Cidades

Representante negro fala sobre dia da Consciência, “melhor forma de igualdade é com educação”

HUGO ANTONELI JUNIOR

INDAIATUBA – No Dia da Consciência Negra, marcada para o dia 20 de novembro por causa da morte do líder Zumbi dos Palmares, dois representantes da cultura negra na cidade falaram com o Comando Notícia sobre os desafios de uma associação que tem mais de 20 anos e que luta para continuar relevante.

Para Renato Nogueira, vice-presidente da Comunidade Negra de Indaiatuba (Coni), a educação é a única forma de se conseguir igualdade. “Em visita recente ao Brasil, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a única forma de haver uma melhor distribuição de renda entre negros e brancos, ricos e pobres, é através da educação. Mas sabemos que no Brasil os investimentos estão muito longe do necessário”, pontua.

A presidente da Coni, Maria Ângela Faustino, ainda vê os negros em desigualdade em Indaiatuba. Não vejo um negro em posição social de igualdade, mesmo tendo cotas nas faculdade, quando chega na hora de encontrar um bom emprego é deixado de lado. O racismo velado é muito grande por aqui. Quantos negros de expressão ocupam cargos de expressão?”, questiona.

Coni em Indaiatuba

O desafio da comunidade, com a sede em reformas, é voltar a ser referência, de acordo com Renato. “Semana passada fiz uma postagem na rede social e teve mais de 100 comentários de pessoas que tiveram a associação como uma referência. Hoje, infelizmente, perdemos um pouco disso”, avalia.  “Precisamos voltar a ser referência de história e cultura na nossa cidade e região”, diz.

A presidente relembra o início de tudo. “O prefeito José Carlos Tonin procurou o José Geraldo de Moraes e alguns negros da cidade e fez a doação do terreno para a construção da sede (na rua Comendador Antônio Nagib Ibrahim – Nucleo Hab. Brg. Faria Lima). A fundação foi em junho de 1988. Fazemos diversos eventos e hoje estamos passando por reformas. Toda a nossa diretoria é 100% voluntária”, conta.

Zumbi

Renato, que também é estudante de direito em Itu, relembra a trajetória do líder negro Zumbi. “É o grande ícone da resistência negra, quando os negros foram escravizados, não perderam apenas a sua liberdade, mas foram obrigados a esquecer a sua história. Isso se vê nos sobrenomes das pessoas, enquanto os mais diversos imigrantes chegaram ao Brasil e com o aval do governo à época mantiveram seus sobrenomes como forma de resistência e cultura, fato este que não aconteceu com os negros”, diz.

“Hoje em dia continuamos com a necessidade de políticas públicas afirmativas. Eu, por exemplo, só sou estudante devido às cotas.  Embora eu não sou totalmente a favor das cotas o fato é que trouxe essa discussão pra mesa de debates”, encerra.

foto: divulgação