
A escalada da violência contra as mulheres fez crescer no país a procura delas por aulas de defesa pessoal, como jiu-jítsu e krav magá, de acordo com levantamento realizado pela Maximum Boxing, empresa especializada em equipamentos esportivos. Segundo os dados do estudo recentemente divulgado, somente no último ano houve um crescimento de 23% no interesse de mulheres por esse tipo de modalidade.
“Infelizmente acompanhamos casos diários de violência contra as mulheres e os números só crescem. Em 2025, foram 1.568 vítimas de feminicídio, maior número da série histórica. A falta de capacidade do poder público em frear esse fenômeno justifica a procura e necessidade de mulheres em aprender a se defender por conta própria”, afirma Maira Bandeira, presidente do instituto que leva seu nome, e que oferece aulas de defesa pessoal para mulheres e crianças.
Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência, apontam que uma em cada três brasileiras relatou ter vivido alguma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. Outros 29% relataram situações concretas de agressão, mas não as identificaram como violência doméstica ou familiar.
Maira conta que, além de aprender as técnicas de defesa pessoal, o instituto também oferece para as vítimas de violência física, psicológica ou sexual apoio de especialistas. “Temos uma rede de parceiros formada por advogados e psicólogos que garantem todo o suporte necessário para que as vítimas possam enfrentar e a lidar com essas situações”, explica a presidente do instituto, que é faixa preta em Jiu-Jitsu.
O Instituto Maira Bandeira foi fundado em São Paulo em 2015 e realiza diversas ações voltadas à segurança feminina. Além das aulas de defesa pessoal e do apoio psicológico e jurídico, Maira também realiza workshops e palestras pelo país. “Nosso trabalho já impactou mais de 20 mil pessoas. É válido que as mulheres aprendam a se defender, mas nossa principal luta é que o uso desse conhecimento seja cada vez menos necessário”, conclui a presidente do instituto.
São Paulo – O Estado concentra os números de casos de violência contra a mulher no país, principalmente no interior, segundo levantamento da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Entre janeiro e junho deste ano, foram registrados 97 feminicídios no interior, contra 24 na Capital. Já as tentativas de homicídio chegaram a 372 registros no interior, e 142 na capital. Por fim, casos de lesão corporal dolosa, cerca de 20 mil no interior e 9 mil na capital.
Com informações: Marco Paulo Ferreira





