Emagrecimento acelerado por canetas emagrecedoras já representa 30% da demanda por cirurgia plástica, afirma médico

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O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como o Mounjaro ou Ozempic, tem redesenhado o perfil dos pacientes que chegam aos consultórios de cirurgia plástica. Segundo o cirurgião plástico Dr. Luiz Haroldo Pereira, membro e ex-presidente da SBCP, houve uma mudança evidente no tipo de demanda e nos cuidados necessários antes de qualquer procedimento. De acordo com o médico, a principal diferença está na velocidade da perda de peso. “Se a perda for muito rápida, vai ter uma maior flacidez. Com maior flacidez, vai ter que ter ressecção de pele em maior quantidade”, afirma. A perda acelerada de 10, 15 ou até 20 quilos, comum entre pacientes que utilizam as chamadas “canetinhas” para controle de peso, pode gerar um excesso de pele mais significativo do que aquele observado em processos mais lentos, acompanhados de dieta equilibrada e exercício físico. “O perfil mudou muito. Os pacientes agora têm uma flacidez maior. Quando é um emagrecimento mais lento, com exercício, é menos complicado do ponto de vista de desproteinização”, explica o médico. Segundo Luiz Haroldo, muitos desses pacientes antes seriam candidatos à cirurgia bariátrica. Agora, chegam ao consultório após emagrecerem apenas com medicação, mas ainda assim, a nova realidade exige avaliação criteriosa. Risco de sarcopenia e déficit de cicatrização Um dos pontos de atenção é a possibilidade de sarcopenia, condição caracterizada pela perda de massa e força muscular. O uso desses medicamentos deve estar associado a exercícios físicos e reposição proteica adequada. Antes de qualquer cirurgia, o médico reforça a necessidade de exames laboratoriais para avaliar proteínas totais e frações. “Se o paciente estiver com baixa de proteína, o cirurgião tem que impedir. Se estiver desequilibrada, você vai ter um pós-operatório mais complicado, com déficit de cicatrização.” A desnutrição proteica pode comprometer a recuperação, aumentar os riscos de infecção e dificultar a cicatrização adequada dos tecidos. Quais cirurgias são mais procuradas? Segundo o Dr. Luiz Haroldo, três áreas concentram a maior procura entre pacientes que emagreceram com medicação:
“A face perde muita gordura. A mama também fica mais flácida, o abdômen. Então a procura maior é por abdominoplastia, lipoaspiração e cirurgia plástica de face”, detalha. Ele estima que cerca de 30% dos pacientes atuais do consultório estejam usando Mounjaro ou medicamentos semelhantes. Atenção com a anestesia Outro ponto crítico envolve o preparo para a cirurgia. De acordo com o cirurgião, é necessário suspender o uso do medicamento pelo menos duas semanas antes do procedimento. “Para fazer qualquer tipo de cirurgia, eles teriam que dar pelo menos duas semanas sem uso, para que não haja problema na anestesia. O que acontece com esses produtos é que a eliminação gástrica fica mais demorada. Com retenção gástrica, o paciente pode vomitar durante a indução anestésica e ter complicações.” A lentificação do esvaziamento do estômago aumenta o risco de aspiração pulmonar durante a anestesia, o que pode trazer consequências graves. Novo paciente, novos protocolos Para o médico, a chegada desse novo perfil de paciente exige adaptação e protocolos mais rigorosos. “São pacientes diferentes chegando agora ao consultório. E com isso a gente já consegue ter uma experiência para tratar esse novo tipo de paciente.” A combinação entre emagrecimento medicamentoso e cirurgia plástica pode ser segura, desde que haja acompanhamento médico, controle nutricional e planejamento adequado do procedimento. Sem esses cuidados, o que começou como solução estética pode se transformar em risco desnecessário. Com informações: Natálie Iggnacio |







