
A catarata, opacificação do cristalino, é maior entre mulheres no mundo todo e tem como principal causa o envelhecimento.
Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa, a mulher tem mais catarata porque o cristalino tem receptores de estrogênios que facilitam a oxidação da lente do olho. O oftalmologista explica que a doença é multifatorial. Além dos hormônios pode também estar associada a traumas, diabetes, insônia, uso contínuo de corticoide, alta miopia, doenças autoimunes, exposição ao sol sem proteção, tabagismo, consumo abusivo de sal.
Insônia é maior entre mulheres
Dos fatores de risco elencados por Queiroz Neto um deles está em ascensão no Brasil e é maior entre mulheres: a insônia. É o que mostra a Vigitel 2025, pesquisa anual do Ministério da Saúde sobre doenças crônicas.
Esta última edição da Vigitel revela que 20% dos brasileiros dormem menos de 6 horas/dia. A insônia atinge 31,7%. Entre mulheres a prevalência é de 36,2% ante 26,2% dos homens. A faixa etária de maior prevalência da insônia é dos 45 aos 54 anos.
A frequência mais expressiva de sintomas de insônia entre elas ocorreu em Maceió (45,6%) As menores entre elas aconteceram em Florianópolis (32%), Natal (33,3%) e São Paulo (33,7%). Entre homens a maior prevalência foi é de 34% em Porto Velho e a menor de 21,1%. em João Pessoa.
Cirurgia pode aliviar a insônia
A boa notícia é que a cirurgia de catarata melhora a visão e diminui o risco de outras condições frequentes nas pessoas com 60 anos ou mais. O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas, afirma que a cirurgia de catarata melhora a visão e diminui o risco de outras condições frequentes nas pessoas com 60 anos ou mais. que isso acontece porque a catarata é muito mais que visão embaçada. Quando o cristalino fica opaco, menos luz azul natural do dia chega à retina, pontua. Resultado: diminui a produção de melanopsina, um foto pigmento encontrado nas células ganglionares da retina. “É a melanopsina que detecta a luz para regular nosso relógio biológico ao ciclo do dia e promover o estado de vigília. Com a chegada da noite, comenta, é a melatonina, hormônio do sono que entra em cena para relaxarmos. “Portanto se a quantidade de luz que penetra em nossos olhos não é suficiente todo nosso organismo sofre consequências”, diz. O oftalmologista ressalta que a falta de sono também aumenta produção de radicais livres, reduz os mecanismos antioxidantes da glutationa e da catalase que protegem o cristalino.
Tenho diagnóstico de catarata e não perdi o sono
Queiroz Neto afirma que isso pode acontecer cada organismo tem as próprias particularidades. disso, em algumas pessoas o núcleo supraquiasmático que regula nosso relógio biológico tem maior plasticidade para se adaptar a diferentes alterações de luminosidade. Outro fator é a maior exposição ao sol nas primeiras horas do dia que estimula a produção de melatonina e até o uso de moduladores do sono.
Quais os sintomas da catarata?
A maioria das pessoas não percebem a catarata logo no início devido à capacidade de adaptação de nosso cérebro. Os principais sintomas elencados pelo oftalmologista são:
• Troca frequente de óculos e visão embaçada;
• Perda da visão de contraste, especialmente em ambientes com pouca luz;
• Fotofobia;
• Alterações na percepção de cores;
• Dificuldade para dirigir à noite.
Como saber se está na hora de operar?
Não existe ‘idade certa’ para operar e a catarata subcapsular causa mais fotofobia e por isso precisa ser operada antes sugere Queiroz Neto. Os sinais de que está na hora de operar é a dificuldade em exercer atividades corriqueiras como ler um livro, usar o computador ou celular ou dirigir.
Como é feita a cirurgia e quais os riscos?
A cirurgia de catarata é uma das mais praticadas o mundo e também uma das mais seguras. “O maior risco é uma infecção generalizada no globo ocular como ocorreu em uma pequena cidade doo estado durante o último mutirão, mas em salas cirúrgicas bem esterilizadas a possibilidade disso acontecer praticamente não existe, afirma Queiroz Neto. “A cirurgia é realizada com aplicação de um colírio anestésico e sedação que torna o procedimento bastante tranquilo para o paciente. Fazemos um corte de 2 mm no canto da córnea por onde aspiramos o cristalino opaco e inserimos a lente dobrada que se abre no saco capsula, local onde o cristalino natural fica apoiado. O mais importante é seguir as recomendações médicas e não falhar no uso dos colírios prescritos para não correr risco,” finaliza.
Com informações: Eutropia Turazi-LDC Comunicação
Foto: Divulgação-Freepik







