
Entenda a atrofia geográfica, estágio avançado da degeneração macular que ainda é subdiagnosticada no Brasil
São Paulo – maio de 2026 – A atrofia geográfica, estágio avançado da degeneração macular relacionada à idade seca (DMRI seca), ainda é uma condição pouco conhecida pela população brasileira, embora possa comprometer de forma importante a visão central, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.
A DMRI é uma doença da retina associada ao envelhecimento e uma das principais causas de perda visual em pessoas acima dos 50 anos. Ela afeta a mácula, região central da retina responsável por atividades como leitura, reconhecimento de rostos, direção e percepção de detalhes finos. Em sua forma seca, a doença pode evoluir lentamente por anos e, em alguns casos, avançar para atrofia geográfica, com perda irreversível de tecido da retina e declínio progressivo da visão central[1].
O tema ganha relevância em um país que envelhece rapidamente. Segundo o IBGE, a população com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos, enquanto a população com 60 anos ou mais alcançou 32,1 milhões em 2022[2]. O aumento dessa população está diretamente relacionado ao crescimento dos casos de DMRI. Em estudos nacionais, a prevalência da doença pode chegar a cerca de 15,1% em indivíduos acima de 60 anos e a 31,5% entre pessoas com 80 anos ou mais[3].
Além disso, estudos internacionais mostram que a DMRI já afeta aproximadamente 200 milhões de pessoas no mundo, com projeção de alcançar 288 milhões até 2040. Já a atrofia geográfica, forma avançada da doença, impacta cerca de 5 milhões de pessoas globalmente[4]. “Quando falamos de atrofia geográfica, estamos falando de uma doença que pode comprometer de forma importante a autonomia do paciente e a vida da família inteira. É uma condição que precisa sair da invisibilidade”, afirma o Dr. Laurentino Biccas, oftalmologista especialista em retina e mácula.O especialista explica ainda que, nas formas iniciais, podem surgir drusas – depósitos amarelados sob a retina – e alterações discretas que nem sempre são percebidas pelo paciente. “O grande gargalo é o paciente procurar um oftalmologista e reconhecer que a alteração visual não é apenas ‘idade’ ou catarata”, completa Biccas.
PRINCIPAIS SINAIS DE ALERTA
A doença pode se apresentar em duas grandes formas: úmida e seca. A forma úmida, menos frequente, é tratável há mais tempo com terapias intraoculares que ajudam a controlar a progressão. Já a forma seca, mais prevalente, por muitos anos não contou com opções específicas de tratamento para retardar sua evolução – motivo pelo qual a conscientização sobre a doença e seu acompanhamento são considerados tão importantes. Para a Atrofia Geográfica, ainda não existem tratamentos aprovados no Brasil. No entanto, já há terapias aprovadas há mais de três anos em outros países que retardam a progressão da doença.
Entre os sinais de alerta da DMRI e da atrofia geográfica estão distorção de linhas retas, dificuldade para leitura, dificuldade para reconhecer rostos, visão central embaçada ou com falhas e piora visual progressiva1. Por ser uma condição irreversível, a identificação precoce é fundamental para orientar o manejo clínico e apoiar a jornada do paciente.
CONSCIENTIZAÇÃO, A CHAVE PARA A BUSCA POR DIAGNÓSTICO
Para Maria Antonieta Parahyba Leopoldi, vice-presidente da Retina Brasil – associação de pacientes dedicada à informação, acolhimento e defesa de pessoas com doenças da retina –, a conscientização é uma etapa decisiva desse processo. “Muita gente convive com sintomas visuais sem saber exatamente o que tem. Nosso papel é fornecer informações ao paciente para que ele possa participar ativamente da conversa durante sua consulta médica. No caso da atrofia geográfica, isso começa pela informação”, diz.
Ela também destaca que, em uma pesquisa conduzida pela entidade com pacientes com DMRI seca e úmida, 25% relataram que o diagnóstico sequer havia sido explicado adequadamente pelo médico, o que evidencia a necessidade de mais informação e diálogo na jornada do paciente[5]. “Nosso trabalho é fazer com que o paciente deixe de ser passivo. Queremos que ele saiba perguntar o que tem, por que vai usar um tratamento e quais são as possibilidades de evolução da doença”, completa.
Outro ponto importante é que a atrofia geográfica costuma ser pouco nomeada na jornada clínica, embora muitas pessoas convivam com a DMRI seca sem saber que podem evoluir para esse estágio. Para os especialistas, falar da doença dentro do contexto mais amplo da DMRI ajuda a ampliar o entendimento sobre evolução, acompanhamento e necessidade de vigilância. “É importante explicar a atrofia geográfica dentro do quadro da degeneração macular. Assim, o paciente entende que a DMRI seca pode evoluir e passa a acompanhar melhor os sinais de alerta”, observa Maria Antonieta.
Além disso, os especialistas apontam que o impacto da doença vai muito além da perda visual. A atrofia geográfica pode aumentar o risco de acidentes, dificultar o autocuidado e exigir apoio de familiares ou cuidadores. A condição também pode afetar saúde mental, independência e rotina social dos pacientes.Dados internacionais reforçam a gravidade desse impacto: estudos mostram que a DMRI está entre as principais causas de deficiência visual irreversível, e a atrofia geográfica pode levar a desfechos severos em poucos anos. Em pessoas acometidas, a progressão é variável, mas o dano é permanente e tende a se agravar sem acompanhamento adequado[6].
SUBNOTIFICAÇÃO DA ATROFIA GEOGRÁFICA
No Brasil, a discussão também é importante do ponto de vista de saúde pública. Segundo dados do IBGE, 7,9 milhões de brasileiros relatam dificuldade para enxergar mesmo com óculos ou lentes de contato, convivendo com cegueira ou algum grau de deficiência visual1. Especialistas afirmam que a falta de estatísticas mais detalhadas sobre a atrofia geográfica contribui para a subnotificação e para a subestimação do problema. “No Brasil, ainda temos uma grande dificuldade para trabalhar com estatísticas mais precisas sobre essa população. E, sem informação, a doença continua subestimada”, diz Biccas.
A Astellas Farma vem liderando esse movimento de conscientização e destaca a importância de ampliar a atenção sobre a atrofia geográfica, estimulando uma conversa mais informada entre pacientes, familiares e profissionais de saúde e reforçando o valor da educação em saúde em doenças que impactam significativamente a vida dos pacientes.
Sinais de alerta que merecem atenção1:
- linhas retas que parecem tortas ou onduladas;
- dificuldade para ler;
- dificuldade para reconhecer rostos;
- visão central embaçada ou com falhas;
- percepção de piora visual progressiva.
Com informações: Camile Freitas
Foto: Freepik







