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“O processo é um pesadelo”, Reinaldo Nogueira fala ao Comando Notícia

HUGO ANTONELI JUNIOR

A entrevista com o ex-prefeito Reinaldo Nogueira (PV) precisou ser remarcada da data original. Quem acha que vida de ex-prefeito é tranquila não imagina como é o entra e sai do escritório em que ele trabalha. Quando chegamos ao escritório havia um carro de uma Câmara de uma cidade vizinha. “Veio pedir sugestão para sair candidato no ano que vem”, confidencia Nogueira. É a primeira da série de entrevistas especial sobre as eleições 2020. A edição deste material em vídeo sairá ainda neste domingo, dia 3, nas nossas redes sociais.

Bem-humorado, ele conversou por cerca de uma hora e meia com o Comando Notícia e falou sobre tudo, os processos, as eleições do ano que vem, Bolsonaro, Lula, o irmão Rogério e o deputado Bruno Ganem. Ele falou sobre a Câmara de vereadores, da relação com o prefeito atual, se é a favor da CPI da Saúde e sobre o carinho da população. Além disso, também revelou como se sente com comentários negativos nas redes sociais. Confira a entrevista transcrita na íntegra abaixo.

Comando Notícia: Como está avaliando o governo Bolsonaro?

Reinaldo Nogueira: Posso falar que a equipe econômica do Bolsonaro é uma das melhores que já se montou para o país, então, boto fé por causa da política econômica. Politicamente eu acho que ele fala muita besteira sem pensar, é uma pessoa que, nos termos políticos, é despreparado, dando essas declarações que vem a tumultuar o sistema político do país sendo que não precisava falar nada disso de partido. Ele é presidente do Brasil, tem que cuidar do Brasil. O partido o presidente do partido que cuide. Separar um pouco as coisas. Às vezes os filhos também acabam fazendo comentários nas redes sociais que acabam sendo maldosos. Mas a linha econômica está indo bem. Não temos um ano ainda de Bolsonaro. As reformas tem que ser feitas, não pela metade, meia-boca, tem que realmente focar aí. Eu sei como é difícil, já fui deputado federal. Aquele Congresso não é fácil, muitas pessoas que divergem e que não se entendem,  estão focadas e não sabem o impacto de acordo com a decisão a ser tomada. Então, tem que ter esse jogo de cintura que o presidente do Congresso tem tido. Agora, ainda acredito e torço para o governo do Bolsonaro ir bem porque indo bem todos ganham. O Brasil é uma potência. Eu falo que é uma ferrari só que o cara que está dirigindo tem que saber dirigir, se não a coisa vai patinar e não vai sair do lugar.

CN: Tem clima para o Bolsonaro continuar no partido?

RN: Tem. Acho que é muito fácil.  E é ele falar: “gente, o partido está constituído, está tudo certo, o partido apoia o governo essas metas que vamos cumprir, mas a questão contábil quem tem que resolver é o partido”. Se houve laranja, não houve laranja, isso é uma questão do partido. Acho que tem que deixar para as pessoas que eram responsáveis por administrar o partido apurar e tomar as decisões. Estamos falando de um partido que tem no Brasil todo. Qual estado que fez a sacanagem? Às vezes não foram todos os estados que fizeram a sacanagem. Se é teve sacanagem. Até agora não apurou ainda, se foi usado ou não foi. A gente vê que foi destinado para uma candidata e ela não teve votos. Quantas pessoas gastam um horror de dinheiro e não tem voto. Não é porque você gastou e não teve voto que trabalhou errado, ou não é popular, conhecido. Tem que apurar para onde foi. Tem que separar a questão presidencial, briga partidária, principalmente dentro do Congresso. Vamos trazer para uma questão municipal. Tem vereador que defende a segurança, a saúde, educação. Mas quando sai candidato numa chapa, está apoiando aquilo que o majoritário está propondo. E tem que defender lá na Câmara. Se ele não estiver indo nesta linha, está sendo infiel.

CN: Sobre as declarações do Bolsonaro. O senhor foi o vereador mais jovem a ser eleito em Indaiatuba. Quebrou a polarização entre Clain e Tonin e foi uma novidade. O Bolsonaro de certa forma é uma novidade no Executivo. É perigoso este momento em que se é novidade?

RN: Posso falar que a minha diferença com o Bolsonaro, na época que eu fui eleito prefeito, antes, quando era vereador, já administrava já tinha uma cerâmica, tive empresa de transporte, trabalhava com transporte, a gente tinha um conhecimento de gestão, não conhecia 100%, mas tinha conhecimento, sabia o que era fazer uma folha de pagamento no final do mês, o quanto é duro funcionário no final do mês. O chefe, o patrão, trabalha por causa da folha de pagamento que ele tem que fazer. Primeira coisa que ele tem que fazer para ver o que vai sobrar para ele ainda. Então, você tem uma noção administrativa e com isso você sabe conversar, fazer um acordo trabalhista, sabe conversar com sindicato, ter um bom relacionamento. Eu fui deputado nunca vi o Bolsonaro no Congresso, nunca vi ele fazer um discurso, discutir, fazer nada, de 2007 a 2009, então qual experiência ele tem? Tem experiência no regime militar. Mas experiência administrativa não, tem que buscar o conhecimento trazendo pessoas boas ao seu lado para ajudar a governar o país. A diferença que eu tive quando assumi a primeira vez é de quem passou por este lado empresarial privado. Apanha um pouco no começo porque a questão pública é mais burocrática, mas você tem um Know how para fazer umas coisas a mais.

CN: Qual é a sua avaliação do governador João Doria?

RN: Por onde eu ando eu tenho visto ele fazer muita coisa. É lógico que teve um governo que não vou falar que está tão endividado que não dá para sair, mas com as receitas bem comprometidas, mas dentro disso as coisas estão acontecendo. O Doria não tem a visibilidade que tem o Bolsonaro, mas em termos de administração se você conversar com os prefeitos e a agilidade em implantar o governo do estado produziu muito mais do que o país em termos de ações de governo.

CN: E essa briga entre o Doria e o Bolsonaro?

RN: Aí tem muita coisa por trás que a gente não consegue enxergar. Tem pesquisa, tem marketing, uma série de coisas que podem acontecer. Eu nunca fui a favor de briga. Eu acho que política é a arte de somar conhecimento, ações, enfim. Sobre o rompimento apoiar ou não, bem, os dois estão começando agora um mandato. Eu acho que ele pode discordar de algumas ideias, mas não falar que não aprova. O Doria é um gestor, mostrou que é um bom gestor. Tem tudo para fazer um bom governo do estado. Essas brigas é muito cedo. Ainda tem três anos para a próxima eleição. Isso aí é igual casal. Desentende antes de dormir, mas amanhece no outro dia bem. Então, a política é muito dinâmica.

CN: Como está a sua vida pessoal, agora três anos após deixar a Prefeitura?

RN: Eu to sabendo o que é viver um pouco. Porque eu me dediquei 100% à nossa cidade. Eu acho que até mais de 100%. Só tenho que agradecer a minha família por terem me compreendido com relação ao meu comprometimento com a cidade e com as pessoas que moram em Indaiatuba. Hoje eu tenho um ritmo de trabalho, a minha agenda é bem ocupada, ajudo bastante em negócios da família, do meu pai e acho que estou tendo mais tempo. Final de semana tenho mais tempo para sair com os amigos, como vou em algumas visitas que as pessoas convidam para ir à um jantar. Não dá para ir em todos porque coincide. Esses eventos, hoje, se seu vou, fico. Quando eu era prefeito eu ia, ficava um pouco e já ia embora para outro compromisso e aí terminava a agenda todo dia 23 horas. Hoje estou curtindo mais meus filhos. Tenho um menino de 13 e uma menina de 10 anos, estou muito presente. Ontem fiquei o dia todo com meu filho. Futebol de manhã, à tarde, aniversário, então, a gente fica mais tranquilo na questão social. Às vezes você vai levar criança em compromisso político, mesmo que seja social, não é compatível aquilo que você está fazendo com o que a família quer. Mas eu adoro. Não é porque estou fora da política que deixei este convívio. Esses dias fui assistir um jogo lá na 12 de Junho. Eu que fiz o governo e eu não fui nem na inauguração. Então fui lá conhecer. É uma satisfação ver o que a gente produziu para a cidade e o carinho da população.

O ex-prefeito Reinaldo Nogueira (PV) no escritório particular.

CN: Como é esse contato com as pessoas quando o senhor está nesses lugares?

RN: Fui aplaudido pelo pessoal lá. Coloquei a camisa da 12, os outros times até ficaram bravos que eu coloquei só a da 12, mas só ganhei deles (risos), mas é um carinho que eu não tenho nem palavras para explicar o carinho que as pessoas tem quando me encontram. Eu nunca desprezei ninguém, pode ser até adversário político. Inimigo eu acho que não tenho. Meu inimigo pode ser a Justiça, mas na política eu tenho adversário, não considero ninguém como inimigo e nunca fiz nada para prejudicar ninguém. Eu falo para os prefeitos que eu conheço e aqueles que vem aqui me visitar eu falo: “olha para a frente e faz o seu governo. O que ficou para trás deixa. Faz gol. Se você tomar dois, três, você faz cinco, seis”. Estou satisfeito porque estou fazendo outros tipos de empreendimento. É outro ar. Não é que eles deixam eu fora da política. Eu gosto de falar de política. As pessoas vem falar eu falo a hora que quiser. Passei metade da minha vida trabalhando com isso e eu gosto, dou meus palpites, quando encontro o prefeito. Se ele pergunta eu falo, se é uma coisa muito na cara assim na hora, vamos cuidar as pessoas de rua que aumentou um pouco desde a minha época e ele está tomando as providências. Situações como estas que a gente conversa com o atual prefeito, quando se encontra. Lá trás nós fizemos um plano diretor tão bem montado quanto Indaiatuba, nenhuma cidade tem um sistema de arrecadação como nós temos e o que está planejado até 2025. Com certeza o atual governo está fazendo o planejamento até 2030, 2035. Então, na época nós sabíamos quantos médicos íamos precisar, quantas escolas, creches para você crescer com sustentabilidade. Então, tem um plano traçado. Como o Gaspar vem de dentro de um grupo político que ajudou a construir tudo isso aí ele viu que está dando resultado e está dando sequência.

CN: Como o senhor está avaliando o governo Gaspar?

RN: Ele está indo bem. Pegou a coisa pronta, mas ele está sendo criativo, está indo bem. A cidade está em ordem, o serviço público está sendo eficiente. Reclamações sempre vai ter. Oposição sempre vai ter. Isso faz parte do jogo. Tem pessoa que reclama da educação, mas nem filho tem em idade escolar. Tem que separar certas coisas. Eu acho que o governo está ótimo. Se a gente pegar as pesquisas regionais, Indaiatuba está na frente de todas elas na questão de gestão, ganhou alguns prêmios que acompanhei pela imprensa. Então, é a primeira vez que ele está sendo prefeito. Por mais que é do grupo, tem conhecimento, passou por uma secretaria, passou por uma autarquia. Autarquia já dá um know how, ela é uma mini-prefeitura, o sistema de compra é independente, é ele que toma decisão, então é ele que tomava decisões. É lógico que tem a represa que estava no plano de governo, o parque também, o museu da água. São coisas que a gente foi elaborando junto. Mas a questão administrativa o que acontece no Saae a Prefeitura não sabe. Ele teve esse aprendizado. Acho que está indo muito bem, melhor do que muitos imaginavam. Tem muitas pessoas que não acreditavam, mas que hoje tem até essa abertura que não votaram, mas dizem que hoje votariam nele. Está com uma aceitação muito boa como gestor e como governo. São inúmeras obras que acontecem. É que hoje Indaiatuba cresceu com 250 mil habitantes, o cara que sai do serviço e volta pra casa ou para um lazer, ele anda 10, 20% da cidade. Ele não sabe o que está acontecendo na cidade. Não sabe que está terminando o parque, Jardim Paulista, Paulistano, a própria Morada do Sol, levando lazer entretenimento. Tem pessoas que nunca foram no Campo Bonito. É o primeiro bairro 100% planejado do país. Tanto é que a Dilma escolheu aqui Indaiatuba para inaugurar as casas, os apartamentos. Se prende a este mundo. Eu sempre falo para as pessoas pegarem um sábado, pegarem a família e saírem andar, conhecer. Tem um problema que é da minha época que é a falta de sinalização indicando o nome dos bairros. A sinalização do trânsito é perfeita. O pessoal do trânsito é top. Mas se você não conhece a cidade, sai andando e não conhece o jeitão da cidade acaba se perdendo. Foi uma falha minha. O Gaspar está colocando pouco, tem que colocar mais, direcionar o trânsito. Tem hora aí que quem é natural daqui que evita certos locais porque sabe que vai ter trânsito, as placas alternativas, porque o trânsito aqui é só horário de escola, indústria e à tarde, é uma cidade bastante tranquilo. Eu posso afirmar que ele está fazendo um bom governo.

CN: E a sua relação com o Gaspar? É lógico que tem um distanciamento natural, mas como está?

RN: O nosso distanciamento é porque a agenda de um prefeito é muito difícil. Então, não vou ficar perturbando ele, ligando. A gente às vezes se encontra no restaurante, numa lanchonete, num churrasco. Fui no leilão da igreja, sentamos juntos, batemos papo. Nessas horas a gente conversa. Ele põe as dificuldades que está passando. Eu faço, como qualquer cidadão, as sugestões, o que eu tô vendo. A gente troca isso aí. Nem dá. Até mesmo uma semana sim, outra não, fico fora da cidade. Então, não tem aquilo. Eu não faço parte do governo. Quando o José Onério foi prefeito eu disse que não queria fazer parte do governo. Às vezes ele vem e a gente conversa, mas não é aquela coisa. Somos amigos de infância. A mãe dele foi minha professora. Temos um relacionamento de amizade bacana. Mas não nos deixamos influenciar. Eu não vou nas inaugurações porque a inauguração é dele. Me falaram: “Reinaldo, você que fez o Parque da Criança e não foi na inauguração?”. Eu respondi que fui, sim. Fui um dia antes. Fui lá experimentei, conversei com o pessoal…

CN: Fica uma sombra chata por trás do prefeito se o senhor fosse?

RN: É. Porque aí fica aquele negócio de comparação. E como é primeiro mandato é aquela coisa. Eu falo que o segundo mandato é pra ser melhor ainda, assim como foi comigo. Porque á engrenado. Você já sabe algumas engrenagens que se desgastaram com o tempo é natural fazer algumas mudanças. Mas eu posso falar que ele está há anos luz de vários prefeitos da região. Porque pegou uma coisa pronta. Aqueles que pegam uma administração bagunçada. Uma administração mal feita vai de duas a três para consertar. Então, a gente vê. Quando eu fui prefeito, o nosso exemplo era Americana. Hoje está se reerguendo, mas é a pior cidade da região metropolitana. Então, a gente tem que tomar cuidado para não deixar a qualidade de vida cair. Hoje o Gaspar está com mais conhecimento, com mais bagagem política, tá sabendo tratar melhor as pessoas, enfim, eu acho que ele melhorou muito e daqui para frente ele tem um potencial muito grande para ser reeleito e ele sendo reeleito a cidade continua ganhando.

CN: E o Rogério Nogueira (DEM), pelo que vocês conversam ele pretende continuar, ter um cargo federal, como é a conversa de vocês sobre isso?

RN: O Rogério eu sempre aconselhei ele a ser deputado estadual porque quando eu fui para Brasília vi que lá era outro mundo. Até você se encaixar lá, em um mandato não dá. E como ele está muito bem entrosado com o governo, consegue trazer mais benefícios para os municípios e ele tem conseguido. Esse mandato vai ser o melhor dele. Não só pelo conhecimento que ele tem com o Doria. O vice governador é muito amigo dele. Então ele consegue agilizar algumas coisas com mais facilidade, coisa que no outro governo não dava porque o Alckmin era muito centralizador. O Rogério é muito determinado, não faz tanta politicagem, o social dele é um pouco limitado, nunca vi ele trabalhar tanto. Falamos de eu ficar sem falar com o prefeito. Eu fico sem falar com o Rogério de 20 a 30 dias. Às vezes a gente se encontra no domingo no almoço na casa da minha mãe. Às vezes ele não vai muito porque tem outros compromissos. São situações que é difícil abrir mão hoje em dia. 

CN: E depois? Continua como deputado, tenta ser prefeito?

RN: Se for pelo meu conselho, continua como deputado estadual porque ele já conhece. A facilidade de ele conseguir os benefícios é muito maior do que ele optar por outra coisa. Já está lá, continua acelerando lá. Isso é um conselho meu. Se ele decidir fazer outra coisa aí é com ele.

CN: O Rogério seria um bom prefeito para Indaiatuba?

RN: Olha, ele é bem executivo, inteligente, vou falar depois de cinco mandatos, um deputado não dá know how para ser prefeito, vai ter que aprender tudo de novo. É lógico que eu posso ajudar. Mas eu não acho que ele queira isso. Acho que vai ficar como deputado.

CN: Qual é a sua avaliação da Câmara de vereadores? O senhor acompanha os trabalhos lá?

RN: Para falar a verdade não acompanho muito, não. Não tenho tempo para isso aí. Vejo alguma coisa no Facebook, comentário, às vezes, conversa. Converso mais com vereadores do que com o prefeito. Sempre encontro os vereadores. Um convida para jantar a gente vai bate um papo. Posso dizer que tem uma Câmara bastante atuante. Vi agora essas manifestações da CPI da Saúde. O que eles querem ver da CPI da Saúde? CPI tem que ter objetivo. Mas qual objetivo. Fiscalizar o quê? Parte médica? Parte de enfermagem? Parte de medicamento? Parte de exames? O que se pretende com a CPI, fazer barulho político? Então eu acho que as pessoas tem que ser mais consciente. Vamos fazer CPI do transporte? Da educação? Não tem vaga? Tem que ter uma coisa específica. Fazer politicagem eu nunca fui a favor e nunca fiz. Politicagem com p minúsculo. O cara não tem responsabilidade de querer soltar alguma coisa para aparecer.

CN: O senhor é contra a CPI da Saúde?

RN: Eu não sou contra nenhuma CPI. Tanto que no meu governo eu deixei abrir CPI. Mas desde que ela tenha objetivo. A saúde é muito complexa. É o que tem a maior complexidade dentro de uma administração. Um prefeito demora um mandato para saber como funciona 100% uma saúde. Então um vereador que está lá. Está tendo reclamação do quê? E atendimento? Então, vamos fazer. Ah, é Haoc? Então, vamos fazer uma do Haoc. É Upa? Vamos fazer uma da Upa. Desviando medicamento, dando remédio para gente de fora. aí sim. Vamos fazer uma CPI focada. Aberto vai falar do quê?

CN: O senhor é favor do aumento no número de vereadores?

RN: Sou contra. Acho que 12 vereadores é muito bom e dá para acudir a cidade toda. Indaiatuba pode ter 19 ou 21. Não há essa necessidade. Tanto é que eu acabei com o aumento na época. Fui vereador com 17. 12 produz igual 20. Esses 12 que estão aí produzem igual 20. Então, porque 20? Sou favorável a continuar. Porque gasta menos dinheiro público e sobra mais para fazer as ações. 12 está de bom tamanho, mesmo a lei permitindo mais.

CN: Se o senhor pudesse se candidataria novamente no ano que vem?

RN: Estou bem satisfeito com que eu estou fazendo. Tenho um carinho enorme com a população. Falar que não tem vontade? Claro que tem. Mas eu acho que eu tenho dar um freio, cuidar das minhas coisas, da minha família. Meus filhos precisam bastante de mim. Gaspar já está com os filhos grandes. Se eu volto a ser político, posso falar assim, eu poderia lá na frente ouvir dos meus filhos que eu não dei atenção para eles. Neste momento quero ter essa recordação deles. Na minha cabeça é a minha família, meus amigos, mais o carinho da população o que a minha família se orgulha. Eu sempre respeitei até adversário. Sempre dei a mão. Outro dia o adversário da cidade estava no semáforo. Na hora que ele foi dar o cartão eu falei boa sorte. Vou tratar mal? É um ser humano. Não é meu amigo, mas é um colega político. Tenho que respeitar.

CN: Nunca mais é muito?

RN: Não, não é. Drogado para sair da droga é difícil. Político para sair da política também. Mas os dois quando querem, saem. Não gosto de falar nunca. É uma expressão muito forte. O mundo dá muita volta. Prefiro não usar essa expressão.

CN: Vai ganhar a eleição no ano que vem que fazer o quê?

RN: Quem ganha é muito relativo. Ganha quem mostra serviço. Aqui em Indaiatuba o Gaspar ganha. Porque acho que Indaiatuba tem um povo inteligente e por ser inteligente, as coisas estão correndo bem e estão indo certo, acontecendo positivamente. Vai completar quatro anos do governo Gaspar, ele está provando que está fazendo uma boa gestão. Então, não é porque ele é meu amigo. Vamos olhar a gestão, do lado profissional. Eu quero uma cidade daqui para melhor ou vou arriscar piorar? Daqui para melhor é com o Gaspar. O resto eu não posso dizer que vai ser melhor do que ele porque quando você pega uma gestão, até você fazer a coisa andar, muita coisa diminui a velocidade e atende menos a população. Eu não acredito que a população vai deixar de votar no Gaspar. É importante ter adversário até para se monitorar, mas se a gente tem uma visão o que é Indaiatuba. Se você Indaiatuba no Brasil você vai ver que as pessoas falam de gestão. Então, para quê mudar? Se você é casado, por que você vai largar da sua mulher? O Gaspar está dando certo, então porque largar?

CN: Em uma entrevista para o Comando Notícia, o deputado estadual Bruno Ganem (Podemos) disse que o senhor ligou para ele parabenizando pela eleição. O que o senhor falou para ele nesta ligação?

RN: Dei os parabéns. Sou um político, um ex-prefeito. Teve uma disputa eleitoral e Indaiatuba é a única do porte que tem dois deputados estaduais. Eu liguei, desejei que ele possa ter sucesso nessa carreira como deputado e que possa somar esforços, inclusive com o Rogério, para trazer as coisas para a nossa cidade e região. 

CN: Isso em tempos que adversários políticos viram inimigos…

RN: Desde que eu entrei na política é assim. Quando ele ganhou para vereador eu também liguei parabenizando. O Ricardo França (PRP) [vereador] também… que podemos dizer que é a cópia do Bruno Ganem. Ligo no aniversário dando os parabéns. Não é meu inimigo. É meu concorrente. Ser concorrente é tranquilo. É uma opção dele ser. Ninguém é obrigado a concordar com tudo o que a gente faz. Pode ter um outro ponto de vista. Temos que respeitar o ponto de vista de cada um. Eu sou humano, trato como ser humano. A pessoa acaba de ganhar a eleição. Não merece um parabéns? Agora a gestão é dele. Ele que tem que provar que é um bom deputado para na próxima ser eleito de novo e, parabéns de novo.

CN: Se ele fosse eleito prefeito de Indaiatuba, o senhor ligaria parabenizando?

RN: Com certeza. Ia desejar uma boa gestão.

CN: Se ele te chamasse para pedir conselhos…

RN: Estou aqui para isso. Acho que uma das coisas que é gostosa na vida é você poder passar conhecimento. Quantas pessoas a gente fala, ensina que às vezes não põe em prática e depois reclama. Estou aberto a qualquer cidadão. Até alguns prefeitos me ligam perguntando. São situações que… a gente está aqui para atender. Tratar como ser humano. Para eu bater em alguém, não sou de briga, bato no conhecimento. Falar por falar. Você é da imprensa, você sabe, ficar atirando, não. Não é assim. Eu posso ter um defeito, mas quantas qualidades eu tenho? Eu posso ter feito uma coisa errada, mas quantas coisas certas eu fiz? Então não podemos julgar a pessoa por um gesto, por um erro, tem que pegar o contexto. O Bruno para ficar conhecido esse negócio de semáforo foi bom. Trabalhar é outra história. É coisa que deu certo. Agora tem que mostrar serviço. Igual um cantor quando estoura, faz um sucesso. Ele precisa continuar fazendo músicas para continuar nas paradas de sucesso para não ficar para trás. Assim que eu enxergo. Eu assisto muito pouco noticiário porque tem muita gente tendenciosa porque fala só metade da história. 

CN: O senhor acha que as pessoas tem perdido a capacidade de ouvir o outro lado?

RN: Se você tirar o fanatismo eu acho que as pessoas tem o potencial de entender. O fanático, o ignorante você não vai conseguir. Ele vai morrer falando isso, mesmo estando errado. Uma cisa que eu aprendi é nunca ganhar do ignorante, porque do ignorante você não ganha nunca. Tudo o que você falar vai ser perdido.

CN: A rede social está cheia de ignorantes?

RN: Está cheia de pessoas que não tem conhecimento para discutir certos assuntos. Vou entrar numa discussão sem ouvir, pesquisar, para depois.

CN: O senhor tem a sua página no Facebook. É o senhor mesmo que cuida?

RN: Tem coisa que eu deleto, nem respondo porque é uma coisa sem pé nem cabeça. Conforme vem a pergunta, às vezes em tom de agressividade, eu vejo que a pessoa não está querendo saber, está querendo provocar. Aí nestes casos eu sempre falo que estarei no escritório, para a pessoa passar. Vê se alguém vem…

CN: Ninguém nunca veio?

RN: Não. Facebook, rede social, tem muita gente valente, mas ninguém vem sentar para discutir o assunto. É raro vir alguma coisa assim para mim. Mas quando vem eu chamo aqui. Antigamente eu ia na casa…

CN: E como era quando chegava lá?

RN: Muda. Bom, teve uma propaganda em um programa de televisão que colocava uma pessoa na kombi, entrevistava uma pessoa e ela descia o pau. Uma vez o cara foi e falou do Paulo Maluf. Na hora que estava quente, ele desceu da kombi e foi lá conversar. Aí foi lá abraçar, acabou. Ah, não vai falar mais mal? Tem muito isso. Acho que a falta de consideração, respeito acima de tudo. A pessoa pode ser o que for. Até a turma mete o pau no Lula, Fernando Henrique. Tem que ter o respeito quando for falar alguma coisa falar com conhecimento.

CN: Esses comentários negativos te atingem de alguma forma?

RN: Depende. Tem coisa que chateia. Mas daqui a pouco vem minha filha e me dá um beijo, vem meu filho e a gente esquece.

CN: Seus filhos nunca foram alvo de críticas ou hostilidades?

RN: Não. Nunca. Tenho que parabenizar a escola que tudo o que aconteceu comigo eles… e eu converso com eles em casa e falo que do mesmo jeito que tem gente que gosta de mim, quando saímos tem gente que vem, tira foto, e fala “quando você vai voltar”, quando entro no carro para ir embora eu falo: “do jeito que tem as pessoas que gostam de mim, tem as que não gostam. Quando alguém for falar alguma coisa, deixa falando sozinho”. Quando você vê uma pessoa como o Joesley Batista no restaurante e vaiaram o cara. Eu acho que não é o lugar de fazer isso. Deixe que a Justiça cuide dele. Temos que aprender com os asiáticos. 

CN: Vamos falar sobre o Lula, que foi um presidente muito bem avaliado na época. Qual a sua opinião sobre ele e a prisão dele?

RN: Juridicamente não era para ele estar preso, até mesmo prisão em segunda instância tem que mudar a Constituição e passar a ser lei, a gente está aqui para respeitar a lei. O STF está lá  para fazer cumprir a Constituições. Hoje estamos tendo vários entendimento, então temos que fazer um trabalho, mudar a Constituição e fazer valer e não entendimento. “Ah, eu acho que aconteceu”. Não. Espera. Estão aqui as provas de que não foi. Então o achismo mudou muito e pegara o Lula para isso.

CN: Se o Lula estivesse solto o Bolsonaro seria o presidente?

RN: Eu acho que se fosse ele [Lula] o candidato, ganhava. O governo dele foi a melhor época do Brasil em desenvolvimento. As coisas eram menos burocráticas para prefeito para viabilizar projetos, recursos. Indaiatuba não pode reclamar do governo… não é que não pode reclamar. A gente tinha projeto, pedia e era viabilizado enquanto era o Lula, a Dilma.

CN: Por que o PT em Indaiatuba é tão impopular mesmo com os projetos como Upa e Campo Bonito?

RN: O Lula não tem nada a ver com o PT. Não pode falar assim: “PT é radical, tem governo sou contra”. Não é assim. Por isso estamos assim. Aqui em Indaiatuba, nas pesquisas, eu sempre tive votos do petistas. Não de todos, lógicos. Muito petistas viram o que a gente fez pela cidade e votou…

CN: O senhor chegou a ter convite para entrar para o PT?

RN: Não. Quando eu era vereador tinha o Gushiken e o Aristéia que era muito radical. E ele partiu para o radicalismo e eu me afastei. Deixei morrer. Sempre tratei como partido. Tem o Linho do PT que é meu amigo. O Vivaldo que começou no PT, sempre respeitei todos.

CN: Tem algum político que o senhor não votaria de jeito nenhum?

RN: Não. Eu não votaria no Bruno Ganem para deputado porque tem o Rogério… (risos)

CN: Mas se ele [Ganem] fosse o único candidato da cidade…

RN: Votaria. Tem que escolher alguém da cidade. 

CN: No ano passado o segundo turno foi Haddad contra Bolsonaro. Na sua opinião, eram as melhores opções?

RN: Não. Não vou falar dos mais preparados se não vou falar meu voto (risos), mas Bolsonaro veio numa onda…

CN: Se ele não tivesse tomado a facada, teria ganhado?

RN: Se ele tivesse ido no debate, capaz de ter perdido.

CN: Foi, então, uma boa estratégia de campanha?

RN: Qual é o plano de governo do Bolsonaro? Ele saiu candidato sem plano. Então o Bolsonaro foi uma votação contra o PT. O pessoal que não votaria nele votou para tirar o PT. Isso está bem claro. Estava tão ruim e ainda está que a turma quis uma mudança radical. Mudou. Estava muito ruim. Quando eu assumi a Prefeitura também foi assim. Quando eu fui eleito prefeito, se o prefeito que estava estivesse bem, eu não ganharia. O povo queria mudança. Eu assumi não tinha viatura, combustível, estava precário, R$ 11 milhões em de dívida. Igual o Collor, na época foi mudança. Ninguém aguentava mais e vinha aquela turma do passado. Foi na onda. A próxima gestão vai ser uma disputa melhor. Tem que ver se vai no debate (risos).

CN: Houve um aumento de roubos e furtos na cidade. Na sua época houve um boom de roubos e furtos de carros e acabou. O que tem que ser feito na segurança?

RN: Tecnologia. Apertar na tecnologia. Hoje Indaiatuba é um case na questão de monitoramento. Tem que continuar investindo. Nas últimas pesquisas que eu vi sobre a cidade, a segurança nem é citada…

CN: A Guarda teve prisões de componentes neste ano…

RN: Uma corporação de 200, 300 homens precisa apurar se realmente teve ou não teve. Se bate no bandido o guarda vai preso. Se não bate, o bandido mata o cara. Hoje o governo do estado está assim. Se ele não atua é morto, se atua, mata e é penalizado. Se toda cidade tivesse o mesmo monitoramento nosso, pegaria lá. Os outros municípios precisam se mexer com relação a isso.

CN: O senhor disse que o seu único inimigo é a Justiça. Quer falar do assunto?

RN: Estou correndo contra ela. Uma coisa é acusar a outra é se defender. Pela desapropriação do Dimpe. A Justiça nomeou um perito. O perito faz uma avaliação que não teve dolo, crime. Depois eu sou avaliado sem ouvir o perito. O empreendimento está dando R$ 5 milhões de lucro para a Prefeitura. Aí você vê, faz um empreendimento de sucesso, dentro do preço, não tem desvio de dinheiro, não tem superfaturamento, atendeu a população. Aí você pensa: prefeito para quê? Você faz tudo dentro da lei mostrando o benefício e você toma na cabeça. Aí você pensa se anima ser político ou não? Estou nesta fase. Vamos aguardar.

CN: Isso te preocupa?

RN: Me preocupa porque a gente não sabe o que vai acontecer. Chega para um juiz julgar. Tem 10 mil páginas. Vai ser o terceiro que vai julgar. Peço a Deus que ilumine este assistente que vai fazer um resumo. É difícil. Hoje quem julga está trancado e escuta os comentários. Eu não consigo falar com ele. Tô vivendo essa fase não sei até quando. Tenho preparado a minha família para o pior e para o melhor. Lá tem histórias que me envolvem que não estou em escutas telefônica, nem em extrato bancário. Quem me colocou lá?

CN: Ter o seu nome muda o julgamento?

RN: Tenho um advogado que diz que nunca viu um processo andar tão rápido igual o meu. Então se tem dedo por trás o que eu vou fazer. A minha parte eu fiz. Não sei em qual instância será. Tô me defendendo. Me preocupa, é um pesadelo. Tem dia que você fica depressivo. To pensando na vitória. Se o juiz ler eu tenho a certeza da vitória, se não ler não tem sei o que vai acontecer.

CN: O ex-presidente Michel Temer criticou a Justiça pelo espetáculo. O senhor concorda?

RN: É um espetáculo. Você acha que precisa mandar polícia? Se me ligassem dizendo que tenho que me apresentar eu vou lá no dia seguinte. Não precisaria deste aparato. É impacto político. Veja as buscas por aí e quando pegaram o Andinho. Você acha que se chegar um delegado dizendo para eu acompanhar… se não acompanhar aí ele pede reforço policial. Agora vai lá 40 pessoas.

CN: Para terminar, deixe um recado para os indaiatubanos que dizem que sentem saudades.

RN: Aos poucos, de alguns, eu mato a saudade estando presente nos eventos, só tenho a agradecer o carinho, essa consideração por aquilo que a gente fez pela cidade, a transformação comigo e com a minha equipe. Sou sempre grato a boa educação deles, respeito, admiração, sou grato e vou continuar sempre grato, não tenho espírito de raiva, de descontar, sempre se preparando espiritualmente para estar sempre se reconstruindo, a população me dá a força junto com a família e tocar a vida.

fotos: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia