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Como lidar com o primeiro namoro do seu filho ou filha

JOSEANE MIRANDA

A “Campanha Criança não Namora, Nem de Brincadeira” viralizou nas redes sociais e tem sido usada por órgãos públicos para reflexão sobre a erotização sexual infantil e também contra um assunto mais grave: a exploração sexual
infantil no Brasil.

Próximo à comemoração do Dia dos Namorados no Brasil o Comando Notícia discute o assunto namoro infantil e de adolescente. O Brasil não tem pesquisas sobre o assunto, mas de acordo com pesquisas da Associação Americana de Pediatria, as meninas começam a namorar em média aos 12 anos e meio e os meninos aos 13.

Pais que estão preocupados com o início da vida afetiva dos filhos devem prontos a dialogar. Essa é a opinião da mestranda em ciências do comportamento, a pedagoga e psicopedagoga, Michelli Freitas. Se seus filhos estão nesta fase da vida é normal surgirem inúmeras dúvidas, medos e muitas vezes o receio de conversar sobre o tema com os próprios filhos, amigos e familiares. Outra situação muito comum é ter reações duras quando as primeiras conversas sobre namoro entram na pauta familiar. Para falar sobre a idade certa de namoro com seu filho não é preciso esperar
sinais.

“É um assunto individual do do ponto de vista do desenvolvimento do indivíduo, e também da cultura da família que não seria correto definir uma idade”, explica a especialista. Antes daquele susto ao simplesmente ouvir palavra namoro a recomendação é para estar aberto a ouvir os filhos sem reservas e procurar compreender o que eles entendem por namoro.

“Muitas vezes a forma do namoro desta idade possui uma conotação diferente de quando eles têm em média 15 ou 16 anos. Talvez a melhor forma antes de se assustar com a palavra namoro de acordo com as conotações e significados
para um adulto, seja contextualizar o que significa o namoro para o adolescente”.

A probabilidade do adolescente se sentir envergonhado para falar sobre relacionamentos nesta época também é grande. Cabe aos pais nutrir o sentimento de confiança e procurar entender através do diálogo aberto o que é
o namoro nesta idade. Será que namorar é lanchar juntos na escola? Passar mais tempo juntos, falar horas no telefone?

Pais também devem levar em consideração ainda os seguintes fatores: há de fato interesse em alguém ou se o filho está somente emitindo um comportamento para acompanhar o resto da turma? É preciso perguntar também se o filho contaria para os pais se algo de errado acontecesse.

“É bom que cada família organize suas regras de acordo com sua cultura e suas normas dentro de casa. É preciso olhar para eles e analisar o grau de maturidade para com os relacionamentos, o grau de responsabilidade e ações para só assim definir uma idade”, diz Michelle.

Criança pede para presentear namorada na escola

Alguns pais de crianças bem pequenas em idade escolar já passaram por um pedido inusitado dos filhos. Próximo à data do Dia dos Namorados são surpreendidos pelo pedido do filho para comprar um presente para a namorada. O que fazer?

A recomendação da especialista é verificar se o presente é apropriado e, principalmente, conversar com a outra família envolvida para certificar-se de que eles aceitam a situação também. “Se a família aceitou a situação, apoie seu filho ou filha, mostre que ele pode confiar em você isso irá fortalecer a situação da família”, opina.

Meu filho já namora

Pais também tem dúvidas e muitas vezes passam sozinhos pela angústia quando descobrem que os filhos estão namorando escondidos. E mais uma vez a palavra-chave é confiança aliada a um conjunto de regras claras e razoáveis do que pode e o que não pode. “E outro ponto muito importante é ser gentil e não desmerecer o namoro, pois esta será a primeira relação intima que o adolescente está tendo com alguém fora da família.”

Ela também recomenda que as conversas devem evitar conflitos ou brigas. “Por ser a fase mais importante para os primeiros ensinamentos, sem pressões excessivas e exageradas que muitas famílias costumam ter sobre sexo e gravidez na adolescência. Educação sexual é com certeza importante, em casa, na escola, porém sem exageros e pressões em cima dos adolescentes.”

Além destas dicas a especialista recomenda que os pais ou responsáveis devem ter atenção especial com os conteúdos vistos pelos filhos nas diferentes mídias. “Com certeza expor crianças, adolescentes a conteúdos impróprios para idade é algo que não há necessidade nem o momento para que essas exposições sejam feitas, e hoje temos uma variedade enorme de canais onde as crianças podem ter conteúdos relevantes para a sua educação. É importante claro demonstrar o que é o amor, o respeito para adequar as conotações de acordo com a idade e o preparo emocional de cada indivíduo”.

fotos: divulgação