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Menopausa: ginecologista fala das mudanças na vida sexual no período

JOSEANE MIRANDA

Na segunda entrevista da série de duas com a médica ginecologista e obstetra especialista em endocrinologia ginecológica, Livia Aguiar, sobre transição menopausal e climatério o Comando Notícia volta a atenção para o emocional da mulher durante a transição para a menopausa e a vida sexual. A médica aconselha as leitoras do site a viver este período da melhor forma possível sem colocar mais peso, mas sim trabalhar com entendimento e aceitação. Leia aqui a primeira parte da entrevista.

“Toda mudança nos tira da nossa zona de conforto e nos traz novos desafios e isso sempre nos dá um pouco de trabalho. Nós como médicos devemos prestar muita atenção para identificar quais mulheres terão mais dificuldade para lidar com essas mudanças e oferecer apoio através de esclarecimentos e se necessário até apoio especializado com psicólogos, nutricionistas, e outros especialistas para amenizar ao máximo o impacto na qualidade de vida”.

Comando Notícia (CN) – O período da transição menopausal e climatério provoca alterações na vida sexual das mulheres? Como fica essa parte importante da vida da mulher?

Livia – Sim, infelizmente as alterações hormonais consequentes deste período podem influenciar negativamente na qualidade sexual, apesar de não serem fator isolado. Efeitos psicológicos decorrentes dessa fase de transição também contribuem. Com relação às alterações anatômicas podem aparecer ressecamento, ardência e irritação vaginais, além de diminuição da lubrificação que pode levar a dor e desconforto durante o ato sexual o que diminui a qualidade e satisfação em alguns casos.

CN – E quanto às alterações psicológicas. Como acontece?

Livia – Quanto aos distúrbios de caráter psicológico, é preciso que sejam individualizados através de conversa com o médico. Cada mulher é única, cada uma com seus anseios e medos. Não podemos generalizar esse aspecto.

CN – Existe algum risco de morte na mulher durante este período?  Por que?

Livia – Risco de morte diretamente relacionado à menopausa não podemos afirmar, até por se tratar de uma fase e não do diagnóstico de uma doença. Mas, por outro lado, as alterações metabólicas sofridas nessa fase podem levar ao aumento importante do risco de doenças cardiovasculares o que é muito alarmante, visto que dentre estas, especialmente o infarto do miocárdio, são as principais causas de morte em mulheres com mais de 50 anos no Brasil e no mundo.

CN – Muito se fala em mudança física, mas existe também mudança de ordem psicológica em todas as fases da vida. Na transição menopausal como isso ocorre e quais são as mudanças principais e as indicações de tratamento?

Livia – Não é mais forte. São só outras mudanças, decorrentes de uma nova fase da vida, assim como mudamos na adolescência, na fase adulta. As mudanças evidentes desse período como a perda da capacidade reprodutiva e o próprio envelhecimento inerentes a esta faze propiciam distúrbios psicológicos associados, que podem contribuir para quadros ansiosos/depressivos.

CN – A mulher deve iniciar mudanças na rotina com a transição menopausal. Ela deveria evitar algo e incluir o que em sua rotina.

Livia – Mudança nos hábitos de vida como a realização de atividade física regular, alimentação saudável e cuidados com a saúde psicológica e nosso emocional são necessários em todas as fases da vida; quanto antes percebemos isso melhor! E no climatério não é diferente. Seria maravilhoso se todas pudessem ter um acompanhamento multidisciplinar, pois cada profissional contribui de forma única. Nessa fase, porém, temos maior facilidade para perda de massa óssea – prestar atenção na ingestão de alimentos ricos em cálcio, tomar um pouco de sol entre 10 e 15h, a prática regular de exercícios físicos, cessar o tabagismo, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, contribuem muito para evitar a osteoporose.

CN – Que conselho daria para a mulher que está nesta fase da vida?

Livia – Se cuidem sempre, independente do nome que tenha a fase da vida que você está vivendo. Não tenham medo. Vivam e curtam cada uma delas, pois cada uma é única, tem suas alegrias e chateações, mas a vida é uma só. Vocês não estão sozinhas contém sempre com a ajuda de profissionais especializados da sua confiança, estamos aqui para ajudá-las.

fotos: Hugo Antoneli Junior/Comando Notícia