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Sindicato mantém greve e Indaiatuba amanhece sem ônibus pelo segundo dia seguido

por HUGO ANTONELI JUNIOR

O Sindicato dos Rodoviários confirmou ainda durante a madrugada desta quarta-feira (15) que mantém, pelo segundo dia seguido, o estado de greve dos motoristas da empresa  Sou Indaiatuba, da Sancetur. Nenhum ônibus saiu da garagem pelo segundo dia seguido e os passageiros precisarão buscar alternativas principalmente para ir ao trabalho.

Algumas pessoas recorreram às caronas, carros por aplicativo e até as empresas enviaram carros para buscar. A greve só será encerrada quando houver, segundo o sindicato, “garantias de que os trabalhadores receberão pelo trabalho”. Isso pode acontecer ao longo do dia ou durar mais tempo.

O Comando Notícia esteve na garagem durante a madrugada. Os motoristas estavam reunidos e todos os ônibus estacionados. Não foi realizada nenhuma nova assembleia porque a situação não mudou, segundo informou o representante do sindicato, Cristiano de Souza Santos.

Usuários relatam abandono

Percorremos então diversos pontos da cidade. No Parque Campo Bonito havia passageiros em dois pontos. Eles sabiam que os ônibus estavam em greve. “Vou ter que pedir para alguém me buscar”, disse uma mulher. “Vou voltar para casa. É um descaso o transporte público na nossa cidade. Eu trabalho do outro lado e preciso dos ônibus para ir trabalhar”, relata.

Havia cerca de seis pessoas esperando na avenida Ottilia Ferraz de Camargo. No ponto da avenida Horst Frederico João Heer, duas mulheres estavam esperando. “Não sei o que fazer. Meu patrão precisará vir me buscar”, disse uma. “Não sei, talvez eu tenha que voltar para casa”, informou a outra. No João Pioli havia cerca de seis pessoas, a maioria conseguiu se locomover depois que funcionários da Prefeitura passaram avisar.

“Eles passaram dizendo que não teria ônibus. Aí as pessoas se organizaram para pegar carros por aplicativo ou até caronas”, conta uma das pessoas que estavam no lugar. Outra mulher esperava uma parente passar buscar. “É um descaso total. Quando tinha era lotado, agora nem ônibus tem”, reclama.

No ponto da Avenida Ário Barnabé, perto do Cristo, três mulheres conversaram sobre o assunto. “Não sabia que estava de greve, trabalho no Centro”, contou uma delas. Duas iam dividir uma corrida com carro de aplicativo. “Tenho dois empregos e se eu saio atrasado de um, não chego no outro, tenho descontado do salário. Esta semana fiquei das 11h às 13h30 esperando na praça no Centro e não passou nenhum ônibus”, conta. Na antiga rua 81 havia pessoas em todos os três pontos sentido Parque Ecológico. “Não sabia que eles tinham parado”, conta uma das passageiras. “Não sei como vou fazer para ir trabalhar”, disse.

Impasse no subsídio

Ainda não terminou a discussão sobre o repasse da Prefeitura de Indaiatuba (SP) à empresa Sou, da Sancetur. Em sessão online agora pouco, os vereadores que representam a Prefeitura pediram dois dias para analisar o texto, protocolado na Câmara nesta segunda-feira (13). O projeto foi enviado em regime de urgência para ser votado – ou seja, para que ele passe na frente dos outros projetos que estão na ordem.

A emergência foi analisada e aprovada por 9 dos 12 vereadores. Alexandre Peres e Ricardo França votaram contra o projeto ser urgente, pedindo mais tempo para analisar. O restante dos vereadores foi favorável. O presidente não vota. Depois, na hora de votar, o líder do governo, Cebolinha, pediu vistas de dois dias. Ou seja, poderá haver uma sessão extraordinária para votar o texto ainda nesta semana. Ou os vereadores podem analisar o projeto até a sessão online da semana que vem. O projeto, portanto, AINDA NÃO FOI VOTADO.

Segundo a proposta esses repasses mensais durarão “enquanto durar o estado de emergência de saúde pública”, uma alteração em relação ao texto que rodou as redes sociais nos últimos dias. Antes o prazo seria de 90 dias, ou seja, três meses. Agora não há prazo. A lei passaria a valer desde o dia 1º de abril. O repasse à empresa por passageiro que era ofertado mensalmente, caso seja aprovado o texto, seria suspenso.

A Prefeitura justifica dizendo que “torna-se insustentável a manutenção pela concessionária, ainda que mínima, de linhas e horários sem a devida contraprestação da tarifa paga pelos usuários (…) a elevação da tarifa pública seria um ônus demasiado a quem, justamente, neste período de crise, depende do transporte coletivo”. Segundo o documento assinado pelo prefeito, “a concessionária, em colaboração com a Administração Municipal, vem envidando esforços para a manutenção dos serviços ainda que com severo desequilíbrio contratual.”

foto: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia