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Falando de cinema traz dicas de filmes e séries na Netflix

por MARCOS KIMURA*

Por causa das medidas profiláticas contra a expansão do coronavírus, os Cinemas Topázio decidiram fechar por um mês. Com todo mundo em casa, o negócio é maratonar a Netflix, mas o que tem de bom no maior serviço streaming do mundo? Em matéria de cinema, se você ainda não viu os lançamentos exclusivos da plataforma indicados ao Oscar, a hora é agora. Sobre “O Irlandês”, de Martin Scorcese, leia crítica em minha página no Facebook. Sobre “História de um Casamento, de Noah Baumbach, o link é este.

A terceira produção original da Netflix indicada a Melhor Filme este ano foi “Dois Papas”, do brasileiro Fernando Meirelles, que teve ainda indicações para Jonayhan Pryce para Ator e Anthony Hopkins para Ator Coadjuvante. Pryce interpreta seu segundo grande argentino na carreira (o primeiro foi Juan Domingo Peron em “Evita”), Jorge Mario Badeglio, ou papa Francisco I; enquanto Hopkins é seu antecessor, Joseph Ratzinger, ou Bento XVI. Em encontros fictícios, os dois Sumo Pontífices vivos (algo inédito na longa história do Catolicismo) debatem suas visões de mundo. Igreja e cristianismo, em diálogos vívidos valorizados por dois extraordinários atores. Há quem duvide que Deus é brasileiro, mas o diretor do longa é, então a narrativa não poderia deixar de acabar em futebol.

Animações e documentário

Duas animações da Netflix também foram indicadas ao Oscar, a instigante “Perdi meu corpo”, do francês Jeremy Caplan, com roteiro de Guillaume Laurant, de “O fabuloso destino de Amelie Poulin”; e o natalino “Klaus”, de Sergio Pablos e Carlos Martinez Lopez. O primeiro é uma surreal jornada de um braço amputado em busca do seu dono, o adolescente Naofeul, na Paris contemporânea; e o segundo, uma história de origem de ninguém mais, ninguém menos, que Papai Noel.

Se nenhum dos indicados na ficção ganhou nada, na categoria Documentário a Netflix levou o grande prêmio com “Indústria Americana”, de Steven Bognar e Julia Reichert. Conta a história de uma velha planta da GM comprada por um bilionário chinês para fabricar vidro automotivo, empregando cerca de dois mil americanos, a maioria deles ex-trabalhadores da decadente gigante americana. Apesar da história ser real, acaba sendo uma fábula sobre o capitalismo atual e o choque de culturas produtivas. Para muitos, a melhor coisa do longa foi ter derrotado “Democracia em Vertigem” na disputa pela estatueta. Se você for ver por causa disso, vai se decepcionar: é quase tão “comunista” quanto Petra Costa. Aspas irônicas.

Explicando a pandemia

Se você quiser entender porque o coronavírus provocou toda essa movimentação ao redor do planeta, apesar do número de vítimas distante, por exemplo, da grupe espanhola, assista o episódio “A próxima pandemia” da docusérie “Explicando”, disponível na Netflix. É o quarto episódio da segunda temporada, lançada no ano passado, e mostra que os protocolos atuais foram definidos pela pandemia do SARS, em 2002, que atingiu vário países em semanas, e só não foi mais grave porque o vírus acabou morrendo sozinho. E olhe que, na época, foram menos de mil mortos, mas a rapidez da contaminação fez com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) criasse os procedimentos que agora estão sendo aplicados. Trailer em inglês:

*Marcos Kimura é jornalista e curador do Cineclube em Indaiatuba (SP).

foto: divulgação