Polícia

Mãe de gêmeos policiais fala sobre orgulho e orações, “não é fácil”

HUGO ANTONELI JUNIOR

INDAIATUBA – A primeira prisão de Mário Henrique Pedrão e Mário Sérgio Pedrão foi por volta dos três anos de idade. A mãe, testemunha da história, não sabe dizer quem prendeu quem, mas sabe que uma algema velha que tinha na casa foi o objeto de diversão dos dois gêmeos.

“Eles se algemaram e tiveram que ir para a Delegacia para tentar abrir. Estava enferrujada, quase não conseguem”, conta ao Comando Notícia. Mais de três décadas depois, os irmãos fazem parte da Polícia Militar que atua em Indaiatuba e são, além de integrantes da segurança local, nomes presentes na oração de dona Vanda Pedrão – que também teve o marido policial, atualmente aposentado.

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“Nunca mexeram na arma. Meu marido sempre explicou para eles tudo sobre isso”, afirma. “Ser esposa de policial não é fácil, mas mãe é mais difícil ainda, porque é o seu sangue ali. Acho que Deus não aguenta mais ouvir minhas orações”, brinca. “Peço para que ilumine a todos os colegas também, porque acaba virando uma família, né?”

Um dia, ela conta, uma mulher viu um dos filhos na capa de um jornal na padaria. “Aí ela disse que não gostava daquele policial. Eu perguntei a causa e ela respondeu que achava ele muito bravo, que preferia o outro”, relembra. “Aí eu falei para ela que estava falando do meu filho. A mulher levou uma bronca da filha”, diz, revelando que, claro, não gosta quando criticam os policiais.

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Confusões divertidas

Antes dos filhos gêmeos saírem de casa, ela diz que era um verdadeiro caos quando alguém ligava na casa. “Falavam que queria falar com o Pedrão, mas este é o nosso sobrenome. Depois tentavam identificar falando que queriam conversar com o que era policial. Eu falava que os três eram policiais, que os três eram Pedrão e os três eram gêmeos [Pedrão pai também tem um irmão gêmeo]”, se diverte. “Aí desistiam e ligavam depois.”

“Sempre foram de aprontar muito quando eram crianças. Trocavam na escola, faziam a prova um do outro e até confundiam os amigos”, conta. Mas não eram apenas os amigos que trocavam a identidade dos dois. “Às vezes eu ainda confundo, principalmente no telefone, mas é só às vezes”, brinca.

Vanda conta que o marido sempre achou que seriam gêmeos. “Porque ele também era”, diz. “Naquela época não tinha ultrassom, então, foi na hora do parto que a gente descobriu que eram dois. Curiosamente eu engordei oito quilos na gestação e na hora do parto o médico disse que tinha mais um.”

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Homenagem 

De braços dados com a mãe, os dois policiais falam sobre a importância da genitora na carreira. Mário Henrique afirma que lembrou dela em uma ocorrência no ano passado. “Quando a gente encontrou uma criança em uma lixeira, eu pensei como pode chegar naquele ponto e lembrei da minha mãe”, diz. Mário Sérgio também lembrou da mãe em um caso parecido. “Nas crianças que estavam uma situação precária. Eram três em uma casa com muito lixo. Não dá para aceitar”, afirma.

Para a mãe, ambos enviam uma mensagem de muita gratidão. “Queria agradecer pelos 38 anos juntos, sempre ajudando a gente e um Feliz Dia das Mães para todas do Brasil”, diz Mário Henrique. “Eu a amo muito e quero agradecê-a por tudo o que ela fez por mim e o que faz pela minha família”, afirma Mário Sérgio.

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fotos: Comando Uno/Comando Notícia