Novo tratamento não hormonal aprovado pela Anvisa controla fogachos associados à menopausa

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um tratamento não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa. “Esta é a melhor notícia do ano tanto para as mulheres que estão na perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa, quanto na pós-menopausa”, afirma o mastologista Daniel Buttros, pesquisador em estilo de vida e câncer de mama, obesidade e síndrome metabólica e presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Apesar do aval da Anvisa, o especialista reforça que ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.
Os principais incômodos da menopausa, decorrentes da paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. Os fogachos afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos e têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas situações podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.
O declínio do hormônio estrogênio, como explica Daniel Buttros, tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores, ou ondas de calor.
“O cérebro tem uma área termorreguladora. Nesse centro, a via neuronal que estimula o calor se chama neuroquinina. A substância que age para inibi-lo é justamente o estrogênio, hormônio que as mulheres na menopausa não produzem mais”, explica o mastologista da SBM. “Sem a produção de estrogênio, a neuroquinina reina e vêm as ondas de calor.”
Na falta do estrogênio, o tratamento clássico é a terapia de reposição hormonal. “Aqui nos deparamos com algumas situações. Nem todas as mulheres podem fazer reposição e também há aquelas que não querem a terapia hormonal”, destaca. “Além disso, até hoje os tratamentos que existiam para inibir os fogachos não eram eficazes. Resolviam um pouco do problema, mas com efeitos colaterais.”
O medicamento não hormonal, efetivo para inibir as ondas de calor e com registro aprovado pela Anvisa, é o fezoniletanto. Desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma, vai chegar ao mercado com o nome de Veoza. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras.
A avaliação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. Os resultados apontam que em doses diárias os comprimidos de 45 mg reduziram significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.
A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.
Entre os benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.
Embora a medicação ainda não esteja disponível nas farmácias brasileiras, o mastologista Daniel Buttros alerta para cuidados no uso do Veoza. “As mulheres que vão fazer o tratamento precisam ter em mente que a avaliação das enzimas hepáticas por meio de exame de sangue é fundamental”, afirma. Isso porque o medicamento pode aumentar essas enzimas, que são marcadores de lesões no fígado. “Desta forma, é preciso dosar as enzimas hepáticas antes e durante o tratamento com o Veoza.”
Sobre o preço do medicamento ao consumidor, o especialista lembra que ainda não há valor definido para comercialização no Brasil. “Mas adianto que não estará ao alcance de todas as mulheres, o que vai exigir esforços das sociedades médicas para ampliar o acesso da população a um tratamento que pode proporcionar significativo bem-estar na menopausa”, conclui Daniel Buttros.
Com informações: Maiko Magalhães-MXP Comunicação
Foto:Dimaberlin






