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“Uma Segunda Chance para Amar” é mais do que uma comédia romântica

HUGO ANTONELI JUNIOR – CRÍTICA

“Uma Segunda Chance para Amar” tem como gancho o Natal, um pano de fundo leve e que poderia levar para uma comédia romântica boba e meio sem sentido, mas o filme usa isso para tocar em temas complexos trazendo, no fim, uma mensagem simples, mas importante. O Comando Notícia, a convite do Topázio Cinemas, assistiu o filme nesta quarta-feira (27), um dia antes da estreia. Confira a programação de horários aqui.

Emília Clarke, estrela de Game of Thrones e de “Como Eu Era Antes de Você”, é a dona do filme. Acompanhada quase sempre de uma blusa de oncinha, um chope, um lanche de fast food ou os três juntos, ela toca, cruza e vai para a área cabecear, praticamente um faz-tudo, o que é suficiente para a trama, que se passa em Londres. O Natal parece ser mesmo só uma desculpa para a época do ano em que o filme é lançado.

A inseparável “onça” que a protagonista usa.

O tema mais importante tratado no filme não é sequer citado, as questões do Brexit e da imigração, com um dedo de Emma Thompson no roteiro e mais do que uma mão inteira dela também como mãe da protagonista. A família central da história é imigrante da extinta Iugoslávia, que se transformou em meia dúzia de outros países há cerca de 30 anos. Essa fuga da terra natal para a Inglaterra causou problemas permanentes em todos. Desde um casamento destruído até um emprego qualquer para a menina que sonha mesmo em cantar.

É aí que o Natal entra. Kate, ou Katarina, trabalha para uma excêntrica descendente oriental a quem chama de “Natal” em uma loja que vende artigos natalinos dos mais diversos e de gostos bem duvidosos. Ela se veste como uma elfo, elemento natalino não tão presente no Brasil, que pode assemelhar-se a uma fada, mas por aqui preferimos renas, duendes e até ursos polares (?). Elfo também é como ela se sente. Alguém de “outro mundo” ou fora da realidade.

Michelle Yeoh vive uma chefe maluca, com nomes estranhos e dona de uma loja com artigos de gosto duvidoso.

Apesar de trabalhar em uma loja natalina poder ser uma experiência até certo ponto feliz, Kate quer mesmo é cantar, o que não consegue depois de ter ficado doente. Essa doença misteriosa vai se revelando com o passar do filme e é crucial para entender todo o contexto da jovem de 26 anos. Inicialmente ela não tem para onde ir, praticamente uma moradora em situação de rua ou sem-teto, que anda com uma mala a tiracolo.

O que seria compreensível em um contexto de fuga do país natal, ela foge da própria realidade e está perdida, conforme confessa a Tom, vivido por Henry Golding. O “par” de Kate cumpre o seu papel discretamente e necessário, principalmente quando faz com que ela olhe os mesmos lugares com outro olhar, vendo elementos que não iria ver antes. Para um protagonista pode parecer uma atuação pequena, mas o filme é mesmo de Emília Clarke. Vale uma referência a Emma Thompson que tem, claro, papel fundamental e um dos mais difíceis, talvez, sendo a personagem mais afetada pela guerra no contexto do filme.

Quando as duas, filha e mãe, estiverem em cena, é a justificativa para chamar o filme de comédia.

É óbvio que se tratando de um filme natalino as músicas estão muito envolvidas, inclusive porque o próprio filme é baseado em uma música, “Last Christmas” de George Michael. Não faltam também as referências que tornam o filme uma atração no contexto norte-americano. Você vai encontrar uma mensagem de recomeço, de segundas chances, um encorajamento para se aproximar das pessoas e até para pedir desculpas, faz parte do jogo e na mistura do filme parece inclusive inevitável. “Uma Segunda Chance para Amar” entrega mais do que parece pelo trailer. É mais que uma comédia, em alguns momentos uma “dramédia”, mas surpreende em alguns pontos que, claro, você só vai saber assistindo porque ninguém aqui quer entregar spoilers.

fotos: reprodução