ALERTA: Você joga a embalagem da encomenda no lixo? Entenda como criminosos podem usar dados da etiqueta em golpes

Brasil registra uma tentativa de fraude a cada 4,2 segundos, segundo Serasa Experian
A cada 4,2 segundos, uma tentativa de fraude é registrada no Brasil, segundo o relatório Indicador de Tentativas de Fraude, da Serasa Experian. Em um cenário em que criminosos recorrem cada vez mais à engenharia social para enganar vítimas, um hábito comum após as compras pela internet merece atenção: o descarte de caixas e embalagens sem inutilizar as etiquetas de identificação.
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Embora as informações presentes nas etiquetas, isoladamente, normalmente não sejam suficientes para a prática de fraudes, elas podem servir como ponto de partida para criminosos quando combinadas com outros dados disponíveis publicamente, como informações compartilhadas em redes sociais.
Segundo o docente do curso de Inteligência Artificial do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), Amandio Balcão, as etiquetas de encomendas costumam conter nome completo, endereço, CEP, dados do remetente e códigos de rastreamento. Em muitos casos, as embalagens também são acompanhadas por documentos, como a nota fiscal simplificada ou a declaração de conteúdo, que podem revelar detalhes sobre os produtos adquiridos.
“Esses dados, sozinhos, costumam ter pouco valor para os criminosos. O problema surge quando são cruzados com informações disponíveis em redes sociais ou outras fontes públicas, permitindo a criação de um perfil mais detalhado da vítima e tornando tentativas de golpe mais convincentes”, explica.
O alerta também tem sido reforçado por órgãos públicos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo orientou consumidores a inutilizarem etiquetas e documentos antes de descartar embalagens, destacando que essas informações podem ser exploradas por criminosos para dar mais credibilidade a golpes.
Como os golpes acontecem
Segundo o especialista, não é necessário invadir computadores ou celulares para obter informações pessoais. As embalagens descartadas de forma inadequada podem ser recolhidas em lixeiras, áreas de coleta seletiva ou até mesmo nas calçadas.
A partir desses dados, criminosos podem recorrer a técnicas de engenharia social para entrar em contato com as vítimas se passando por lojas, transportadoras ou instituições financeiras. Conhecendo detalhes da compra e do endereço, eles conseguem tornar abordagens fraudulentas mais convincentes, alegando, por exemplo, problemas na entrega, necessidade de pagamento de taxas, confirmação de cadastro ou supostos reembolsos. “Os criminosos exploram principalmente a confiança da vítima. Quanto mais informações conseguem reunir sobre uma pessoa, maior é a chance de construir uma abordagem convincente”, afirma Balcão.
Descarte correto é uma medida simples de proteção
Para reduzir a exposição de dados pessoais, a recomendação é inutilizar as etiquetas antes de descartar as embalagens. O ideal é retirar, rasgar ou tornar ilegíveis as informações de identificação, além de descartar separadamente documentos fiscais que acompanham a encomenda.
Como muitas etiquetas são impressas em papel térmico, apenas riscar os dados com uma caneta comum pode não ser suficiente. Nesses casos, o especialista recomenda utilizar um marcador permanente, aplicar álcool sobre a impressão ou até provocar atrito na superfície para apagar as informações. Também é indicado desmontar as caixas de papelão antes do descarte, dificultando a identificação do produto adquirido.
Cuidados vão além da embalagem
Além do descarte adequado, pequenas mudanças de hábito podem fortalecer a proteção dos dados pessoais. Entre elas estão evitar publicar fotos de encomendas com a etiqueta visível nas redes sociais, utilizar cartões virtuais para compras online e desconfiar de contatos inesperados que solicitem senhas, códigos de autenticação ou dados bancários.
Sempre que possível, outra alternativa é optar por pontos de retirada ou armários inteligentes para receber encomendas, reduzindo a exposição do endereço residencial. “O descarte correto das embalagens é um cuidado simples, mas que pode dificultar a obtenção de informações por pessoas mal-intencionadas. Somado a outros hábitos de segurança digital, ele ajuda a reduzir as chances de cair em golpes de engenharia social”, conclui Balcão.
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Sobre o especialista
Amandio Balcão é docente do curso de Inteligência Artificial (IA) do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), em Indaiatuba (SP), e pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI Renato Archer). Graduado em Engenharia Eletrônica pela Escola Politécnica da USP (Poli/USP) e doutor pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp (FEEC/Unicamp), possui ampla experiência em Tecnologia da Informação, com atuação em Segurança Cibernética, Computação em Nuvem e Redes de Computadores.
Com informações: Jean Tiago Martins da Silva





