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“A maior obra da direita em Indaiatuba foi o pedágio”, PT analisa o cenário das eleições 2020

HUGO ANTONELI JUNIOR

Na quinta parte da entrevistas com personagens da política indaiatubana chegamos ao Partido dos Trabalhadores, o PT. É impossível falar de política no país sem citá-los. Há quem ame, há quem odeie, mas é difícil de achar algum indiferente. Encontramos o presidente da sigla, Marcos Navarro, e o vice, Rinaldo Wolf. Eles conversaram por uma hora com o Comando Notícia analisando o cenário para as eleições 2020. O PT chegou a ter dois vereadores na Câmara, mas depois de muito tempo ficou sem nenhuma cadeira. Eles querem mudar isso no ano que vem.

Navarro, mais conciliador, chega a elogiar o governo municipal. Wolf, ex-candidato a prefeito, tem um discurso mais inflamado, acusando todos os vereadores de “golpistas” e disparando contra praticamente todos. “O que o Ganem fez por Indaiatuba?”, pergunta. “O Rogério Nogueira é o DEM, que representa o pior que acontece no nosso país”, opina. E provoca. “O PT trouxe os programas para a cidade, Upa, Minha Casa Minha Vida. A maior obra da direita em Indaiatuba foi o pedágio”, afirma rindo. Eles falaram sobre a CPI da Saúde e muito mais. Confira na íntegra a conversa transcrita abaixo.

Comando Notícia: Como vai ser a campanha do ano que vem?

Rinaldo Wolf (RW): O objetivo é mostrar que foi um golpe. Hoje todo mundo, se não concorda, vê que alguma coisa aconteceu. O objetivo é ter um programa de governo, fazer vereadores, fazer uma boa campanha para ver se a população aceita o nosso projeto de governo. Em 2016 a gente sabia que não ia acontecer um milagre para o PT vencer. Me escolheram na época porque eu sou um cara que bato de frente, que não tem medo, que enfrenta. Mas talvez agora precise de um cara mais pacificador, mas o objetivo é mudar.

Comando Notícia (CN): Tem chance de ter coligação com outros partidos na cidade?

Marcos Navarro (MN): Temos diálogo, a gente é oposição atualmente na cidade, mas a gente respeita o eleitor, que é quem escolhe e se a gente puder ajuda da melhor forma possível. A gente vai trabalhar em cima de projetos, de melhoria e o que possa vir a melhorar na cidade. O Partido dos Trabalhadores trabalha para o povo. Vieram os recursos do PAC 1, PAC 2, muitas creches escolas, iluminação, até segurança. Foi mandado para o Brasil inteiro. Temos chances de se coligar com o mesmo pensamento que nós. Temos algumas amarras de partidos que são declarados inimigos do PT, seguimos a esfera nacional e estadual.

CN: Se o PT tem esses projetos como Upa e Minha Casa, Minha Vida, porque toda essa impopularidade?

RW: Upa foi um projeto em todas as cidades do Brasil. A impopularidade a gente não consegue explicar. Qual é o maior programa que a direita fez em Indaiatuba? A implantação do pedágio, foi o maior e mais polêmico. E da esquerda? Teve a Upa, construção de creches, programa Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida, infinitos programas. É um fenômeno que aconteceu. Em 2014 quando vencemos, quando a Dilma foi reeleita, já havia um projeto de golpear o Partido dos Trabalhadores. Houve uma facilidade de se implantar este golpe no Brasil. A população gostou da ideia só que agora estão sentindo que a coisa piorou. Depois de um ano da saída da Dilma, em 2015 era 4,6%, no ano seguinte a taxa de desemprego começa a aumentar e começam a fazer uma reforma que tirou direitos dos trabalhadores. Depois elege um cara que não estava no programa de ser eleito. Bolsonaro é paraquedista, caiu de paraquedas. Porque não era para ser ele. Foi um cara de extrema-direita. Eles não esperavam que o Bolsonaro fosse vencer, fizeram algo com tanto ódio no PT que eles colocaram um cara de extrema-direita e está aí o Bolsonaro. Estragando com tudo o que foi construído nos últimos anos, acabando com o meio ambiente, que agrada o mercado, nem vou entrar em conversa o que ele está fazendo hoje, só para relembrar, uma das atitudes foi acabar com o ministério do Trabalho e com o Ministério da Previdência. Acabou com o que o povo mais precisava, que gera riqueza para o país. Bolsonaro tem uma maldade muito grande. A população está assustada porque eles não esperavam que fosse assim. Muitos não perceberam que a coisa vai piorar.

