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SP-75 é a oitava melhor rodovia do país, diz CNT; no geral, qualidade das rodovias caiu

A SP-075 (rodovias Dep. Arquimedes Lammoglia, Prefeito Hélio Steffen, Engo Ermênio de Oliveira Penteado e Santos Dumont), que liga Sorocaba a Campinas, passando por cidades como Indaiatuba, Itu e Salto, ficou em oitavo lugar dentre as melhores rodovias do país de acordo com uma pesquisa divulgada na terça-feira (7), pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Apesar da boa avaliação, um dado alarmante foi divulgado pela pesquisa. Os 96.362 acidentes, com 6.398 óbitos, registrados em 2016, nas rodovias federais policiadas, resultaram em um custo de R$ 10,88 bilhões para o país. Esse valor é superior ao investimento feito em rodovias no ano passado, que foi de R$ 8,61 bilhões.

O “prejuízo” com os acidentes se reflete também nos déficit financeiro em gastos que não precisariam existir com combustível. Estima-se que, apenas em 2017, o setor de transporte tenha um consumo desnecessário de 832,30 milhões de litros de diesel. Esse desperdício custará R$ 2,54 bilhões aos transportadores. O cálculo é feito com base nas inadequações encontradas no pavimento.

Concedidas seguem com maior aprovação

Entre as rodovias geridas pelo setor público, 70,4% da extensão foram avaliadas como regular, ruim ou péssimo e 29,6% foram consideradas com estado geral ótimo ou bom. Na pesquisa do ano passado, esses percentuais foram 67,1% e 32,9%, respectivamente.

No caso das rodovias concedidas, em 2017, 25,6% tiveram o estado geral classificado como regular, ruim ou péssimo; e 74,4% atingiram a classificação ótimo ou bom. No ano passado, esses índices foram 21,3% para regular, ruim ou péssimo e 78,7% para ótimo e bom.

De acordo com os técnicos da CNT, a redução dos índices de qualidade das rodovias concedidas tem diversas causas. Entre elas, estão o aumento dos custos de financiamento de obras de infraestrutura e problemas em contratos de concessão.

Dados gerais

A 21ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias avaliou 105.814 km de rodovias. Foi percorrida toda a extensão pavimentada das rodovias federais e das principais rodovias estaduais do país. Neste ano, a pesquisa constatou uma queda na qualidade do estado geral das rodovias pesquisadas. A classificação regular, ruim ou péssima atingiu 61,8%, enquanto em 2016 esse índice era de 58,2%.

Em 2017, 38,2% das rodovias foram consideradas em bom ou ótimo estado, enquanto um ano atrás esse percentual era de 41,8%. A sinalização foi o aspecto que mais se deteriorou. Em 2017, o percentual da extensão de rodovias com sinalização ótima ou boa caiu para 40,8%, enquanto no ano passado 48,3% haviam atingido esse patamar. Neste ano, a maior parte da sinalização (59,2%) foi considerada regular, ruim ou péssima.

Em relação à qualidade do pavimento, a pesquisa indica que metade (50,0%) apresenta qualidade regular, ruim ou péssima. Em 2016, o percentual era de 48,3%. Já a geometria da via, outro quesito avaliado pela Pesquisa CNT de Rodovias, manteve o mesmo resultado do ano passado: 77,9% da extensão das rodovias tiveram sua geometria avaliada como regular, ruim ou péssima e apenas 22,1% tiveram classificação boa ou ótima. Faltam investimentos –

Segundo o presidente da CNT, Clésio Andrade, a drástica redução dos investimentos públicos federais a partir de 2011 levou a um agravamento da situação das rodovias. Em 2011, os investimentos públicos federais em infraestrutura rodoviária foram de R$ 11,21 bilhões; em 2016, o volume investido praticamente retrocedeu ao nível de 2008, caindo para R$ 8,61 bilhões. Este ano, até o mês de junho, foram investidos apenas R$ 3,01 bilhões.

Para dotar o país de uma infraestrutura rodoviária adequada à demanda nacional, são necessários investimentos da ordem de 293,8 bilhões, segundo o Plano CNT de Transporte e Logística. Apenas para manutenção, restauração e reconstrução de trechos desgastados, trincas em malha, remendos, afundamentos, ondulações, buracos ou pavimentos totalmente destruídos são necessários R$ 51,5 bilhões.

foto: divulgação