Emagreceu, mas a celulite continua? Estruturas sob a pele ajudam a explicar por quê

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Imagine um ponto da pele sendo tracionado para baixo
A gordura subcutânea está organizada em compartimentos atravessados por estruturas de tecido conjuntivo.
Em determinadas áreas com celulite, a interação entre esses septos, a gordura e a pele pode criar uma diferença de forças: enquanto o tecido ao redor se projeta, alguns pontos permanecem tracionados para baixo, produzindo externamente o aspecto de depressão.
Estudos utilizando ressonância magnética já encontraram associação entre depressões visíveis da celulite e características dos septos fibrosos localizados abaixo delas.
Isso, porém, não significa que toda celulite seja causada exclusivamente pelos septos.
A celulite é multifatorial. Arquitetura do tecido conjuntivo, distribuição do tecido adiposo, espessura e qualidade da pele, envelhecimento e características individuais também participam de sua aparência.
E essa distinção é fundamental porque componentes diferentes podem exigir estratégias diferentes.
Por isso mulheres magras também podem ter celulite
Celulite não é sinônimo de excesso de peso.
A condição é extremamente comum e estudos estimam que esteja presente em aproximadamente 80% a 90% das mulheres após a puberdade, em diferentes graus.
O aumento do tecido adiposo pode deixar determinadas irregularidades mais aparentes, e mudanças de composição corporal podem melhorar o contorno. Isso é diferente, entretanto, de afirmar que a gordura é a única causa.
Quando uma depressão possui importante componente de tração fibrosa, simplesmente diminuir o volume de gordura ao redor pode não ser suficiente para modificar aquela ancoragem.
Por isso, segundo Matheus, a avaliação precisa identificar qual componente está predominando naquele corpo.
“Eu preciso entender o que estou vendo. É uma depressão localizada? Existe flacidez associada? Há alteração de volume, gordura localizada ou mudança na qualidade da pele? Esses componentes podem coexistir, mas não são a mesma coisa. Quando tudo recebe simplesmente o nome de celulite, corremos o risco de tratar estruturas diferentes da mesma maneira.”
Essa diferença também ajuda a explicar por que duas mulheres com aparências aparentemente semelhantes podem responder de formas bastante distintas ao mesmo tratamento.
Quando a depressão está relacionada aos septos, existe uma abordagem direcionada
Em casos selecionados, uma das possibilidades utilizadas para depressões relacionadas à tração dos septos fibrosos é a subcisão.
A proposta é atuar especificamente sobre as estruturas responsáveis pela ancoragem de determinadas depressões, em vez de tratar indiscriminadamente toda a superfície da região.
Mas isso não significa que toda irregularidade seja indicação para esse tipo de abordagem.
Depressões localizadas, flacidez, alterações da qualidade da pele, excesso de tecido adiposo e irregularidades difusas podem representar mecanismos diferentes e frequentemente aparecem simultaneamente na mesma paciente.
É por isso que uma abordagem individualizada ganha importância.
O “furinho” pode ser apenas a parte visível do problema
Uma paciente pode apresentar depressões relacionadas predominantemente aos septos e boa qualidade de pele. Outra pode apresentar flacidez importante. Outra pode ter mudanças de volume e composição corporal associadas.
E muitas apresentam vários desses fatores ao mesmo tempo.
Por isso, o tratamento que funcionou para uma amiga, influenciadora ou outra paciente vista nas redes sociais não necessariamente é aquele indicado para outro corpo.
Procedimentos que atuam mecanicamente nos septos também possuem possíveis efeitos adversos, entre eles hematomas, edema e sensibilidade, e sua indicação e execução devem ser individualizadas.
Além disso, a expectativa precisa ser adequada: tratar um dos componentes da celulite não significa necessariamente tratar todos eles.
“Quando uma mulher aponta para um ‘furinho’, ela está mostrando na superfície o resultado de estruturas e forças que estão abaixo dela. A avaliação não deveria começar escolhendo um aparelho ou procedimento. Deveria começar tentando entender por que aquela pele está assumindo aquele formato e quais componentes realmente precisam ser abordados.”
Durante muito tempo, muitas mulheres interpretaram a celulite simplesmente como gordura que não conseguiram perder.
A anatomia mostra que a história é mais complexa.
Às vezes, o número na balança muda, mas a estrutura responsável por determinada depressão continua ali.
Com informações: Roneia Forte Assessoria







