Polilaminina: a descoberta de Tatiane Sampaio que pode mudar o futuro das lesões da medula espinhal

Tatiane Sampaio é uma cientista brasileira de destaque internacional.
Especialista em biomedicina e regeneração neural, ela coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, onde são desenvolvidas pesquisas voltadas à reconstrução das conexões da medula espinhal — um dos maiores desafios no tratamento de lesões neurológicas graves.
O foco de seu trabalho é estimular a regeneração de neurônios, abrindo novas perspectivas para pacientes que convivem com limitações motoras decorrentes de traumas ou doenças.
A grande novidade é a polilaminina, uma forma polimerizada e potencializada da laminina natural. A descoberta ocorreu quase por acaso entre 1997 e 1998, durante estudos sobre proteínas da placenta que auxiliam na orientação e reconexão de neurônios. Desde então, a polilaminina vem sendo considerada uma das mais promissoras alternativas para a recuperação de funções motoras em casos de lesões graves na medula espinhal.
Trata-se de uma molécula sintética desenvolvida para atuar como uma espécie de “ponte biológica” na medula espinhal lesionada. Em estudos experimentais, demonstrou capacidade de estimular o crescimento de fibras nervosas, reduzir processos inflamatórios, favorecer a reconexão entre neurônios e contribuir para a recuperação parcial de movimentos.
Os resultados mais recentes indicam que pacientes com lesões medulares crônicas conseguiram recuperar movimentos antes considerados irreversíveis, reacendendo a esperança na medicina regenerativa e posicionando a descoberta como um marco científico de alcance global.
A laminina forma uma malha que facilita a comunicação entre células nervosas, mas torna-se rara no organismo adulto após lesões. A polilaminina, produzida em laboratório, é aplicada diretamente na região lesionada da medula e estimula a reorganização de circuitos nervosos, promovendo a regeneração axonal (crescimento de novos “fios” neurais) e reduzindo a inflamação. Isso permite que impulsos elétricos voltem a circular, recuperando movimentos e sensibilidade em casos de paraplegia ou tetraplegia causadas por traumas — como acidentes, quedas ou lesões esportivas.
Em estudos iniciais com humanos — ainda em fase preliminar e sem revisão completa por pares em alguns relatos — pacientes com lesões medulares graves apresentaram recuperação parcial ou até total de movimentos.
Um caso notório é o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu tetraplegia após um acidente de carro em 2018 e, após aplicação da polilaminina, recuperou mobilidade significativa.
A pesquisa é desenvolvida em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália e contou com apoio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Em 2026, a Anvisa autorizou a fase 1 de testes clínicos em humanos para avaliar a segurança em pacientes com lesões recentes, marcando um avanço rumo à aprovação como medicamento.
Impacto da pesquisa
A pesquisadora destaca que os avanços são fruto de anos de investigação e reforça que o objetivo é oferecer alternativas seguras e acessíveis para pacientes com lesões medulares.
Fechamento
Que a descoberta de Tatiane Sampaio continue evoluindo, fortalecendo a ciência brasileira e impulsionando a medicina regenerativa. Mais do que devolver movimentos, a polilaminina devolve esperança, alegria e dignidade a pacientes que convivem com limitações físicas, marcando um avanço capaz de transformar vidas e consolidar o papel do Brasil na inovação científica mundial.
Com informação: Romanews







