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Falando de cinema: Arlequina e as Aves de Rapina e dois candidatos ao Oscar estreiam

MARCOS KIMURA*

Semana passada este crítico e o colega Fabio Alexandre gravamos um vídeo com nossos palpites para o Oscar. Agora, às vésperas do Oscar, dois indicados a categorias importantes chegam a Indaiatuba: “JoJo Rabbit”, que concorre a seis estatuetas; e “Judy – Muito além do arco-íris”, que tem a favoritíssima ao prêmio de Atriz, Renée Zellweger. Mas o filme que deve chamar mais a atenção do público em geral é “Aves de Rapinas: Arlequina e sua emancipação fantabulosa”, com Margott Robbie de volta ao papel que a tornou umas das favoritas dos cosplayers.

Ela se junta a Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell, de “True Blood”), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead, de “Rua Cloverfield 10”), Cassandra Cain (Ella Jau Basco) e a policial Renée Montoya (Rosie Perez, indicada ao Oscar por “Sem medo de viver”) formam um grupo inusitado de heroínas, que enfrentam o criminoso Máscara Negra (Ewan McGregor, de “Transpotting” e “Doutor Sono”). A diretora é a quase estreante Cathy Yan.

Se “Esquadrão suicida” não foi nenhuma maravilha, pelo contrário, a Arlequina de Margot Robbie não apenas saiu ilesa do desastre como se tornou uma das caras da nova DC. Era necessário, 1) dar um novo filme a ela e 2) desvinculá-la do Coringa de Jared Lehto, que se já havia sido mal- na época, que dizer depois de Joaquin Phonix? Com seu peso de estrela do show, Margot não apenas estrela, como é uma das produtoras do filme e interferiu tanto no roteiro como na escolha do elenco, priorizando a sororidade e a diversidade (pena primeira vez a Canário Negro será negra: sempre foi loira).

As Aves de Rapina, por outro lado, já tiveram até um seriado de TV mal-sucedido, que aqui ganhou o título de “Mulher-Gato”, apesar da namorada do Batman não ser parte da equipe. Mesmo com apenas uma temporada, a Barbara Gordon e a Caçadora do programa foram lembradas no recente cross-over “Crise das infinitas Terras”, que abrangeu as principais séries da DC/CW.

O azarão do Oscar

As seis indicações de “Jojo Rabbit” aos prêmios da Academia de Hollywood surpreendeu muita gente, incluindo a distribuidora brasileira, que está lançando o filme só agora, depois que ele já saiu em Blu-Ray ms EUA. Só que a uma semana do Oscar, ele foi de azarão a favorito à estatueta de Roteiro Adaptado, após levar o prêmio do Sindicato dos Roteiristas, os mesmo que votam na Academia.

Durante a II Guerra Mundial, Jojo (Roman Griffin Davis) é um menino alemão de 10 anos, que trata Adolf Hitler (o próprio diretor Taika Waititi) como um amigo imaginário. Seu maior sonho é participar da Juventude Hitlerista. Um dia, Jojo descobre que sua mãe (Scarlett Johansson, indicada a Coadjuvante) está escondendo uma judia (Thomasin McKenzie) no sótão de casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o garoto começa a desenvolver empatia pela nova hóspede.

O argumento algo bizarro é uma especialidade de Waititi, que certamente ganhou luz verde para realizá-lo depois que entrou para o primeiro time de Hollywood com “Thor Ragnarok”. No elenco também estão Sam Rockwell (“Três anúncios para um crime”) e Rebel Wilson (“Como ser solteira”).

Muito além do Kansas 

A temporada de prêmios tem sido um grande retorno para Renée Zellweger, que viveu um inferno astral pessoal e profissional nos últimos anos. Sua interpretação de Judy Garland nos anos finais vem sendo visto como um paralelo de sua própria vida e carreira. Com a diferença que, para a estrela de “O Máico de Oz”, não houve redenção.

Com a carreira em baixa no final dos anos 60, Judy Garland (Renée Zellweger) aceita fazer uma turnê em Londres, por mais que tal trabalho a mantenha afastada dos filhos menores. Na capital britânica, ela enfrenta a solidão e os velhos problemas com álcool e remédios, mas dando tudo de si para manter a mística de estrela. A direção é de Rupert Goold (“A história verdadeira”) e o elenco traz ainda Jessie Bickley (“As loucuras de Rose”), Rufus Sewell (“O Ilusionista”) e Michel Gambon (o Dumbledore de “Harry Potter”).

A ironia é que, se acontecer uma zebra e Renée perder o Oscar no próximo domingo, acabará repetindo a própria Judy Garland, que era favorita para o prêmio de 1955 por “Nasce uma estrela” e acabou perdendo para Grace Kelly em “Amar é sofrer”. A decepção só não foi maior porque ela não compareceu à cerimônia por estar em trabalho de parto de seu terceiro filho, Joey. Único homem de sua prole, ela dizia que ele era o melhor prêmio que ela poderia ganhar naquela noite.

Os miseráveis de hoje

O cartaz da Sessão Lumière desta semana é “Os miseráveis”, de Ladj Ly, um dos finalistas ao Oscar de Filme Internacional. Inspirado em um curta do próprio Ly, conta a história de Stéphane (Damien Bonnard), um jovem que acaba de se mudar para Montfermeil e se junta ao esquadrão anti-crime da comuna. Colocado no mesmo time de Chris (Alexis Manenti) e Gwada (Djibril Zonga), dois homens de métodos pouco convencionais, ele logo se vê envolvido na tensão entre as diferentes gangues do local. O pano de fundo são as tensões sociais que abalaram a França nos últimos anos, sob o provocativo título da obra-prima de Victor Hugo. As sessões no Topázio do Polo Shopping serão quinta-feira, dia 6, às 19h30, e domingo, às 13h40.

Cineclube

O Cineclube Indaiatuba exibe na próxima terça, dia 11, a produção húngara “Aqueles que ficaram”, de Barnabás Toth. Na Húngria, após o fim da Segunda Guerra Mundial, uma nação de sobreviventes do Holocausto tenta se curar através do amor. Em meio ao conflito nacional e ao trauma, um médico de meia idade e uma jovem menina na esperança de um retorno dos familiares perdidos em campos de concentração formam uma conexão e ajudam um ao outro a retomar suas vidas. Após a exibição, haverá bate-papo com o público. O filme será reprisado no sábado, dia 15, em horário ainda a ser definido.

*Marcos Kimura é jornalista e curador do Cineclube Indaiatuba (SP).

fotos: reprodução