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Jovens de projeto social fazem restauração de peças históricas em Itu

É preciso paciência, já que a restauração de uma peça leva tempo, às vezes meses ou até anos. E um exemplo dessa dedicação são os jovens do projeto social “Oficina Escola de Artes e Ofícios”, de Itu (SP), que trabalham na restauração de peças da década passada.

Uma equipe pedagógica trabalha para que adolescentes entre 14 e 18 anos façam a restauração como verdadeiros artistas. A Oficina Escola foi inspirada em um projeto social de Ouro Preto (MG), local considerado um celeiro de artistas de restauração.

Itu tem 410 anos e, na cidade, há muito material e objetos que precisam de cuidados especiais. Há dois meses, o estudante Danilo Perez começou as aulas e contou que já sente o gosto em transformar peças que fazem parte da história da cidade.

“Nós temos contato com uma história de muitos anos, e isso vem sendo contado nos retratos da madeira”, disse.

Jovens restauram peças históricas de Itu — Foto: Reprodução/TV TEM

Partes de uma mesa de 1890, feita de cedro rosa, será restaurada pelos jovens. Após a restauração, a peça, que foi doada por um colégio, vai integrar o museu do Exército. O trabalho deve durar pelo menos seis meses.

Cada grupo fica no projeto por até dois anos. Os adolescentes aprendem a usar as ferramentas, mas, acima de tudo, aprendem a ter cuidado e paciência. Segundo o professor de marcenaria Zenevaldo José, a primeira parte do processo é lixar as peças para tirar o verniz.

“Geralmente nós começamos desmontando a peça, lixando, tirando todo o verniz, lixando bastante para deixar ela como era antes. Se tiver alguma parte quebrada fazemos as próteses. E assim vai indo”, disse.

Itu é um território vasto para o trabalho de um restaurador. São 235 imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, além de mais de 32 fazendas históricas no município. Desenvolver nos jovens essa habilidade de restaurar é sinônimo de orgulho para Raul Almeida, coordenador do projeto.

Nós temos um tripé: educação, cultura e saúde. É um mercado de trabalho fantástico e falta mão de obra. O que eles tem é caro. Esses meninos têm a possibilidade de se desenvolver profissionalmente nessa área”, explicou.

Com informações G1 Campinas e Sorocaba

 Foto: Reprodução