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“Mataram o nosso filho”, pais acusam médico de erro em morte de bebê no Haoc

por HUGO ANTONELI JUNIOR

Um bebê de três meses morreu em Indaiatuba (SP) na sexta-feira (6). Ele estava internado no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc). Segundo os pais, ouvidos nesta terça-feira (10) pelo Comando Notícia, a suspeita é que um procedimento errado de um médico tenha causado a morte. Eles disseram ter saído do hospital sem nenhum papel e até o momento não tiveram acesso a nenhum laudo que constasse a causa da morte do filho, enterrado no final de semana. Tanto a Prefeitura quanto o Haoc se manifestaram. As posições podem ser lidas mais abaixo.

Segundo contaram os pais da criança, ele foi levado com falta de ar até a Unidade de Pronto Atendimento (Upa), no Jardim Morada do Sol. O transporte do Jardim Juscelino Kubitschek até lá foi feito por uma ambulância municipal. “A atendente não estava acreditando que o meu filho estava sem ar”, conta a mãe. “Ela perguntava se eu tinha feito todos os procedimentos como limpar o nariz da criança. Eu conheço o meu filho. Ele não estava normal”, diz.

Da Upa o bebê foi transportado com urgência até o Haoc. Lá, segundo os pais, ele teve cinco paradas cardíacas. “Os médicos disseram que ele estava lutando pela vida e se impressionaram como ele se recuperou”, relata o pai. “Ele estava se recuperando, mas os médicos nos disseram que não tinham muitas alternativas, já que não tínhamos convênio. Uma era fazer um exame raio-X, mas ele não resistiria para ir até o local do exame e o hospital não tinha a máquina portátil para fazer o exame no quarto, segundo disseram naquele momento”, diz.

Outras alternativas eram levar a criança até a Unicamp, uma das opções apresentadas à família era que o transporte fosse feito de helicóptero, mas isso não aconteceu. Todas as tentativas que os médicos fizeram de desobstruir o pulmão da criança foram ineficientes, contam os pais. “Eles me disseram que ele não aguentaria naquele momento outro procedimento. Teria que, primeiro, ficar mais forte. O tratamento dado para nós foi excepcional. Tudo o que eles faziam era comunicado, inclusive os riscos. Não temos o que reclamar da equipe do Haoc durante o dia.”

Troca de plantão

Quando trocou o plantão, à noite, o pai conta que um outro médico assumiu o caso. “Eu estava no quarto e ouvi ele dizendo que precisava ir jantar porque iria para outro hospital. Achei estranho, não falei nada, mas pensei. Era uma vida ali, né?”, conta. “Eles arrumaram um aparelho portátil de raio-X, mesmo dizendo que não tinham lá, segundo palavras do próprio diretor que conversou comigo, mas até aí tudo bem.”

O médico, segundo o pai, entrou no quarto e disse que ele deveria sair porque eles iriam fazer um procedimento na criança. Alguns minutos depois, ainda de acordo com o relato dado ao Comando Notícia, o médico saiu do quarto. “Ele simplesmente saiu e me disse: ‘pai, faleceu’, e saiu andando. Não soube nem me dar a notícia. Eu fiquei indignado. O meu filho estava ali, normal, eu estava ali com ele. A outra médica que estava junto soube me consolar e disse que não era uma notícia fácil e que infelizmente o meu filho tinha morrido. Aí eu tive que contar para a mãe dele”, diz.

Os pais foram ver o corpo da criança e estranharam. “Estava todo roxo, inchado, enrolado. Não parecia o meu filho que eu tinha deixado ali. O lugar que deixaram ele estava sem os aparelhos, sem nada e o meu filho todo enrolado”, relembra, emocionada, a mãe. “A gente vai atrás de respostas, de Justiça, queremos entender o quê aconteceu. O nosso filho era perfeito, não tinha nada, estávamos esperançosos, ele lutou pela vida, mas um erro tirou a vida dele”, dizem.

“Eu ainda não acredito, parece mentira isso que aconteceu”, revela a mãe. “Voltamos ao hospital, vimos os enfermeiros, procuramos os médicos, mas ninguém tem respostas, não sabemos o que fazer, mas queremos respostas.”

O corpo da criança foi enviado até o Instituto Médico Legal (IML) regional de Campinas (SP) antes de ser liberado à família para velório e enterro.

Respostas

A Prefeitura enviou uma nota ao Comando Notícia, via assessoria de imprensa. “Esse caso está em investigação pelo Comitê de Mortalidade Infantil, portanto as informações permanecem em sigilo”. O Haoc, também via assessoria, enviou uma nota de esclarecimentos sobre o caso.

“Como o caso tornou-se público pela procura da família à imprensa, podemos tecer alguns comentários. O lactente foi admitido já em estado grave, dificuldade respiratória importante, vindo da UPA acompanhado de equipe profissional (médicos e enfermagem). Neste hospital, devido a gravidade da restrição respiratória, foram tomadas as medidas de suporte ventilatório.

O lactente não tinha história de sinais e sintomas prévios a este episódio, segundo relato dos familiares, portanto, tratou-se de um quadro súbito sem pródromos de insuficiência respiratória aguda. Foi realizado suporte ventilatório com entubação traqueal mas apresentava quadro de dificuldade por possível obstrução da via aérea, sendo solicitado traqueostomia.

Desde o momento da admissão neste hospital, a criança apresentou insuficiência respiratória grave progressiva com 6 episódios de parada cardiorrespiratória, que foram revertidas com as manobra médicas. Mesmo com o suporte respiratório e com a medidas de intervenção na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, apresentou evolução desfavorável, rápida e progressiva da insuficiência, e ainda, complicações graves e importantes como pneumotórax, que também foi tratado conforme as medidas médicas necessárias.

A possível vinculação da parada cardiorrespiratória final, que levou ao óbito, com a intervenção cirúrgica de retirada do ar dos pulmões, não tem sustentação clínica. Tratava-se de um caso muito grave, já tinha 6 episódios de parada cardíaca revertidos, e por consequência da evolução rápida e progressiva da insuficiência respiratória, a criança não respondeu às medidas de ressuscitação do coração, evoluindo ao óbito.

Não foi o procedimento cirúrgico de retirada do ar da pleura (pneumotórax) que levou a parada cardíaca, pelo contrário, a drenagem do pneumotórax é que daria a chance de uma nova reversão da parada cardíaca, mas o quadro da criança era progressivo.

Ressaltamos que o corpo foi enviado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), instrumento que evidenciará mais especificamente a causa que levou todo este quadro grave e fulminante. Já foi admitida neste hospital em quadro gravíssimo, necessitando ventilação (respiração) mecânica, medidas que foram efetivas em reverter 6 paradas cardiorrespiratórias, mas que infelizmente, dada a natureza do quadro, evoluiu ao óbito.”

foto: Reginaldo Rodrigues/Comando Notícia