Cidades

Vereadora fala de atuação na Câmara e da saúde em Indaiatuba

HUGO ANTONELI JUNIOR

INDAIATUBA – A Câmara chegou a ficar quatro anos sem eleger uma mulher, mas coube à enfermeira de carreira Silene Carvalini (PP) voltar a representar o sexo feminino com mais de 2,6 mil votos. “Achei que [a adaptação] seria mais difícil”, conta, em entrevista exclusiva ao Comando Notícia. “Mas por trabalhar no serviço público e já lidar com pessoas, foi mais tranquilo”, avalia.

Recentemente, Silene propôs projetos para valorizar a prevenção, como o Outubro Rosa. “Apesar de sabermos que as mulheres tem que ter a consciência de se cuidar, se lembrarmos durante todo o ano e não só em outubro, elas vão procurar os médicos e fazer os exames necessários”, afirma. “É importante lembrar que o câncer de mama também se manifesta em homens, em menor proporção, mas vem aumentando pela própria alimentação e correria do dia a dia”, diz.

Outro texto proposto e aprovado no Legislativo foi a instituição do Setembro Amarelo, que previne o suicídio. “Nós sempre fazemos moções para valorizar os profissionais da saúde. Muitos criticam porque falam que é obrigação deles. Sabemos que é, mas acredito que isso pode motivá-los. Recentemente fizemos uma moção aos guardas que impediram um suicídio conversando com o homem que ia pular da passarela“, afirma. “Tem muitos casos de suicídio que chegam no hospital todos os dias, mas nem todos são relatados, infelizmente, mas ainda bem que tem os casos que terminam bem, como aconteceu com os guardas.”

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O gabinete da vereadora Silene Carvalini (PP) com a equipe do gabinete na Câmara

Evento

No dia 20 de outubro, sexta-feira, às 14 horas, acontece um evento com palestras na Câmara voltadas para a saúde da mulher. O “Outubro – mês de conscientização para uma vida toda” é gratuito e terá a presença da médica da família Rosa Reyna e da psicóloga e coach Solange Mazzoni. “Porque da doença todo mundo fala, precisamos abranger outros aspectos como o psicológico”, analisa.

Convivência na Câmara

Cercada por 11 homens na Câmara, Silene fala como estão sendo os primeiros 10 meses em um ambiente majoritariamente masculino. “É um relacionamento bem tranquilo. Cada um trabalha nos seus projetos, é lógico que tem as divergências, mas a gente conversa e acrescenta aos projetos uns dos outros. Tem o nosso líder, o Cebolinha (PMDB), que tem experiência e nos ajuda muito. Porque aqui a gente precisa pensar em construir algo bom para a população. Não temos que estar aqui buscando votos ou com rivalidade. Se não nos unirmos, não conseguiremos nada. É assim que trabalho com a minha equipe e estamos indo bem”, informa.

Silene afirma que muitos moradores se confundem nas funções do vereador. “Às vezes, a gente recebe umas solicitações que não são a nossa função: como marcar exames, contribuir para pagar água ou luz. Mas o meu papel como vereadora não é dar as coisas que não são minha obrigação, mas sempre buscar condições”, conta. “Mas, pelos pedidos que chegam pra gente, seja por e-mail ou por telefone, ficamos bastante preocupados.”

Saúde em Indaiatuba

Um dos problemas que os indaiatubanos mais se queixam é com relação à saúde na cidade, e a vereadora, conhecida pela atuação na área, também comentou o assunto. “É claro que a dor é de cada um. Um pisão no pé para você pode não ser nada, mas para mim, pode ser o fim do mundo. Mas nós seguimos um protocolo do Ministério da Saúde. Se ele está hipertenso, por exemplo, vai para a fila amarela”, explica.

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“O município está oferecendo até o que não tem, porque tem cidades da região que cortaram os exames, nem fazem mais coletas. Mas a saúde nunca está bom para todo mundo e um dos problemas que a gente tem são as pessoas que vem de outras cidades. Pronto Socorro é porta aberta, então, temos que atender a todos, só dá para ter controle nos postos de saúde quando a gente pede comprovante de endereço, por exemplo.”

Muitos chegam à cidade em condições precárias. “Temos casos de pessoas que viajaram três ou quatro dias de ônibus e que chegam no Pronto Socorro e aí precisa de internação porque o caso é muito grave. Infelizmente, ainda tem a cultura de ir no hospital, quando o ideal é ir no posto de saúde. E demora mesmo, igual é no convênio, uns três meses pelo menos”, analisa.

Mas a cidade não precisa de um novo hospital, opina a vereadora. “Com essa construção nova do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), ele vai ser suficiente para atender a cidade”, diz. “O problema da saúde não é prédio. Você pode até construir um, mas o difícil é equipar e contratar profissionais. Nós temos diretrizes a serem seguidas. Tem o tamanho das salas, a distância entre os leitos, o número de profissionais de enfermagem, tudo é normatizado. Às vezes, ter um segundo hospital não vai adiantar porque é só uma ilusão de ter mais espaço, mas com a crise, é difícil de ter repasse de verba e dificulta tudo”, encerra.

Fotos: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia