
A visão humana funciona de forma semelhante a uma câmera fotográfica de altíssima precisão, que processa a luz em tempo real. O olho capta a luz refletida nos objetos, transforma em impulsos nervosos e envia ao cérebro para a interpretação da imagem.
Esse processo demora em torno de 0,013 segundos, ou 13 milissegundos, de acordo com estudos do Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos principais centros de estudo e pesquisa em ciências, engenharia e tecnologia do mundo, localizado nos Estados Unidos.
A Dra. Mayra Leite, oftalmologista do H.Olhos, hospital oftalmológico com unidades na capital e Grande São Paulo, diz que o alcance da visão pode ser analisado sob três perspectivas diferentes:
– Distância: não existe um limite fixo, vai depender se um objeto emite ou reflete luz suficiente. Um exemplo são as estrelas que vemos no céu em uma noite clara e que estão há milhões de anos-luz. Já a visão horizontal é limitada pela curvatura da Terra e por partículas presentes na atmosfera, como neblina e poeira, e em condições normais pode chegar a 5 km.
– Campo de visão: o ser humano possui uma visão binocular que alcança aproximadamente 210 graus na horizontal. Na área central, onde os dois olhos se sobrepõem, são cerca de 120 graus e há a percepção de profundidade, enquanto a visão periférica detecta movimentos, mas é pobre em detalhes e cores.
– Espectro visível: faixa de radiação eletromagnética (luz e cores) que o olho consegue detectar, com comprimentos de onda que variam aproximadamente de 380 a 750 nanômetros. Estão fora desse intervalo: ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho ou ultravioleta.
A médica alerta que “diversas condições podem afetar a nitidez da visão, desde inflamações e infecções a erros refrativos e doenças. É muito importante realizar exames oftalmológicos periodicamente, além de agendar consultas sempre que surgir algum sintoma, para proteger a saúde ocular e, dessa forma, preservar o campo visual”.
Um problema bastante comum e que afeta a visão para longe é a miopia. “Como o globo ocular é ligeiramente mais longo que o normal ou a córnea é muito curva, o alcance visual da pessoa míope fica reduzido a curtas distâncias. Ao mesmo tempo, objetos distantes parecem embaçados, pois os raios de luz se cruzam antes do ponto ideal de processamento”, esclarece a oftalmologista.
A miopia é fortemente influenciada por alterações genéticas e os casos têm avançado cada vez mais rápido, em consequência do estilo de vida moderno e de fatores ambientais. Dra. Mayra Leite explica que “principalmente durante a infância e a adolescência, o uso excessivo de telas e de atividades prolongadas para perto estimulam o alongamento do olho e o aumento do grau”.
De acordo com a médica, “uma doença ocular que afeta o campo de visão é o glaucoma, principal causa de cegueira irreversível. Ocorre um aumento da pressão intraocular que danifica as fibras do nervo óptico, responsável por enviar ao cérebro a luz captada pelo olho. O glaucoma avança silenciosamente e destrói primeiro a visão periférica, antes de afetar a central”.
“Na maioria das vezes, quando o paciente percebe a perda visual causada pelo glaucoma, não é mais possível regenerar as fibras nervosas danificadas. Os principais fatores de risco são histórico familiar, pressão ocular elevada e miopia alta”, alerta a oftalmologista. Alguns dos sinais da doença são ter dificuldade em ver o que está ao redor e esbarrar com frequência em objetos.
Entre as doenças que reduzem o espectro visível, uma das mais comuns é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), principal causa de perda de visão central e nítida em pessoas acima de 50 ou 60 anos. “A DMRI afeta a mácula, a parte central da retina, responsável pela visão de detalhes e cores. Embora não tenha cura, com o tratamento é possível retardar ou controlar a progressão”, finaliza a Dra. Mayra Leite.
Com informações: Sig Eikmeier
Foto: Divulgação-FREEPIK







