Psicanalista de Indaiatuba, Luciana Sarkozy, lança livro sobre o novo olhar para o TDAH infantil – Comando Notícia
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Psicanalista de Indaiatuba, Luciana Sarkozy, lança livro sobre o novo olhar para o TDAH infantil

Livro de psiquiatra cópia

Por que algumas crianças apresentam agitação, impulsividade e dificuldade de concentração? Esses comportamentos indicam necessariamente um transtorno ou podem expressar diferentes formas de sofrimento emocional? E qual é o papel da família e do ambiente no desenvolvimento infantil? Essas são algumas das questões que orientam TDAH em crianças: contribuições da psicanálise de Winnicott (Editora Blucher), livro da psicanalista Luciana Sarkozy, que será lançado no dia 14 de novembro, às 10h30, na Livraria da Vila, na capital paulista.

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Moradora de Indaiatuba (SP), Luciana lança a obra que é fruto de sua pesquisa de doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com 408 páginas, organizadas em oito capítulos, o livro propõe uma reflexão sobre as causas, o diagnóstico e o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), a partir das contribuições do pediatra, psiquiatra infantil e psicanalista inglês Donald W. Winnicott (1896–1971).

A psicanalista coordenou por sete anos (até 2025), o Colóquio do Centro Winnicott do IBPW/IWA, em Campinas (SP).

TDAH em crianças parte de uma preocupação cada vez mais presente entre profissionais da saúde, educadores e famílias: a tendência de associar rapidamente os comportamentos infantis a explicações biológicas e a recorrer à medicação como principal resposta. Sem desconsiderar os avanços da genética e da neurobiologia, Luciana defende que o TDAH precisa ser compreendido em sua complexidade, levando em conta também a história de vida da criança, suas relações familiares e as condições do ambiente em que cresce.

Os diferenciais do livro – Uma abordagem que aproxima ciência e psicanálise. A autora recupera a história do diagnóstico do TDAH e reúne pesquisas sobre genética, epigenética e neurobiologia, traduzindo conceitos complexos para uma linguagem acessível a psicólogos, psicanalistas, educadores e familiares. O objetivo é contribuir para uma compreensão mais ampla do transtorno, reconhecendo que seus sintomas podem ter diferentes causas e que não existe uma explicação única capaz de dar conta de todos os casos.

O resgate da importância do ambiente. Um dos principais trunfos da obra é recolocar em discussão a influência das relações familiares e das experiências vividas pela criança em seu desenvolvimento emocional. A partir da teoria de Winnicott, Luciana propõe que comportamentos como agitação, impulsividade e desatenção sejam investigados também como possíveis sinais de sofrimento, em vez de serem considerados, isoladamente, provas de uma doença.

Uma reflexão crítica sobre a medicalização infantil. O livro questiona a associação automática entre diagnóstico e medicamento e chama a atenção para o risco de tratar os sintomas sem investigar suas possíveis causas. A medicação pode ajudar a reduzir determinadas manifestações e favorecer a comunicação com a criança, mas não deve ser confundida com uma cura nem substituir o acompanhamento clínico e o cuidado familiar quando necessários.

Contribuições para a prática clínica e o diálogo com as famílias. Ao reunir fundamentos científicos e a análise da teoria e de casos clínicos de Winnicott, a pesquisa oferece subsídios para que profissionais avaliem cada criança de maneira individualizada. A proposta é ampliar as possibilidades de compreensão e tratamento, sem reduzir a identidade infantil a um diagnóstico ou atribuir às famílias, especialmente às mães, a culpa pelas dificuldades apresentadas.

Nem toda agitação tem a mesma origem – Embora Winnicott tenha vivido antes de o TDAH ser definido nos moldes atuais, o autor descreveu crianças com comportamentos semelhantes aos hoje associados ao transtorno. Sua teoria considera que o desenvolvimento depende tanto das características próprias de cada indivíduo quanto das condições oferecidas pelo ambiente.

Na pesquisa, a análise de nove casos clínicos de Winnicott permitiu identificar uma variedade de situações e possíveis origens para comportamentos semelhantes aos descritos no TDAH. O recorte, ainda que pequeno, ilustra uma das principais hipóteses defendidas pela autora: crianças que apresentam sintomas parecidos podem estar vivenciando experiências emocionais muito diferentes e, por isso, necessitam de avaliações e cuidados individualizados.

Conforme Luciana explica: “Nessa perspectiva, a pergunta deixa de ser apenas ‘qual transtorno essa criança tem?’ e passa a incluir outra investigação fundamental: ‘o que essa criança pode estar expressando por meio desse comportamento?’. A mudança não significa descartar o diagnóstico, a genética ou a biologia, mas evitar conclusões precipitadas e compreender o sofrimento infantil em suas diversas dimensões”.

“Pensando alto, a frase que muito ouvimos atualmente: ele é agitado porque tem TDAH, não faria o menor sentido para Winnicott. Sua forma de se expressar seria: ele é agitado porque tem um sofrimento, que pode inclusive ser uma agonia impensável, cuja causa precisamos ajudá-lo a descobrir. Nossa hipótese, portanto, é que Winnicott levaria sim em consideração os sintomas descritos no TDAH, mas não os classificaria com uma única etiologia”, explica Luciana.

A obra também convida a olhar para os adultos que participam desse processo. Em vez de buscar alguém que simplesmente “conserte” a criança, a autora ressalta a importância de envolver a família no acompanhamento terapêutico, apoiar mães frequentemente sobrecarregadas e convidar os pais a participar ativamente do cuidado.

Com essa abordagem, TDAH em crianças: contribuições da psicanálise de Winnicott busca ampliar o debate sobre saúde mental infantil e contribuir para práticas que conciliem conhecimento científico, escuta clínica e atenção às relações humanas. Mais do que oferecer respostas prontas, o livro propõe que cada criança seja compreendida a partir de sua história, de suas necessidades e de seu contexto.

O livro está disponível no site da Editora Blucher, na Amazon e em livrarias físicas, com preço sugerido de R$ 165,00. A capa foi criada por Clara Bontempi Gouveia Sarkozy, filha da autora, estudante de Arquitetura em Munique (Alemanha).

O lançamento seguido de bate papo no dia 14 de novembro terá a presença de convidados especiais: o psicanalista Alfredo Naffah Neto, orientador acadêmico de Luciana nessa tese, e o psicanalista Alexandre Patricio de Almeida, mestre e doutor em Psicologia Clínica pela PUC-SP e membro da International Winnicott Association (IWA), que assina o posfácio do livro.

Luciana Sarkozy – Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP, com a tese A Contribuição da Psicanálise Winnicottiana para a etiologia, diagnóstico e tratamento do TDAH. Mestre em Psicologia pela Benedictine University, em Illinois, Estados Unidos, com a tese O impacto psicológico do desemprego em executivos. Atualmente, é professora de psicanálise do Instituto Brasileiro de Psicanálise Winnicottiana (IBPW/IWA), em cursos de formação no Brasil e na China. Foi coordenadora, de 2018 a 2025, do Colóquio do Centro Winnicott do IBPW/IWA em Campinas (SP). Atua como psicanalista e supervisora ​​em consultório particular.

Donald W. Winnicott (1896–1971) – Foi pediatra, psiquiatra infantil e psicanalista britânico. Ao longo de décadas de atendimento a crianças e famílias, desenvolveu uma teoria do amadurecimento humano que destaca a importância das relações de cuidado e do ambiente para o desenvolvimento emocional. Sua obra permanece uma referência para a compreensão da infância e das condições que favorecem a saúde psíquica.

Serviço:

Lançamento livro: TDAH em crianças: contribuições da psicanálise de Winnicott

Autora: a psicanalista Luciana Sarkozy

Bate papo: com a autora e os psicanalistas Alfredo Naffah Neto e Alexandre Patricio de Almeida

Editora Blucher

Lançamento: 14/novembro, 10h30, Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915, na Vila Madalena/SP).

Com informações: Mércia Suzuki-Tudo em Comunicação