Dupla Companhia estreia DESACORDE, fábula musical sobre memória, identidade e pertencimento em Salto (SP) nos dias 15 e 16 de setembro – Comando Notícia
CidadesCulturaSalto

Dupla Companhia estreia DESACORDE, fábula musical sobre memória, identidade e pertencimento em Salto (SP) nos dias 15 e 16 de setembro

Desacorde salto

Dupla Companhia realiza uma curta temporada de estreia de Desacorde, sua primeira criação dedicada ao público infanto-juvenil, em Salto (SP), nos dias 15 e 16 de setembro. As apresentações acontecem na Sala Palma de Ouro, do Teatro Municipal de Salto, na terça-feira, às 20h (para o público em geral), e na quarta, às 9h e às 14h (sessões destinadas prioritariamente a reservas escolares, que também poderão receber o público geral conforme a disponibilidade de ingressos). 

O acesso será realizado por meio de ingresso solidário, retirado na bilheteria uma hora antes de cada apresentação mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível por ingresso. Toda a arrecadação será destinada aos Vicentinos Saltenses. Todas as sessões contam com tradução simultânea para Libras.

O espetáculo fez algumas apresentações lotadas de pré-estréia, na sede da companhia, em Tatuí (SP).

Na Cidade do Tatu que Canta, cada pessoa nasce com um som único. Viola, porém, acredita que a melodia que recebeu é antiga demais para o mundo em que vive. Quando decide abandoná-la para tentar caber no som de todo mundo, uma presença misteriosa ameaça as histórias que mantêm a cidade viva. 

Com dramaturgia inédita de Lucas Moura e direção de Lucas Gonzaga, a montagem acompanha a personagem em sua busca por uma identidade que pareça mais adequada ao presente. O desejo de se transformar ganha outra dimensão quando Artificius chega à cidade oferecendo a promessa de novidade permanente. Pouco a pouco, a tentativa de apagar aquilo que soa antigo compromete a memória coletiva e coloca em risco os vínculos que sustentam o lugar.

A encenação reúne humor, música ao vivo, imagens inspiradas no universo circense e a liberdade inventiva das brincadeiras infantis. A cultura caipira brasileira participa da própria construção do mundo ficcional. Ela surge na musicalidade, nas histórias transmitidas de geração em geração e na cidade imaginária que guarda ecos de Tatuí, reconhecida por sua tradição musical.

Em cena estão Fá BlackGabriela CarrielHugo MunerattoIsmênia Leão e Murilo Juvêncio. A direção musical é assinada por Ernani Maletta, artista e pesquisador reconhecido por seu trabalho com a polifonia cênica e a preparação musical de elencos. As canções originais são de Stela Nesrine.

Quando o desejo de pertencer exige o esquecimento

O centro dramático de Desacorde está no impasse vivido por Viola: como mudar sem romper com aquilo que nos constitui? A personagem teme parecer deslocada em um tempo que valoriza a rapidez, a novidade e a padronização. Artificius percebe essa insegurança e oferece uma resposta sedutora: substituir o som herdado por uma versão capaz de agradar a todos.

A fábula trata a memória como uma prática viva. As lembranças da cidade dependem das pessoas que as cantam, repetem, modificam e compartilham. Quando esses sons desaparecem, o território perde referências e a comunidade deixa de reconhecer a própria história. A peça leva essa questão ao público infantil por meio da aventura, da comicidade e do encantamento, sem reduzir o conflito a uma lição pronta.

A pergunta que acompanha Viola também alcança crianças e adultos: o que acontece quando alguém desiste do próprio som para tentar caber no som de todo mundo? A resposta da montagem valoriza a convivência de diferenças e sugere que pertencimento nasce quando uma comunidade consegue ouvir suas múltiplas vozes.

Uma criação feita para ser escutada

A música ocupa função dramatúrgica e organiza o percurso das personagens. Vozes, ritmos e timbres constroem a Cidade do Tatu que Canta e tornam audível o conflito da narrativa. O trabalho conduzido por Ernani Maletta parte da presença musical do elenco e transforma cada intérprete em agente da paisagem sonora da peça.

A cenografia de Lucas Gonzaga e Flávio Pires evoca um parque de brincadeiras e oferece ao elenco um espaço em constante transformação. Os figurinos de Nilo Mendes, o visagismo de Claudinei Hidalgo e a iluminação de Dara Duarte expandem a lógica fantástica da cidade. A preparação corporal é de Rayssa Francesconi.

Uma nova obra na trajetória da Dupla Companhia

A estreia de Desacorde abre uma nova etapa na pesquisa da Dupla Companhia e marca sua primeira criação dedicada ao público infantojuvenil. Sediado em Tatuí, o grupo completa sua primeira década de atuação em 2026 e desenvolve obras orientadas por três eixos: memória, território e identidade.

O espetáculo passa a integrar a Trilogia Memória, formada também por As Três Marias e Nise em Nós – uma ode ao delírio. Cada montagem observa a memória a partir de uma experiência distinta: a família, a saúde mental e a infância. Juntas, as obras investigam como as lembranças participam da formação das pessoas e das comunidades.

Reconhecida como Melhor Companhia de Teatro no 24º Prêmio Cenym, em 2025, a Dupla já apresentou seus trabalhos em mais de 50 cidades. Seu repertório inclui ainda Esperando GodotAlma PuerilÍcarosLaudelina e Por Trás do Céu. A companhia mantém em Tatuí um Centro de Difusão, Criação e Produção Cultural, dedicado à criação artística, à formação e ao encontro com a comunidade.

Sinopse

Na encantada Cidade do Tatu que Canta, cada pessoa nasce com um som único. Viola, porém, acredita que a melodia que herdou é antiga demais para o mundo em que vive. Enquanto procura um jeito de se tornar outra pessoa, uma presença misteriosa transforma o destino da cidade e ameaça as histórias que fazem daquele lugar um território vivo. Com humor, música e uma estética inspirada no universo circense e nas brincadeiras infantis, Desacorde convida crianças e adultos a refletirem sobre pertencimento, diversidade e o valor de escutar o próprio som. Uma fábula musical sobre o medo de parecer deslocado em um mundo que muda depressa, guiada por uma pergunta: o que acontece quando alguém desiste do próprio som para tentar caber no som de todo mundo?

Ficha Técnica

Elenco: Fá Black, Gabriela Carriel, Hugo Muneratto, Ismênia Leão e Murilo Juvêncio

Texto inédito: Lucas Moura

Direção e Adaptação: Lucas Gonzaga

Direção e dramaturgia musical e orientação cênica: Ernani Maletta

Ensaiador musical: Fábio Silva

Músicas: Stela Nesrine

Visagismo: Claudinei Hidalgo

Assistente de Visagismo: Pedro Torriani

Iluminação: Dara Duarte

Assistente de Iluminação: Giuseppe Tomazela

Figurinista: Nilo Mendes

Assistente de Costura: Arthur Trindade

Pintura dos Figurinos: Kofa Vitos

Preparação Corporal: Rayssa Francesconi

Cenografia: Lucas Gonzaga e Flávio Pires

Assistente de Cenografia: Hugo Muneratto

Pintura Sol e Lua: Jamaira Pacheco e Santiago Panichelli

Sonorização: Kleber Marques

Microfonista: Camila Cruz

Fotografia: Gabriel Silva

Audiovisual: Renan Mansur

Áudio e mixagem: Naamã Maragno

Idealização e Direção de Produção: Lucas Gonzaga

Coordenação de Produção e Articulação Social: Lu Busquets

Produção Executiva: Jaque Rodrigues

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Intérpretes de Libras: Viviane Maciel e Bárbara Sousa

Audiodescrição: Kelly Amaral de Alcântara

Contabilidade: WIN Contábil

Produção Original: Dupla Companhia

Programa do Espetáculo: https://heyzine.com/flip-book/6acb545d5b.html

Desacorde é uma realização da Dupla Companhia em parceria com o Ministério da Cultura do Governo Federal e a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, por meio do Fomento CultSP e da Política Nacional Aldir Blanc.

Serviço

Desacorde, da Dupla Companhia

Apresentações: 15 e 16 de setembro de 2026

Horários: dia 15, às 20h; dia 16, às 9h e às 14h. 

Local: Sala Palma de Ouro | Teatro Municipal de Salto

Endereço: Rua Prudente de Moraes, 580, Centro – Salto/SP

Ingressos: ingresso solidário, com doação de 1 kg de alimento não perecível por ingresso; retirada na bilheteria uma hora antes de cada apresentação

Arrecadação: os alimentos serão destinados aos Vicentinos Saltenses

Classificação: Livre

Acessibilidade: todas as sessões contam com tradução simultânea para Libras

Com informações: Douglas Picchetti