CN: O que você está achando do governo Bolsonaro?

RW: O governo está sendo horrível, as taxas estão aí. Hoje nós temos em Indaiatuba um governo do MBD que apoiou o golpe. Os 12 vereadores todos de partido de direita, todos apoiaram o golpe. Ninguém é bonzinho. São todos golpistas. Eles são a favor da PEC 241, Reforma da Previdência e hoje a gente está na Câmara e vê uma briga pedindo CPI da Saúde, mas na verdade é um bloco só, todos tem o mesmo pensamento. Eles são a favor do Estado Mínimo. Eles fazem uma maneira de passar à população com fake news, a população é apolitizada. Temos que ter candidatura própria. O melhor prefeito de Indaiatuba foi o PT, os programas que chegaram aqui foi o que tornou essa cidade tão bem-vista no Brasil. Isso não tem nada a ver.  O PT é capitalista. O PT não é comunista. O PT é socialista e socialista vem de programa social. Quem ganhou dinheiro aqui nos governos do PT? Não foram os bancos? Os ricos não ficaram mais ricos? Só que os pobres ganharam também, subiram degraus. O socialismo do PT não mudou o sistema político do país, ele mudou a forma de governar e administrar o orçamento e colocou parte do orçamento para programas sociais, todo mundo ganha dinheiro. Só que eles colocam de um jeito que eles querem explorar. O PT não pegou propriedade de rico para dar para pobre, simplesmente pegou o orçamento e investiu nos que mais precisavam. Essa é a dificuldade das pessoas entenderem.

CN: E qual a sua avaliação do mandato dos deputados Rogério Nogueira (DEM) e Bruno Ganem (Podemos)?

MN: A gente acompanha o trabalho. Sou morador de Indaiatuba. É bom o deputado ser o irmão do ex-prefeito. Ele está no DEM, já foi do PDT. Eles tem diálogos. Se você quer o bem da cidade não tem que falar mal. Tem pessoas da cidade que querem causar confusão e colocar o nome do PT no meio sem a nossa autorização, porque não são pessoas do partido. Os membros partidários podem levantar a bandeira e usar ela. O próprio Bruno Ganem enquanto éramos núcleo ele nos visitou. E também para vir dialogar com propostas de política pública para a cidade, que só ganha tendo dois deputados. Para mim é uma avaliação boa…

RW: Essa é a visão do presidente, já o vice (risos), o DEM e o Podemos representam tudo de mal que está acontecendo no nosso país. Porque eles abraçaram o estado mínimo, eles que fizeram a reforma trabalhista, aprovaram a PEC 241, é o que está acontecendo no Chile. Eles são políticos individuais. Nós somos políticos partidários, nós saímos com bandeira, de vermelho, de Lula Livre. Eles, não. Se escondem. O Ganem foi vereador em oito anos. O que ele fez como vereador? Não fez nada. Temos que tirar o chapéu porque é um marqueteiro de primeira. Ele ligava para ir tomar café e ficava no farol. Mas o que ele fez de útil. Como parlamentar nunca defendeu uma causa de um funcionário público, o fim dos rodeios, que ele gosta de sair com o cachorrinho debaixo do braço. Agora está fazendo abaixo-assinado para trazer quimioterapia. A fila para passar por um nutricionista tem três mil pessoas, dá mais de dois anos de espera. É marketing. O Rogério é do DEM. É tudo isso aí que estamos passando. Fala do pedágio, não sei o quê. Fez o projeto dos animais de penas do pavão. Isso é ridículo. O que ele fez de útil para a cidade? Nada.

CN: Mas os dois candidatos falaram do fim do pedágio na eleição…

RW: Eles defendem o fim do pedágio, mas eles sabem que é um contrato que não vai ter fim, ninguém vai acabar com isso, é marketing, igual o Bruno para fazer abaixo-assinado. É lógico que seria bom acabar com o pedágio, um instituto de quimioterapia para as pessoas se tratarem, mas isso não está em foco. Eles podem ser prefeitos, a nossa visão não é a maioria das pessoas, as pessoas votam porque são enganadas e podem ser enganadas. Se o Bruno fosse prefeito hoje, você acha que ele teria condições de implantar 12 creches em 4 anos. A plataforma de campanha do Bruno na última eleição era 12 creches em 4 anos. Olha que crise. Você acha que ele implantar com recurso municipal? Não. Com recurso estadual? Não, porque o Bolsodoria que privatizar tudo. E da União… você acha que o Paulo Guedes vai liberar recurso para construir creche? Não. O outro lá até zoológico prometeu. Olha que absurdo! Isso é… mesmo se tiver dinheiro. Para quê fazer um zoológico? Eles são farinha do mesmo saco. DEM, Podemos, MDB trabalham para o mercado.

