Fones de ouvido e música alta colocam mais de 1 bilhão de jovens em risco de perda auditiva – Comando Notícia
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Fones de ouvido e música alta colocam mais de 1 bilhão de jovens em risco de perda auditiva

Happy beautiful brunette girl dancing and listening music in wireless headphones, holding smartphone
Happy beautiful brunette girl dancing and listening music in wireless headphones, holding smartphone.

Ouvir música, assistir a vídeos, jogar ou acompanhar podcasts com fones de ouvido faz parte da rotina de adolescentes e jovens. O problema não está no uso do fone em si, mas na combinação entre volume elevado, tempo prolongado e frequência de exposição ao som.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos estão em risco de desenvolver perda auditiva permanente devido à exposição recreativa a sons intensos, incluindo o uso inadequado de dispositivos pessoais de áudio e a permanência em ambientes com música amplificada em níveis elevados.

Uma revisão sistemática publicada na revista científica BMJ Global Health estimou que 23,81% dos adolescentes e jovens adultos estão expostos a práticas inseguras de escuta por meio de dispositivos pessoais, como smartphones e fones de ouvido. Em ambientes de entretenimento, como shows, bares e casas noturnas, a estimativa chegou a 48,20%. Os números representam exposição a níveis potencialmente prejudiciais, e não a proporção de jovens que já apresentam perda auditiva.

O dano pode ser permanente

No ouvido interno está a cóclea, que possui células sensoriais responsáveis por transformar os sons em sinais enviados ao cérebro. A exposição repetida a sons excessivamente intensos pode danificar essas células. Como elas não se regeneram de forma significativa nos seres humanos, determinadas lesões provocadas pelo ruído podem resultar em perda auditiva permanente.

“Não é simplesmente o uso do fone que representa risco. O que importa é principalmente a intensidade do som, o tempo de exposição e a frequência com que a pessoa se expõe”, explica a fonoaudióloga e conselheira do CREFONO2 – Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região, Sheila Rodrigues (CRFa2-7130).

O problema pode começar de forma silenciosa. Zumbido, sensação de ouvido tampado ou abafado e dificuldade temporária para compreender a fala podem ocorrer após exposição intensa ao som. Se esses sintomas forem frequentes ou persistentes, é recomendável procurar avaliação profissional. O Ministério da Saúde alerta que a exposição prolongada a sons intensos pode provocar perda auditiva temporária ou permanente e zumbido.

Como proteger a audição

A OMS recomenda reduzir o volume, limitar o tempo de exposição e fazer pausas durante períodos prolongados de escuta.

Entre os principais cuidados estão:

  • evitar o volume máximo dos dispositivos;
  • manter o som em nível confortável;
  • fazer pausas durante o uso prolongado;
  • não aumentar o volume para compensar o barulho externo;
  • manter distância das caixas de som em shows e eventos;
  • utilizar proteção auditiva em ambientes muito ruidosos;
  • procurar avaliação profissional diante de alterações auditivas persistentes.

Fones com bom isolamento ou cancelamento de ruído podem ajudar a evitar o aumento excessivo do volume, mas nenhum modelo elimina o risco quando a exposição sonora é intensa e prolongada.

“Preservar a audição não significa deixar de ouvir música. Significa aprender a ouvir de maneira segura”, conclui a especialista.

Com informações: Marcos Paulo Ferreira 

Foto: Divulgação-Magnific