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Indaiatuba sem ônibus – passageiros relatam abandono e correria para ir trabalhar

por HUGO ANTONELI JUNIOR

“Os ônibus em Indaiatuba (SP) já são escassos, agora ficou ainda pior”, relatou uma usuária do transporte público da cidade no início da manhã desta terça-feira (14). Ela esperava um coletivo no ponto do João Pioli, avenida Manoel Ruz Peres, um dos mais movimentados da cidade. Os ônibus nem ligaram os motores nesta terça.

Os primeiro coletivos saem da garagem por volta das 4h30, mas isso não aconteceu. O sindicato conversou com os trabalhadores e todos decidiram pela greve. Uma nova assembleia foi feita perto das 6 horas e o estado de greve foi mantido. Três viaturas da Guarda Civil chegaram a ir até o local, mas não ficaram muito tempo.

Ninguém do sindicato falou com o Comando Notícia, mas a reportagem apurou que o sindicato aproveitou que a empresa está com problemas para o pagamento para mobilizar os trabalhadores sem que a empresa Sou Indaiatuba, da Sancetur, fizesse oposição à greve. Isso porque o subsídio de cerca de até R$ 530 mil por mês que seria pago à empresa ainda não foi aprovado pela Câmara de vereadores. O Comando Notícia apurou que “enquanto não votarem o subsídio, os ônibus não voltam.”

Ponto a ponto

Percorremos então diversos pontos da cidade. No Parque Campo Bonito havia passageiros em dois pontos. Eles sabiam que os ônibus estavam em greve. “Vou ter que pedir para alguém me buscar”, disse uma mulher. “Vou voltar para casa. É um descaso o transporte público na nossa cidade. Eu trabalho do outro lado e preciso dos ônibus para ir trabalhar”, relata.

Havia cerca de seis pessoas esperando na avenida Ottilia Ferraz de Camargo. No ponto da avenida Horst Frederico João Heer, duas mulheres estavam esperando. “Não sei o que fazer. Meu patrão precisará vir me buscar”, disse uma. “Não sei, talvez eu tenha que voltar para casa”, informou a outra. No João Pioli havia cerca de seis pessoas, a maioria conseguiu se locomover depois que funcionários da Prefeitura passaram avisar.

“Eles passaram dizendo que não teria ônibus. Aí as pessoas se organizaram para pegar carros por aplicativo ou até caronas”, conta uma das pessoas que estavam no lugar. Outra mulher esperava uma parente passar buscar. “É um descaso total. Quando tinha era lotado, agora nem ônibus tem”, reclama.

No ponto da Avenida Ário Barnabé, perto do Cristo, três mulheres conversaram sobre o assunto. “Não sabia que estava de greve, trabalho no Centro”, contou uma delas. Duas iam dividir uma corrida com carro de aplicativo. “Tenho dois empregos e se eu saio atrasado de um, não chego no outro, tenho descontado do salário. Esta semana fiquei das 11h às 13h30 esperando na praça no Centro e não passou nenhum ônibus”, conta. Na antiga rua 81 havia pessoas em todos os três pontos sentido Parque Ecológico. “Não sabia que eles tinham parado”, conta uma das passageiras. “Não sei como vou fazer para ir trabalhar”, disse.

Impasse no subsídio

Ainda não terminou a discussão sobre o repasse da Prefeitura de Indaiatuba (SP) à empresa Sou, da Sancetur. Em sessão online agora pouco, os vereadores que representam a Prefeitura pediram dois dias para analisar o texto, protocolado na Câmara nesta segunda-feira (13). O projeto foi enviado em regime de urgência para ser votado – ou seja, para que ele passe na frente dos outros projetos que estão na ordem.

A emergência foi analisada e aprovada por 9 dos 12 vereadores. Alexandre Peres e Ricardo França votaram contra o projeto ser urgente, pedindo mais tempo para analisar. O restante dos vereadores foi favorável. O presidente não vota. Depois, na hora de votar, o líder do governo, Cebolinha, pediu vistas de dois dias. Ou seja, poderá haver uma sessão extraordinária para votar o texto ainda nesta semana. Ou os vereadores podem analisar o projeto até a sessão online da semana que vem. O projeto, portanto, AINDA NÃO FOI VOTADO.