Rinaldo Wofl é Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional

CN: O que está achando do governo do prefeito Nilson Gaspar (MDB)?

RW: O Gaspar está sofrendo com os processos. O que ele tem? Ele provocou isso tudo. A gente não pode desvincular a pessoa do partido. Por isso que eu defendo que a gente precisa ter um perfil para disputar a eleição em 2020. Qual é a ideologia dele? O que ele tem feito? Ciclovia para aparecer. Está fazendo ali as mudanças na Ário Barnabé. Porque é uma coisa muito errada porque vai causar muitos acidentes, na minha opinião. Agrada a população do comércio, mas esse não é o caminho. Não é melhorar a via para mais carro. Você tem que fazer o contrário, melhorar a via para o ciclista circular, para o pedestre, para ter um transporte público de qualidade para levar as pessoas. Inclusive acabando com a parte verde central, é mais asfalto, é mais calor, é menos defesa de meio ambiente, além da questão de segurança.

MN: Cada governo que passa pela cidade deixa a sua marca. Desde 37 anos atrás, começando pelo Clain Ferrari. Teve o caso da Morada do Sol, deu condições para a gente que era de Salto vir para cá em cem parcelas. No fim não fizeram melhorias. O Tonin fez uma parte do asfalto. Chegou a faltar água na época do Tonin. Depois era aquela briga Clain Tonin até que entrou o Reinaldo, inclusive com ajuda do Partido dos Trabalhadores na primeira vez. Teve os seus mandatos, elegeu o Onério. O trabalho do Onério de fechar bares é esse trabalho contrário, de expulsar o comerciante. O Reinaldo quis voltar. Fez um excelente trabalho. Não tem o que reclamar do governo. Esta é a cidade que eu amo. O Reinaldo sempre me recebeu muito bem nos projetos da cidade. Temos um bom diálogo, até uma amizade pessoal. Na campanha vamos ter divergências, mas no projeto, mas não falar mal da pessoa para se dar bem, falar a verdade, em cima de projeto, de melhorias para a cidade.

CN: Quantos vereadores o PT quer eleger no ano que vem em Indaiatuba?

RW: No mínimo dois ou três. Mesmo dentro do PT tem a ala mais radical e divergências. Tanto que eu fui candidato no momento em que precisava de um radical. Hoje talvez não. Olha eu nunca tive mandato, mas com certeza é. Eu acho que na eleição passada, como tinha muito ódio, eu parei no farol e o pessoal vinha. Um cara saiu do carro da frente e cuspiu no meu carro falando que eu era o candidato que defendia corrupto. Olha o ódio. Fui muito xingado. Fui na feira pedir para panfletar sozinho porque o pessoal tinha medo, o pessoal jogava no chão. Hoje é diferente. A ficha tá caindo. Essa marcou, né? (risos) Você é da cidade, você conhece a pessoa e ela toma essa atitude. Você nunca teve mandato, você não é corrupto, não é ladrão, defende o certo. O que leva a pessoa a fazer isso? O ódio. Na próxima campanha vai ter muito assunto, muita pauta. A nossa pauta é muito fácil.

Marcio Navarro tem uma escola de cursos profissionalizantes.

CN: É mais difícil fazer uma campanha sem ter mandato?

MN: Dificuldade financeira porque o PT é um partido grande, mas não manda recursos para a cidade. Nós sempre trabalhamos para elegermos bastante deputados federais e vamos contar com o apoio de parceiros, temos pelo menos dois deputados compromissados com a gente aqui na cidade. Vamos ter o esforço do diretório, os próprios filiados vão ajudar a financiar esta campanha, que será simples, com suor até o final. Em 2016 estava mais difícil. A princípio não tive um eleitor xingando, no finalzinho da tarde, não tive essa dificuldade. Vai melhorar porque o pessoal percebeu que este ódio todo foi implantado. Aqueles R$ 0,20 que começou em São Paulo foi financiado por grandes empresários. O PT não faz manifestação violenta. Fazemos protestos com faixas, cartazes, não somos de fazer bagunça que foi feita. Acredito que vai ser mais bem aceito porque queremos o melhor para a população.

