Cidades

Todo cego usa teclado de computador em braille?

CAROL BORSATO*

Bom, hoje iremos falar sobre os teclados de computador que os deficientes visuais usam. As pessoas que não têm conhecimento, acham que os cegos aprendem a usar o computador com teclado braille. Esses teclados existem sim, mas a verdade é que os cegos aprendem, geralmente, em teclado comum. Na verdade, não faz muita diferença as teclas estarem escritas em braille, pois elas não avisam se o comando funcionou.

Então, por isso, nesse caso, mais importante são os leitores de tela; eles não dizem apenas qual letra o cego digita, mas também informam se os comandos e atalhos executados funcionaram. Nem tudo precisa ter diferencial de acessibilidade. Quando criança, por exemplo, o deficiente visual brinca com bonecas e carrinhos comuns.

Mas a acessibilidade tem que estar presente em tudo que é fundamental. Nos estudos, nos livros, apostilas… Para os deficientes que se interessam por ciências, por exemplo, tem que haver acessibilidade nas peças do corpo humano ou esqueleto, tocáveis, para eles poderem saber o verdadeiro formato das mãos, dos pés, etc.

A acessibilidade tem que estar no trânsito. No esporte: na bola com guizo para que eles possam saber onde ela está. No marketing: nos folhetos em braille, para eles terem acesso à informação com independência e em tempo real.

Virtual Vision Voltando aos computadores, eles até têm o narrador do Windows, mas ele só está em português no Windows 10, e não lê de tudo como o Jaws, o NVDA e o Virtual Vision. O Virtual Vision é muito bom principalmente para os iniciantes, sua voz é ótima.É uma ferramenta que possibilita que pessoas com deficiência visual possam utilizar, com autonomia, o Windows, o Office e outros aplicativos, através da leitura dos menus e telas desses programas por um sintetizador de voz.

O interessante é que nenhuma adaptação especial é necessária. A navegação é realizada por meio de um teclado comum e o som é emitido através da placa de som presente no computador. O uso de sintetizadores externos é dispensado. O leitor de tela Virtual Vision completou 20 anos de existência, fazendo a diferença na vida das pessoas cegas dando toda autonomia para elas dominarem o windows e outros aplicativos.

O Virtual Vision já teve sua versão 10 lançada, mas atualmente os cegos usam também o Jaws, bastante difundido e o NVDA, plataforma de código aberto de leitura de tela para sistema operacional Windows. É essa a vida de cegos, com pontinhos e muitas vozes sintetizadas. Querem conhecer mais sobre o Virtual Vision?

*Carol Borsato é jornalista e é a primeira repórter com deficiência visual da história da Indaiatuba (SP).

foto: divulgação