características diferentes, e a melhor opção depende do perfil clínico, da meta de emagrecimento, da tolerabilidade e da capacidade de adesão de cada pessoa”, explica.
Comprimido diário ou aplicação semanal
Uma das principais diferenças está na frequência de uso. O orforglipron deve ser tomado diariamente. Já boa parte das chamadas canetas emagrecedoras, como as que contêm semaglutida ou tirzepatida, é administrada uma vez por semana.
O novo comprimido pode ser ingerido em qualquer horário, sem necessidade de jejum ou restrições relacionadas ao consumo de alimentos e água. Essa é uma diferença inclusive em relação à semaglutida oral, que exige jejum prévio e um intervalo antes da ingestão de alimentos, bebidas ou outros medicamentos.
“A pílula pode parecer mais simples para quem não gosta de injeções, mas exige o compromisso de lembrar do tratamento todos os dias. Para alguns pacientes, a aplicação semanal é mais conveniente. Para outros, inserir o comprimido na rotina diária pode facilitar a adesão. Não existe uma resposta única”, observa Menezes.
Outra diferença está na composição dos medicamentos. O orforglipron é uma pequena molécula não peptídica que atua no receptor de GLP-1. A semaglutida, disponível em versões injetáveis e orais, também age sobre esse receptor. A tirzepatida, encontrada nas canetas, possui ação combinada sobre os receptores de GIP e GLP-1.
Segundo o especialista, não é correto concluir que uma apresentação é necessariamente mais eficaz apenas por ser oral ou injetável. “A eficácia depende da molécula, da dose, do mecanismo de ação, do tempo de tratamento e das características do paciente. Os estudos precisam ser analisados individualmente, especialmente porque nem sempre existem comparações diretas entre os medicamentos. A comodidade da via oral é relevante, mas não substitui a avaliação dos resultados clínicos e da segurança”, afirma.
Efeitos colaterais exigem acompanhamento
Assim como ocorre com as canetas, os efeitos adversos mais comuns do orforglipron são gastrointestinais, incluindo náusea, diarreia, constipação, vômitos, indigestão e dor abdominal. A FDA também relaciona advertências e precauções que devem ser avaliadas antes e durante o tratamento.
“A apresentação em comprimido não transforma o medicamento em uma opção mais leve ou livre de riscos. Continuamos falando de um remédio que atua em mecanismos importantes de controle do apetite e do metabolismo. A prescrição, o aumento gradual das doses e o acompanhamento médico são indispensáveis”, alerta Menezes.
O médico ressalta ainda que o medicamento não deve ser tratado como solução isolada. Alimentação adequada, treinamento de força, consumo suficiente de proteínas e avaliação periódica da composição corporal permanecem fundamentais para evitar perda excessiva de massa muscular durante o emagrecimento.
“A ampliação das opções é uma excelente notícia, mas o verdadeiro avanço será utilizar cada ferramenta para a pessoa certa. O objetivo não deve ser apenas reduzir o número mostrado pela balança, e sim perder gordura preservando músculos, força, saúde metabólica e qualidade de vida”, conclui.
Com informações: Yasmin Moraes-Comunicale