CN: Você é a favor da CPI da Saúde? Qual a sua visão da saúde?

RW: Sou a favor. Só acho esquisito de dois grupos na Câmara que justamente foram eles que provocaram isso. Qual vai ser o resultado da CPI? Faltou dinheiro, investimento, quem estava precisou ficar mais porque o outro faltou. É falta de investimento que eles mesmos votaram para reduzir com a PEC 241. Quando a coisa é centralizada como é hoje no Hospital Dia, se você tivesse os especialistas nos bairros – o nosso modelo é excelente, só não funciona por falta de uma coordenação e organização. Se você tivesse uma UBS com dentista, ortopedista e um clínico geral que resolvesse o problema lá já resolvia o problema. Acontece que aqui é tudo empurrado com a barriga. Por exemplo, o usuário do SUS é tratado como alguém que não entende nada de saúde. Se você tem um convênio e está com dor na coluna, vai até o ortopedista. O usuário do SUS precisa pagar por um clínico geral que vai encaminhar para o ortopedista. Quer dizer, a coisa é sempre empurrada. E ortopedista daqui a quanto tempo? E a dor lá. É uma burrice. Investe um pouco mais, contrata um especialista, não precisa passar por um clínico geral, se a pessoa for atendida um dia no SUS, ela deu duas consultas. Primeira um clínico geral e depois por um especialista. Sobrecarrega. Isso já vem lá de trás. Precisava de uma organização melhor. O programa Mais Médicos era importante e praticamente acabou. Os médicos estavam mais próximos da população. Se ela tem uma virose para o PS junto com o cara baleado, que quebrou a perna, por que ela não teve o problema resolvido lá? Não é um sistema inteligente. Isso é contratar pessoas e colocar lá.

CN: E a autocrítica, a derrota do ano passado tem feito o PT como partido refletir?

RW: Tem uma reflexão, já está tendo isso aí. O partido está mudando a postura. Acho que vai voltar. Voltar diferente, para melhor. Melhorar proteger melhor as instituições. O PT na questão do republicanismo. Confiou muito nas instituições que eram corruptas. Aí você tem um procurador que foi escolhido. O PT implantou a lista tríplice. Algumas situações o PT tinha que tomar postura e colocar pessoas honestas. Quem prendeu o Lula foi o Ministério Público em cima de provas falsas. Estamos vendo o site The Intercept o que eles articulavam, o momento que era para divulgar. O Lula ele melhorou o Ministério Público, ele equipou, o próprio poder judiciário, a Polícia Federal… E hoje eles tem um lado político, que não é a favor do povo, é a favor do mercado.

CN: Qual a visão do PT sobre a verba de publicidade municipal e sobre os processos movidos pela Prefeitura contra jornalistas e veículos de imprensa?

RW: As verbas de publicidade hoje de administração pública, o Ministério Público está fazendo um trabalho de investigação sério. Os prefeitos estão com um pé atrás. A questão de processos. Isso aí… na época do PT. Quando a Dilma estava sendo vítima, a própria Rede Globo divulgando áudio que não tinha nada a ver. A própria Dilma não criticou, o PT não criticou, nestes 12, 13 anos de mandato nunca teve problema. O Lula implantou em 2004 o portal da transparência. A própria população pode seguir para onde está indo aquele dinheiro. A gente sabe que isso aí é fascismo. O fascismo agrada o mercado, o capital. Tudo o que é grupamento, sindicato, ele quer individualizar as coisas. As pessoas sozinhas não tem força. A liberdade de imprensa é isso. Acabam com a sua profissão. Eles trabalham com fake news e enganam todo mundo.

MN: Acho que tem que dar mais oportunidades às mídias alternativas, para todo mundo e todos divulgam o que acontece na cidade. O que a gente percebe no governo federal e estadual é que estão direcionados para grupos de amigos. Temos que escolher bons profissionais e dar oportunidades para todos. Dar também para as locais. A liberdade de expressão tem que ser respeitada e é essa diversificação das ideais. A cada vez vão querer calar a voz do povo, da imprensa, do repórter que é a voz do povo, mas eles querem calar, intimidar. É um direito ser repórter e não pode ser penalizado. O trabalho tem que ser livre para todo mundo.

fotos: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia