Cidades

Cão guia: origens e importância para os deficientes visuais

CAROL BORSATO*

Quando descobriu-se o cão-guia, não se sabe ao certo, mas podemos afirmar que não é coisa recente. Uma gravura de um cão preso por uma trela guiando um cego presente em ruínas romanas do século I foi o primeiro registro que se tem notícia. No ano de 1780 em um hospital de cegos houve a primeira tentativa de treinamento sistemático de cães-guia em Les Quinze-vingts de Paris.

Em 1788, Josef Riesinger um fabricante de peneira austríaco, treinou um spitz alemão tão bem, que as pessoas duvidavam frequentemente de que ele era cego. No ano de 1812, Johann Wilhelm Klein, o fundador do instituto de educação de cegos, Blinden-Erziehungs-Institut, em Viena, falou sobre o cão-guia em seu livro sobre educação de cegos, porém não se encontra registros que provem que suas idéias foram postas em prática.

A história do cão-guia moderna começa durante a primeira guerra, pois precisava-se treinar vários cães para guiar os soldados que voltaram cegos por causa de um gás venenoso. Um cego chamado Jakob Birrer caminhou com o cão que ele treinou para si mesmo durante 5 anos.

Mas foi em agosto de 1916 que se abriu em Oldenburg, a primeira escola de cães-guia para cegos do mundo. A escola cresceu e abriu novas unidades em Hamburgo e outros lugares. Essas escolas treinavam 600 cães por ano e esses cães não eram dados apenas aos soldados cegos, mas eram entregues para deficientes visuais de vários países.

Em 1926 essa parceria acaba, porém já haviam outras escolas de cães-guia aparecendo para continuar esse trabalho. E esse trabalho segue até hoje. No Brasil também tem escola de treinamento de cão-guia, o problema é que não é qualquer cachorro que pode se tornar um cão-guia, eles precisam passar por testes que definem se eles podem ou não fazer esse trabalho. Sem falar do número de cegos na fila de espera que é maior que o número de cachorros, mais um problema que faz com que poucos cegos tenham acesso ao cão-guia.

No dia 25 de abril é comemorado o dia internacional do cão-guia, um cachorro que é mais sortudo do que o cão que é chamado de cão de estimação, pois o cão-guia passa o tempo todo com seu dono, passeia bastante. Mas infelizmente no Brasil, as vezes não existe respeito com o cão-guia: empresas que não o aceitam, taxistas também não, e aí o dono precisa, muitas vezes, entrar com processo contra essas empresas.

A sociedade pode contribuir, respeitando os cães que foram treinados para auxiliar seu dono, e que têm uma enorme importância na vida dos deficientes visuais.

*Carol Borsato é a primeira repórter deficiente visual da história de Indaiatuba (SP) e escreve aos domingos.

foto: divulgação