Segundo a proposta esses repasses mensais durarão “enquanto durar o estado de emergência de saúde pública”, uma alteração em relação ao texto que rodou as redes sociais nos últimos dias. Antes o prazo seria de 90 dias, ou seja, três meses. Agora não há prazo. A lei passaria a valer desde o dia 1º de abril. O repasse à empresa por passageiro que era ofertado mensalmente, caso seja aprovado o texto, seria suspenso.

A Prefeitura justifica dizendo que “torna-se insustentável a manutenção pela concessionária, ainda que mínima, de linhas e horários sem a devida contraprestação da tarifa paga pelos usuários (…) a elevação da tarifa pública seria um ônus demasiado a quem, justamente, neste período de crise, depende do transporte coletivo”. Segundo o documento assinado pelo prefeito, “a concessionária, em colaboração com a Administração Municipal, vem envidando esforços para a manutenção dos serviços ainda que com severo desequilíbrio contratual.”

Sancetur

A Sancetur – Sou Indaiatuba vem prestar os seguintes esclarecimento para os usuários do transporte público coletivo na cidade. Nos últimos dias todos fomos surpreendidos pelos devastadores efeitos da pandemia causado pelo Covid-19. Em razão da pandemia houve suspensão de diversas atividades econômicas, por ordem ou orientação de todas as esferas de Governo do Brasil.

Pela suspensão das atividades econômicas e pela orientação dos Governos para que as pessoas fiquem em casa pelo receio da proliferação do contágio do Covid-19, a quantidade de usuários do sistema público de transporte coletivo despencou para aproximadamente de 13% da usual e a empresa tem que tomar suas medidas de redução de gastos para continuar existindo e prestando serviço, bem como tentando manter o emprego de nossos colaboradores.

Somente para ilustrar, hoje estamos transportando 4.000 passageiros, dos quais 2.800 são pagantes e a receita não basta sequer para a aquisição do óleo diesel. Outras cidades já tomaram medidas visando a manutenção do transporte público coletivo, com a implementação de subvenções e subsídios, como São Paulo e Campinas, por exemplo.

O SUBSÍDIO NÃO É PARA A EMPRESA, MAS SIM PARA A GARANTIA DA CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO COMO MODICIDADE TARIFÁRIA E MANUTENÇÃO DOS EMPREGOS.

É de suma importância que a Concessionária fique mobilizada para, quando terminar este período, de forma imediata retome a prestação dos serviços de forma plena.

A paralisação do transporte na cidade ocorreu hoje, pois os nossos empregados, estão, de forma justa, preocupados com a manutenção de seus empregos, uma vez que a Câmara Municipal ainda não apreciou o Projeto de Lei 64/20 que subsidia os usuários do sistema de transporte coletivo e garantiria a continuidade da prestação dos serviços. Acreditamos que em breve a situação seja normalizada.

Estamos nos esforçando ao máximo nesse período de crise de saúde para prestar serviço público à população de Indaiatuba e manter os empregos, todavia, isso somente será possível se a Prefeitura garantir o equilíbrio econômico e financeiro do contrato de concessão, de forma que as receitas consigam fazer frente às despesas com a manutenção do serviço.

Prefeitura

A Prefeitura de Indaiatuba enviou nota à imprensa. “O PL do Executivo Municipal visa subsidiar a passagem do usuário, garantindo a manutenção do serviço e da tarifa sem aumento de valores para o passageiro. Na madrugada desta terça-feira (14) a Administração Municipal foi informada de que o Sindicato dos Rodoviários de Campinas e Região paralisou o serviço de transporte coletivo no município. A Prefeitura está entrando em contato com representantes do Sindicato para que sejam iniciadas negociações a fim de restabelecer o serviço, que é essencial para os munícipes.”

fotos: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia