Comandos em alemão, treinos e cuidados 24h: ‘tietados’ nas redes, cães farejadores de Viracopos seguem rotina rígida no combate ao tráfico

Imagine uma vaga aberta para cão farejador na Receita Federal.
Requisitos: faro apurado, saúde em dia, instinto de caça aguçado e disposição para treinar todos os dias. Também ajuda conhecer comandos em alemão e lidar bem com a rotina movimentada de um aeroporto internacional.
🐶 Ser fofinho e fazer sucesso nas redes sociais? Não é obrigatório, mas pode ser considerado um diferencial.
No Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), cães treinados ajudam diariamente a Receita Federal na fiscalização de passageiros, bagagens e cargas.
Conhecidos por muitos viajantes que passam pelo terminal e também “tietados” nas redes sociais, os cães participam de operações de combate ao tráfico de drogas e entram em ação sempre que necessário.
Dark, por exemplo, é um dos cães farejadores em atividade no terminal e já acumula 16,8 mil seguidores no Instagram. O perfil é atualizado pelo próprio condutor do animal, que mostra a rotina da dupla, os bastidores dos treinamentos e até curiosidades sobre as apreensões.
“Começou com o Black, que foi o nosso primeiro cão aqui no Aeroporto de Viracopos. A gente sentiu a necessidade de ter esse contato com as pessoas, explicar um pouco mais o trabalho”, explica Cleiber Ferreira, analista tributário da Receita Federal.
Nos comentários, os elogios não param. “Tão lindo fazendo as coisinhas de cachorro dele 💖”, escreveu uma seguidora. “Iti malia! Quem é o policial mais lindo e competente? 🖤”, comentou outra.
Segundo o agente, a presença dos cães também ajuda a tornar as fiscalizações mais leves no aeroporto.
“Quando eu vou fiscalizar a pessoa, ela já se sente incomodada. Agora, se o cão fiscaliza, o humor é outro. A pessoa se sente mais à vontade, acha bonitinho, inclusive”, diz.
Segundo a Receita Federal, os cães farejadores ajudaram a apreender 7.492 kg de drogas no Aeroporto de Viracopos nos últimos quatro anos. Veja o detalhamento abaixo.
Bons de faro
Antes de começar a trabalhar, porém, esses cães passam por uma preparação rigorosa. O treinamento aproveita uma habilidade que os cães já têm naturalmente: o faro extremamente desenvolvido.
Durante o treinamento, o cheiro da droga é associado a uma recompensa, normalmente um brinquedo. Quando o cão identifica o odor específico durante uma busca, ganha o que realmente quer e pode brincar.
“Muita gente pergunta: ‘vocês estão maltratando o cão, vocês estão obrigando ele a trabalhar’. Então, percebam: todo esse trabalho que a gente faz aqui é para um cão que instintivamente é caçador. A gente usa o instinto de caça dele ao nosso favor”, frisa Cleiber.
Para ele, a falta de estímulo poderia ser mais prejudicial para o animal do que a própria rotina de trabalho.
“Quando eu pego esse cão e levo ele para dentro de uma casa, para dentro de um apartamento e não estimulo ele cognitivamente, aí sim eu estou causando maus-tratos para aquele cão, porque eu tiro a função dele no mundo, que é de caçar”, diz.
No aeroporto, os cães seguem uma rotina que inclui horários definidos para alimentação, exercícios, descanso e treinamento. Para garantir que tudo funcione, há uma equipe de tratadores responsável pelos cuidados dos animais 24 horas por dia.
A alimentação é dividida em três momentos ao longo do dia. Entre um passeio e outro, também entram na agenda exercícios físicos, treinos de faro e as próprias operações de fiscalização no aeroporto.




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