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Indaiatuba teve 600 novos casos de câncer em 2018; veja dicas na semana mundial da prevenção

HUGO ANTONELI JUNIOR

Só no ano passado Indaiatuba (SP) teve pelo menos 600 novos casos de câncer diagnosticados. Apesar dos números alarmantes, o diagnóstico precoce e o tratamento são a solução e cura para mais de 90% dos casos, de acordo com o coordenador de oncologia da cidade, Fabrício Colli Badino. E nesta semana em que é o lembrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer, o setor público informa que realizou mais de 200 cirurgias para retirada de tumores no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) e a saúde da cidade investiu mais de R$ 1,5 milhão neste tratamentos com medicamentos e também em exames.

“É importante falar sobre este assunto para desmistificar e isso já faz parte da prevenção. Infelizmente tem um número acentuado de pessoas que são diagnosticadas nas fases mais avançadas. Infelizmente nestes casos, as chances de cura são praticamente zero”, diz. O que é importante dizer é que todos os tumores, com todos os tratamentos como cirurgia, rádio e quimioterapia, todos, se descobertos nas fases precoces, na grande maioria, 96%, tem cura. Ouça abaixo a entrevista do médico para o Jornal das 11 desta terça-feira (5), ao vivo.

“O cenário é outro com o diagnóstico anterior, obviamente quando é diagnosticado. A população precisa se cuidar, procurar os exames, não exceder em bebida e outros hábitos que podem dar em tumor, e não deixar de fazer a prevenção. Esta doença tem números cada vez mais otimistas, a resolutividade está aumentando e hoje em dia o diagnóstico não é mais uma sentença de morte como era no passado. Sim, tem cura, mas tem que diagnosticar e tratar em fase inicial”, afirma.

Indaiatuba tem 10 anos de triagem e oncologia e o especialista fala sobre os tipos de doença mais comuns. “Seguimos as estatísticas do Brasil. No caso das mulheres, mama, e homens, próstata. Também tem os gastrointestinais e estômago, junto com o câncer de pulmões, que estão em segundo lugar nos dois sexos. Os mais prevalentes, colo de útero, mama, pulmão e próstata, quando diagnosticado em fases anteriores, são os menos letais”, diz.

“Os de mais difícil diagnóstico, pâncreas, fígado, alguns do sistema nervoso central, dão poucos sintomas e poucos exames de prevenção, aí a mortalidade é alta. Mas graças a Deus são os mais raros. Estamos progredindo em campanhas e temos que agradecer os profissionais, até os das UBSs, temos um sistema de integração, tudo informatizado”, diz.

Entre a suspeita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o encaminhamento para especialista, leva cerca de duas semanas, de acordo com Colli. Para exames, o tempo é de até um mês. “Parece muito, mas é o suficiente e na realidade é muito raro de acontecer. A Prefeitura disponibiliza todos os exames,  e a gente consegue fazer o tratamento completo. No caso dos diagnósticos, a nossa média é melhor do que a do país. No Brasil são 60% os diagnósticos tardios, aqui são apenas 30%. Há 10 anos era 60% também, mas hoje caiu ela metade.”

Seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil segue as mesmas idades para exames. “Para mulheres, a partir dos 50 anos devem ser feitos os exames contra o câncer de mama. Se houver casos na família, a idade cai para 45 anos e se houver mais de um caso, 40 anos. Para homens, a partir dos 50 anos. Se houver casos na família, a partir dos 45 também. Vale ressaltar que quem teve histórico de câncer no intestino também deve fazer a cada dois anos. Outro diagnóstico importante é o exame de papa nicolau, que deve ser feito anualmente assim que a vida sexual for iniciada. É de fácil diagnóstico e se for logo encontrado tem uma enorme chance de cura, basta que a prevenção seja feita regularmente.”

foto: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia