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Falando de cinema: Novos Exterminador e Família Addams são os lançamentos da semana

MARCOS KIMURA*

“Exterminador do Futuro 6: Destino Sombrio” e “A Família Adams” (em animação) são as novidades da semana nos cinemas de Indaiatuba. Após 18 anos, James Cameron recuperou os direitos da franquia que o fez entrar para a elite de Hollywood e produz este sexto filme “Terminator”, ignorando os números 3, 4 e 5.

Juntamente com Cameron, quem está de volta é Linda Hamilton, no papel icônico de Sarah Connor. Desta vez, ela e Grace (Mackenzie Davis, de “Perdido em Marte”), uma cyborg, protegem a menina Dani (a colombiana Natalya Reyes, do ótimo “Pássaros de Verão”, exibido no Cineclube Indaiatuba) de um novo exterminador de metal líquido (Gabriel Luna, o Motoqueiro Fantasma de “Agents of Shield”).

Num desses ataques, quem surge para salvar o dia? Sim, o Governator Arnold Schwarzenegger em seu papel mais famoso. A concepção de James Cameron do filme original de 1984 se antecipava a “De volta para o Futuro” (que é de 1985) e se encaixava no clima pós-apocalíptico que dominava a década (“Mad Max II”, “O Dia seguinte”, “Blade Runner”). Schwarzenegger já tinha sido “Conan” e até “Hércules”, mas é sua atuação robótica como o Exterminador que o alavancou para se tornar um dos maiores actions heroes de todos os tempos.

Seis anos depois, Cameron e Arnold já estavam em outro patamar na indústria, mas aquele filme quase B foi crescendo nas avaliações dos críticos e no afeto dos fãs. “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final” ganhou orçamento de 100 milhões de dólares (um recorde na época) e uma parceria com o Guns N’ Roses, que não apenas pos “You could be mine” na trilha sonora como ainda fez um clipe da música com cenas do filme. O resultado foi a maior bilheteria de um ano que teve “A Bela e a Fera”, “O Silêncio dos Inocentes”, Robin Hood”, “Caçadores de Emoção” e “Thelma & Louise”.

Após o megassucesso, Cameron se desinteressou pela franquia, partindo para novos desafios, como “True Lies”, em 1994, e culminaria a década com “Titanic”. Mas para os demais envolvidos, era muito dinheiro para deixar na mesa. Foram três filmes – em 2003, 2009 e 2015 – absolutamente esquecíveis e que cada vez mais bagunçavam a ideia original de 1984. O que esperar da volta de Cameron e Linda Hamilton à franquia? Só saberemos assistindo.

 

Familia Adams

A “Família Addams” foi criada em 1938 por Charlei Addams como uma série de cartuns para a revista The New Yorker. A gótica família virou seriado cômico nos anos 60, tendo como concorrente uma espécie de cópia, “Os Monstros”, que, pelo menos no Brasil, fez mais sucesso.

Apesar de ter durado apenas duas temporadas, os personagens e seus interpretes originais fizeram diversos especiais e participações como convidados ao longo dos anos. Após uma aparição num episódio de Scooby-Doo, a “Família Addams” ganhou seu próprio desenho animado dos estúdios Hannah-Barbera, que fez sucesso no Globo Cor Especial.

Mas o retorno triunfal foi mesmo no longa-metragem de 1991, dirigido por Barry Sonnefeld e com inesquecível elenco encabeçado por Raul Julia, Angelica Huston, Christina Ricci e Christopher Lloyd, que ganharia uma sequência com mesmo elenco e diretor, em 1993.

Esta nova produção, envolve a mudança da família para uma vizinhança de subúrbio, com os inevitáveis conflitos entre os gostos macabros dos Addams e a classe média brega americana. Tem as vozes de diversos nomes famosos de Hollywood, mas que vocês não ouvirão porque vão assistir a versão dublada em português. Em compensação, a dupla de diretores, Greg Tierman e Conrad Vernon, tem no currículo o infame “Festa da Salsicha”, o que pode indicar alguma ousadia. O trailer, pelo menos, é divertido.

Sessão Cult

O cartaz da Sessão Cult da próxima terça-feira, dia 5, é “A Música da Minha Vida”, de Gurinder Chadra, diretora de “Driblando o Destino”, filme que lançou Keira Knightley em 2002. Em Luton, Inglaterra, 1987. Javed (Viveik Kalra) é um adolescente de ascendência paquistanesa, que nasceu na Grã-Bretanha após seus pais migrarem para o país.

Proibido pelo pai (Kulvinder Ghir) de ter uma namorada e até mesmo a ir em festas, ele se sente acuado em uma vida que se limita a ir de casa para o colégio, e vice-versa. Um dia, um amigo do colégio (Aaron Phagura) lhe dá duas fitas cassete de álbuns de Bruce Springsteen. Javed começa a ouvi-las e logo se identifica com as canções, que o estimulam a lutar pelo que deseja.Se você reconehcer alguém no elenco, deve ser Dean-Charles Chapman, o Tommen Baratheon de “Game of Thrones”.

É curioso que, no mesmo ano, dois filmes britânicos abordem a música pop como motivação para mudar vidas, o outro sendo “Yesterday”, com a assinatura muito mais badalada de Danny Boyle e tendo os muito mais famosos The Beatles como trilha sonora. No entanto, a crítica estrangeira e brasileira resgou a seda para esta produção, usando termos como “humano”, “contagiante”, “Irresistível” e com “cenas arrepiantes”.

PALAVRA-CHAVE: Arnold Schwarzenegger

*Marcos Kimura é jornalista e curador do Cineclube Indaiatuba (SP).

fotos: reprodução/divulgação