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Psol pode ter a primeira candidata trans da história de Indaiatuba em 2020

HUGO ANTONELI JUNIOR

Encerrando as entrevistas sobre as eleições 2020, o Comando Notícia conversou com o presidente do Psol Indaiatuba (SP), Felipe Maropo. Ele falou sobre os governos Bolsonaro, Doria e Gaspar. Também revelou que a cidade pode ter pela primeira vez uma candidata trans para vereadora no ano que vem. Confira abaixo a conversa completa.

Comando Notícia (CN): Qual a sua avaliação do governo Bolsonaro?

Felipe Maropo (FM): O governo Bolsonaro é um desastre, está indo na contramão de tudo que pode tornar o Brasil um país desenvolvido. Foi eleito por causa do antipetismo, não por ser qualificado. O melhor exemplo disso são as indicações aos ministérios e o nível dos escolhidos para os cargos. Terra Plana, Kit Gay, Ideologia de Gênero, Marxismo Cultural, Fake News, Robôs, indícios de corrupção envolvendo o “clã” Bolsonaro, enfim, são inúmeras falas de pessoas no mínimo incapazes de discutir, debater e formular políticas públicas… além dos posicionamentos públicos preconceituosos e autoritários deste governo.

CN: Qual é a sua avaliação do governo Doria?

FM: O João Doria é o cara mais oportunista da política paulistana, fez toda sua campanha pautada no conservadorismo político, “surfou” com o chamado “BolsoDoria” e neste momento bastante delicado do governo federal, o sujeito tenta se desvencilhar do Presidente da República com declarações na mídia, afirmando não ter alinhamento político com Bolsonaro. João Doria é perverso, articulado e entreguista (tanto quanto Bolsonaro), em São Paulo está tentando aplicar uma “reforma” que vai punir o funcionalismo público e consequentemente precarizar ainda mais os serviços que a população tanto precisa, enquanto as desonerações fiscais correm soltas. Saúde, Educação e Segurança estão na mira deste sujeito que tem projeto definido: privatizações e tecnicismo. Vale lembrar que João Doria é do PSDB, partido que governa São Paulo há décadas.

CN: Qual a sua opinião sobre os mandatos dos deputados Rogério e Ganem?

FM: Rogério Nogueira é um cacique dentro do seu partido, DEM, além disso, este ano sofreu processo e foi condenado pela justiça. Mesmo com alguns mandatos na ALESP não apita nada e tem atuação pífia. É outro que se aproveita do sucesso de seu irmão (este mais encrencado ainda) para permanecer no cenário político.

Bruno Ganem já não é tão novo no cenário local, hoje constrói outro grupo político, mas vale lembrar que no começo pedia também a benção de Reinaldo Nogueira, em seu primeiro mandato de vereador. Na ALESP, tem algumas iniciativas, mas fica a reboque de outros deputados e deputadas mais experientes.

Vale lembrar que recentemente os dois deputados votaram favorável ao PL 899/19 que é um ataque aos servidores públicos estaduais. E que estes deputados têm disposição também para votar a “reforma” do Doria, outro ataque brutal não só aos servidores públicos, mas também a todas as pessoas que dependem dos serviços públicos. Não vou elogiar os recursos enviados ao município, é uma obrigação! E que lutem por uma alternativa a este pedágio que assalta diuturnamente nossa população.

CN: O que você está achando do governo Gaspar?

FM: Percebo o mesmo que a população em geral percebe: Indaiatuba é maravilhosa! Isso não significa que não podemos melhorar ainda mais, imaginem se nossa cidade não tivesse político do alto escalão condenado? Imaginem se houvesse transparência de fato no trato com a coisa pública. Infelizmente nossa cidade ainda é organizada por um pensamento coronelista, os conselhos municipais, as eleições, o comércio… funcionam nesta lógica. É preciso implementar uma nova lógica, uma organização em compliance.

Não preciso lembrar que o prefeito é bem pago com o dinheiro público, ou seja, não está fazendo favor.

CN: O seu partido deverá ter candidato a prefeito?

FM: Sim. Neste momento, sou pré-candidato ao cargo de prefeito pelo PSOL Indaiatuba.

CN:  Há chance do Psol ter pela primeira vez uma candidata trans?

FM: Sim, uma candidata. Nosso núcleo LGBTQI+ é bastante organizado e atuante, existe a possibilidade de lançarmos a primeira candidatura trans em Indaiatuba, mas isso está sendo debatido com o núcleo LGBTQI+ e demais filiados.

CN: Você é a favor do aumento no número de vereadores na Câmara?

FM: O PSOL é favorável ao aumento do número de vereadores na Câmara Municipal pelos seguintes motivos:

1 – O número de Vereadores deve ser proporcional à quantidade de habitantes do município (está na Constituição) e Indaiatuba está defasado nesse quesito;

2 – Não há aumento de despesas, a verba que se tem hoje para doze vereadores, será redistribuída para a nova quantidade estabelecida.

3 – Aumento da representação política na cidade, além de aumentar as chances de novas ideias e ou propostas diferentes.

É muito cômodo para quem está vereador há décadas (e não são poucos) ser contrário ao aumento de vereadores, pois estes correm o risco de ficar de fora, além de é claro, ser muito mais tranquilo para o prefeito controlar ampla maioria.

CN: Você é a favor da CPI da saúde?

FM: O PSOL é favorável a CPI da saúde, embora reconheçamos que estamos melhores que muitas outras cidades da região, temos que exigir sempre o melhor da nossa cidade, existem inúmeras demandas da saúde, existem inúmeras pessoas que precisam do atendimento, cirurgias, remédios, entre outros, entretanto, existe também o aparelhamento e o oportunismo de alguns políticos que fazem do sofrimento da população moeda de troca. Quem não deve, não teme.

CN: O Psol terá candidatos a vereador?

FM: Sim, estamos construindo nossa chapa.

CN: Há chance de haver alguma coligação?

FM: A conjuntura nacional nos faz refletir e colocar na balança qual é a prioridade da esquerda, além disso temos resoluções internas do PSOL e as especificidades do nosso município. Estamos conversando, se haverá coligação ainda não sabemos.

fotos: arquivo pessoal