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Polícia apura agressão de vereador de Americana à moradora em evento com pipas; veja foto

A Polícia Civil investiga um caso de agressão física e ameaça envolvendo um vereador e uma moradora em um evento público de Americana (SP). A ocorrência começou na tarde de sábado (16) e o registro policial terminou na madrugada deste domingo (17). A vítima relatou em depoimento ter sido ferida com socos, na frente dos filhos, após uma discussão com o parlamentar por causa de uma foto. Ele nega a agressão – leia mais abaixo.

De acordo com o boletim de ocorrência, registrado pela Polícia Militar, a mulher, de 32 anos, estava no Festival da Pipa, no bairro Antônio Zanaga, quando viu uma pessoa desconhecida tirar uma foto dela e da sua família. A vítima estava com os filhos, de 3, 8 e 12 anos.

Moradora de Americana diz ter sido agredida por vereador — Foto: Arquivo pessoal

Moradora de Americana diz ter sido agredida por vereador — Foto: Arquivo pessoal

Ela contou aos policiais que reclamou do fato junto ao seu namorado, e que o fotógrafo teria ouvido e contado o ocorrido ao vereador de 33 anos Paulo Eduardo Dias Júnior, conhecido como Juninho Dias (MDB) e organizador do evento. O parlamentar, que também é professor de karatê, a tirou do local; foi quando ocorreu a violência, segundo a mulher.

“[…] Foi pessoalmente conversar com a vítima e, em seguida, expulsou-a do local, dizendo para pegar os filhos e ir embora. Enquanto estava saindo do evento, o investigado foi atrás de sua pessoa e desferiu diversos socos em seu rosto, de forma gratuita”, diz trecho do histórico do boletim de ocorrência.

Procurado para dar um posicionamento sobre o caso, Juninho Dias disse, em nota publicada na sua rede social neste domingo, que a família da mulher estava usando linha com cerol, item proibido no local, e que isso motivou a retirada dela do recinto. Ele também disse que foi hostilizado.

“Durantetodo o evento, era proibido o uso de linha cortante, que não foi acatado por um casal com seus filhos, razão pela qual gentilmente solicitei a retirada do espaço”.

A vítima negou  que a família dela tivesse usado cerol. Disse que linhas e pipas foram distribuídas no próprio evento, conforme anunciado pela organização.

Sobre a agressão, o vereador cita, na nota oficial, que houve uma confusão com insultos envolvendo a família da vítima, a família do parlamentar e uma voluntária do evento, esta teria se defendido “com uma cotovelada” após a mulher ter puxado o cabelo dela. O vereador não cita ter dado socos no rosto da denunciante.

Vereador de Americana Juninho Dias (MDB) — Foto: Reprodução/Facebook oficial

Vereador de Americana Juninho Dias (MDB) — Foto: Reprodução/Facebook oficial

 

Ferimentos no rosto e atendimento no hospital

A mulher ficou com o rosto ensanguentado após o ferimento e foi socorrida pela filha adolescente. Ela contou à reportagem, que a família foi para casa e, de lá, chamou a Polícia Militar.

Ela foi levada por policiais militares ao Hospital Municipal, onde passou por exames. Em seguida, foi encaminhada para o 3º Distrito Policial de Americana, onde relatou os fatos.

 

Ameaça na residência

Posteriormente, quando foi para casa, a vítima disse que o vereador voltou a procurá-la na residência. Informou, no depoimento, que Juninho Dias disse que ela teria roubado o telefone celular dele durante a confusão no evento, e que o vereador teria pedido à Guarda Municipal para vistoriar o imóvel, onde nada teria sido encontrado.

Na mesma noite, a mulher disse aos policiais ter sido ameaçada de morte pelo parlamentar. O boletim descreve que o vereador voltaria na residência com um revólver para matá-la caso ela não devolvesse o celular. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça consumados no 3º Distrito Policial de Americana.

Casa da mulher que disse ter sido agredida por vereador de Americana durante evento na cidade — Foto: Giuliano Tamura/EPTV

Casa da mulher que disse ter sido agredida por vereador de Americana durante evento na cidade — Foto: Giuliano Tamura

Na nota publicada por Juninho Dias, ele confirma ter ido à casa da moradora na companhia de “dois pais, após alegações sobre ter visto a mesma pegando meu aparelho celular e o rastreio do aparelho mostrar que o aparelho encontrava-se próximo ao local”, diz o texto. Ele afirma, ainda, ter retornado ao evento e comunicado o fato à Guarda Municipal.

A mulher relatou à polícia que a Guarda teria entrado na sua casa sem autorização para fazer a busca pelo celular. No entanto, a prefeitura disse que a corporação não entrou no local porque o caso já estava sendo registrado pela Polícia Militar.

O g1 pediu um posicionamento à Prefeitura de Americana sobre atuação da Guarda no evento, que ocorreu no Campo do Zanaga, bairro Antonio Zanaga II, e apreensões de linhas de pipa com cerol, cujo uso é proibido por lei, e aguarda retorno.

Campo do Zanaga, em Americana — Foto: Giuliano Tamura/EPTV

Campo do Zanaga, em Americana — Foto: Giuliano Tamura/EPTV

 

Câmara Municipal vai apurar

O presidente da Câmara, Thiago Martins, foi procurado  para comentar o caso. Ele disse que Juninho Dias organizou o evento das pipas, por meio do instituto dele – Instituto Jr. Dias – e que tomou conhecimento do ocorrido por publicações na imprensa.

A Casa disse, em nota, que vai apurar o ocorrido, e que “no que for de sua competência, adotará fielmente o disposto na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno da Câmara”.

Thiago Martins afirmou que repudia qualquer tipo de agressão. Também ressaltou que Juninho Dias é presidente do Conselho de Ética da Câmara, e que ele pode ser afastado do cargo durante as apurações.

“Como ente público, esta Casa Legislativa repudia qualquer tipo de violência e segue cumprindo a legislação, reservando-se no momento a acompanhar o caso e aguardar seus desdobramentos, visto que não foi notificada oficialmente”, completou a nota oficial.

Com informações de G1 Campinas