Cidades

Enem em Indaiatuba tem estudantes atrasados e reclamações sobre o tema da redação

HUGO ANTONELI JUNIOR

INDAIATUBA – Começava a garoar fino na tarde deste domingo (5) quando os primeiros estudantes saíam dos locais de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). E a análise deles sobre as questões de humanas e do tema de redação não foram nada positivas.

De acordo com funcionários das faculdades Max Planck e Anhanguera, dois dos pontos onde havia mais estudantes na cidade, houve pelo menos cinco estudantes que chegaram após o fechamento dos portões. “Teve uma que entrou com o portão fechando já”, disse uma testemunha.

Uma candidata saiu chorando da Anhanguera, pois o celular tocou durante o exame, o que é proibido. Outro, esqueceu o RG e acabou desistindo de fazer. Ao todo, de acordo com o Inep 5.883 pessoas se inscreveram para fazer a prova em Indaiatuba.

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Diemerson Wender, estudante de direito, anotou o tema da redação na palma da mão

Um dos primeiros a sair da Max, o estudante de Direito Diemerson Wender, de 22 anos, criticou o exame. “É uma vergonha. O governo cobra uma coisa na prova que não ensina. Quando eu fiz em 2014, tirei 800 e agora não devo chegar nem a 300”, conta. “E olha que eu já sou universitário. A linguagem e a quantidade de questões e de textos é muito cansativo”, prossegue, mostrando a mão escrita com o tema da redação.

O tema da redação deste ano foi relacionado aos desafios da formação educacional de surdos. “Eu usei o meu conhecimento de legislação, mas acho que muita gente não sabe nada sobre o assunto”, analisa. É o caso de Camila Fisher, do Cidade Nova. “Eu quero fazer Comércio Exterior, mas sou ruim de redação. Fui muito pelo tema e o que a gente visa no país, mas não sou boa nisso.”

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Aline Marques, de 19 anos, achou a prova bem cansativa

Aline Marques, de 19 anos, estudante de Enfermagem na Anhanguera, se queixou da duração da prova. “Duas horas é pouco para fazer tudo, mas cinco, é muito. Eu escrevi que deveria ter mais profissionais capacitados em escolas públicas para que eles não sejam excluídos da sociedade. Mas achei a prova bem cansativa”, diz.

Rafaela de Araújo, de 18 anos, moradora do Jardim Nely, concorda. “A prova estava mais ou menos, mais para difícil, muito difícil. A redação eu não sei praticamente nada porque não tem, por exemplo, na escola isso, nem pessoas surdas também. Se não tiver alguém da família, a gente não sabe nada, nunca espera um tem como este”, avalia a futura estudante de Veterinária.

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Estudante foi um dos primeiros a sair da faculdade Max Planck

Espera e negócios

Um dos únicos carros parados em frente à Max antes do horário de saída, dona Catarina Lozani, de 55 anos, estava esperando a filha, de 15 anos, que está fazendo a prova para testar. “Como ela termina no ano que vem o Ensino Médio, está fazendo para ver como é”, contou, ao lado da cachorrinha Anitta. “Ela falou que ia sair 15 horas, mas pelo jeito é depois. Eu estou aqui antes e resolvi esperar”, diz.

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Dona Catarina e a cachorrinha Anitta esperavam pela futura estudante de arquitetura

“Ela quer cursar arquitetura, mas espero que repense. Porque o mercado nesta área não me parece muito vasto. Por outro lado, se você prestar vestibular para algo que não gosta, fatalmente não vai levar até o final”, encerra, jurando que a filha é boa aluna. “Até estranhei ela não ter saído ainda”, afirma, sob a concordância de Anitta.

Embaixo de uma tenda, o casal Ana Paula e Carlos Adriano, conhecido como Pitico, esperavam os alunos para vender cachorros quentes. “No ano passado as vendas foram boas”, diz ela. “Vendemos 120, em média, por dia. Esperamos que seja uns 100 neste ano, mas, com esse tempinho de chuva, não vamos passar de 25”, prevê.

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Ana Paula e Carlos vendem cachorros quentes na porta da faculdade

O casal frequenta a porta da faculdade há quatro anos. “Em tempos bons vendíamos mais de 35 por dia, mas hoje é mais ou menos 18. Muitos estudantes não tem dinheiro, as coisas foram piorando”, encerra.

A Polícia Militar é a responsável pela escolta das provas para Campinas. Duas viaturas chegaram à faculdade Anhanguera enquanto a reportagem estava no local.

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Policiais chegaram por volta das 16h30 para fazer, mais tarde, a escolta das provas

Primeiro dia do Enem

A diretora de Gestão e Planejamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Eunice Santos, afirmou neste domingo (5) que os dados preliminares apontam que 30,2% dos candidatos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017 não compareceram ao primeiro dia de provas. Segundo ela, esse percentual ficou dentro da média dos últimos anos.

Dos 6.731.344 inscritos, 2.033.590 se ausentaram nesse primeiro dia. Eunice Santos ponderou, no entanto, que esse número poderá sofrer mudanças já que os dados ainda estão sendo copilados.

Segundo o Inep, 273 participantes foram eliminados no primeiro dia do Enem. Desses, 264 foram desclassificados por descumprimento de regras gerais do edital e 9, por terem algum equipamento identificado pelo detector de metais. Na edição do Enem do ano passado, houve 3.942 eliminações no primeiro dia de prova.

Fotos: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia